Brasil
04/09/2008 - 21h05

"Fui o melhor dirigente sindical do Brasil nos anos 70", diz Lula

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LUIZ FRANCISCO
da Agência Folha, em Petrolina

Em discurso nesta quinta-feira para cerca de 600 estudantes da Univasf (Universidade Federal do Vale do São Francisco), onde criticou a "mercantilização" do ensino, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que foi o melhor dirigente sindical do Brasil na década de 70.

"Quero dizer para vocês que fui um dos grandes dirigentes sindicais deste país", disse Lula, em Petrolina (PE). "Aliás, durante a década de 70, fui o melhor dirigente sindical deste país", afirmou ele.

Lula disse que quando era dirigente sindical sempre teve "muitas dúvidas" sobre greves envolvendo médicos e metroviários. "Quem paga [pelas greves] é exatamente a parte mais pobre da população", afirmou.

Depois de visitar as instalações do HUT (Hospital de Urgências e Traumas) e inaugurar a primeira etapa do campus da universidade, Lula criticou a concentração de profissionais especializados apenas nas maiores cidades do Brasil.

"Se vocês que estudam medicina aqui, ao se formarem, quiserem trabalhar na avenida Paulista, em São Paulo, ou quiserem apenas trabalhar na praia de Boa Viagem, sabe o que vai acontecer? Vai ser uma frustração porque, embora a gente esteja aumentando o curso de medicina, os pobres do sertão vão ficar sem médicos, vão continuar não sendo atendidos", disse o presidente.

Segundo o presidente, "as pessoas, muitas vezes, parecem que querem mercantilizar uma coisa nobre que é a educação, sobretudo na área da saúde".

Lula também criticou os estudantes que recebem bolsas, mas nunca "retribuem" com trabalho o auxílio recebido.

"Às vezes, um cidadão se forma na USP, na Unicamp, na Universidade Federal de Recife, depois ele ganha uma bolsa e vai passar dois anos em Paris, fazendo pós-graduação, fazendo mestrado. Depois, se ele ganhar mais uma bolsa, passa mais dois anos em Berlim. Depois, ele ganha mais uma 'bolsinha', tem gente que vive de bolsa também, e vai para Londres ficar mais dois anos, ou seja, nunca há um tempo para ele retribuir com trabalho aquilo que foi o pagamento que o povo brasileiro garantiu para ele."

No final do discurso, após elogiar algumas ações do seu governo, o presidente Lula disse que muitas pessoas o consideram "um homem de sorte".

"Deus queira que eu levante todo dia com mais sorte ainda, porque sem sorte a gente não arruma nem mulher, nem mulher arruma marido para casar. Ou seja, é preciso ter muita sorte na vida política, é preciso ter muita sorte na vida administrativa, é também é preciso ter muita sorte no amor porque, senão, a vida não vale a pena."

 

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