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Brasil
05/09/2008 - 19h21

Diretor da PF defende escutas e diz que há criminosos que se acham acima da lei

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ANDRÉ ZAHAR
colaboração para a Folha Online, no Rio

O diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, negou hoje a existência de um abuso no uso de escutas feitas com autorização judicial pela corporação. Segundo ele, as escutas atingem só 3,5% de um universo de cerca de 160 mil inquéritos.

O problema, de acordo com Corrêa, é que parte das escutas atinge criminosos que se sentem acima da lei. "Num universo de 160 mil inquéritos, 3,5% têm escutas. O problema é que esses 3,5% tratam de criminosos que se entendem acima da lei e historicamente foram tratados como pessoas acima de qualquer suspeita. À medida em que a polícia passa a operar neste universo, [o uso de grampos] é considerado abusivo", disse ele.

Segundo ele, a PF usa o grampo "de forma disciplinada, dentro da legalidade" e "deixa marca de que foi feito pela Polícia Federal".

Para defender o controle das escutas, ele lembrou que a PF é controlada pelo Ministério Público, pela Justiça, além de ter mecanismos de controle interno. "Temos uma consciência muito tranqüila de que tudo que se faz é auditável."

O diretor-geral disse que encaminhou ontem ao Congresso e ao ministro Tarso Genro uma proposta de criminalização do porte de "qualquer parafernália" que possa ser utilizada para escutas clandestinas, a exemplo do que é feito com armas e produtos químicos para o refino de drogas.

Corrêa disse que o episódio do grampo contra o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, gerou "uma discussão que mistura espionagem e investigação legal para produção de provas".

"Quando há um incidente criminoso, voltam-se os canhões para atividade lícita do Estado. A sociedade não pode ser enganada e colocar todas as atividades do mesmo lado. Temos que separar o que é espionagem criminosa e o que é feito dentro da lei. Não coloquem a Polícia Federal no campo da espionagem e da ilegalidade que nós não operamos lá", disse.

Côrrea evitou comentar o inquérito aberto para investigar a interceptação da conversa entre Mendes e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). Ele não confirmou a declaração do ministro da Justiça, Tarso Genro, que citou três linhas de investigação.

"O ministro está na faixa política do Ministério da Justiça. Eu estou no campo técnico. Não vou abrir mão dos nossos princípios. Há um delegado encarregado, que tem a linha de investigação dele. O diretor-geral não comenta. Isso não desautoriza o ministro. Mas com a minha responsabilidade técnica, não vou adiantar [detalhes do caso]", disse.

Comentários dos leitores
Mael Nogueira (49) 07/08/2009 12h00
Mael Nogueira (49) 07/08/2009 12h00
Sobre a matéria:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u606408.shtml
Está na hora da OEA intervir no SENADO e enviar observadores internacionais, caso contrário, o SENADO brasileiro entrará numa crise sem precedentes e isso poderá desestabilizar a democracia no país e a OEA deve obrigar a colocar os Senadores para trabalhar e votar os projetos encalhados e acabar de vez com a ganância pelo poder e cuidar dos seus proprios interesses e de seus partidos políticos.
O SENADO está sendo uma vergonha para o Brasil, parem com esta guerra e coloque a pauta de votação em dia!!!
sem opinião
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Monica Rego (221) 01/07/2009 20h00
Monica Rego (221) 01/07/2009 20h00
Demo tucano e a mídia conservadora tudo a ver!!! 2 opiniões
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Rui Vendramin (1) 01/07/2009 14h25
Rui Vendramin (1) 01/07/2009 14h25
E agora? Será que aquela "revista" semanal, o Senador e o Ministro que afirmaram à Nação que houve diálogo, destes últimos, grampeado, serão chamados a explicar - e comprovar - o que de fato ocorreu? ou aquela "notícia" foi divulgada supostamente apenas para desmoralizar a investigação da PF sobre o Banqueiro condenado? 3 opiniões
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