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Brasil
08/09/2008 - 09h14

Mensaleiros são candidatos em outubro

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CLAUDIO DANTAS SEQUEIRA
da Folha de S.Paulo

Três réus do caso mensalão, em julgamento no Supremo Tribunal Federal, são candidatos neste ano, e pelo menos sete apadrinham outros políticos.

Folha lança serviço on-line sobre candidatos

O ex-deputado José Borba, acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, é candidato a prefeito de Jandaia do Sul (PR). Borba, que renunciou ao mandato para não ser cassado, migrou do PMDB para o PP. Sua candidatura foi impugnada em primeira instância, mas foi deferida após recurso.

À Justiça Eleitoral Borba declarou patrimônio de R$ 300 mil, que inclui uma caminhonete Hilux (R$ 153 mil) e aplicações em nome da esposa.

Outro que teve a candidatura contestada mas aprovada em segunda instância foi o ex-ministro Anderson Adauto (PMDB), que tenta se reeleger prefeito de Uberaba (MG).

Adauto, que confessou uso de caixa dois em disputas eleitorais, foi questionado pelo Ministério Público por seu envolvimento com o mensalão. Ele responde a crimes de lavagem de dinheiro, corrupção ativa e improbidade administrativa. Seu nome foi incluído na "lista suja" da AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros).

Adauto declarou patrimônio superior a R$ 987 mil, sendo R$ 519 mil referentes a uma mansão que tem em área nobre de Vila Santa Maria, em Uberaba. O prefeito também é sócio de uma empresa de consultoria na área de biocombustíveis.

Apoio de Lula

Outro mensaleiro em campanha neste ano é Professor Luizinho (PT), que perdeu a reeleição para a Câmara federal em 2006 e tenta agora uma vaga de vereador em Santo André --mesmo cargo em que iniciou sua carreira política há 20 anos.

O petista nega até hoje relação com o saque de R$ 20 mil feito por um assessor.

Luizinho foi elogiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na inauguração do campus da Universidade Federal do ABC, em Santo André, há uma semana. À Justiça Eleitoral o candidato petista declarou patrimônio de R$ 457 mil, em sua maior parte formado por imóveis e aplicações financeiras.

Pais e padrinhos

Com os mandatos cassados, os ex-deputados José Dirceu (PT-SP), Roberto Jefferson (PTB-RJ) e Pedro Corrêa (PP-PE) estão impedidos de concorrer a cargo eletivo até 2014.

Os filhos, no entanto, consolidam suas carreiras políticas. Aline Corrêa, filha de Pedro, é vice na chapa de Paulo Maluf (PP), e Roberto Jefferson tenta reeleger a filha vereadora Cristiane Brasil (PTB), no Rio.

Zeca Dirceu tenta novo mandato na Prefeitura de Cruzeiro d'Oeste (PR), onde venceu em 2004 com 72% dos votos válidos e apoio ostensivo do pai.

Dessa vez, o ex-ministro prometeu não interferir. "Não fui lá e só falo com meu filho uma vez por semana", disse à Folha. O prefeito declarou patrimônio de R$ 157 mil, inclusive uma Brasília velha, ano 78.

Zeca, José Dirceu e Waldomiro Diniz (ex-assessor da Casa Civil) foram acusados pelo Ministério Público, em 2005, de improbidade administrativa. Dirceu teria beneficiado seu filho com a liberação de recursos para Cruzeiro d'Oeste. O processo está em tramitação.

Brasil a fora, mensaleiros têm saído em campanha para apoiar candidatos do PT ou da base aliada do governo. O deputado João Paulo Cunha (PT) foi uma das principais lideranças na convenção de lançamento da campanha para reeleição de Emídio em Osasco (SP).

Na semana passada, o deputado José Genoino (PT) esteve em comício de Marta Suplicy. Paulo Rocha (PT-PA) apóia a eleição de Mario Cardoso em Belém. Delúbio Soares, ex-tesoureiro, já participou de ato da campanha de Iris Rezende (PMDB) em Goiânia.

Outro lado

Procurados pela Folha durante duas semanas, os candidatos envolvidos no caso do mensalão não se manifestaram. O assessor de José Borba (PP-PR), identificado como Miller Borba, não respondeu aos recados deixados em seu celular. Na última tentativa de contato, na tarde de sexta-feira passada, o assessor desligou depois que repórter se identificou.

Marcio Gennari, assessor de imprensa da campanha de prefeito Anderson Adauto (PMDB-MG), promoteu responder à reportagem até a noite de sexta-feira, mas não o fez.

No comitê de campanha de Luizinho (PT-SP), a funcionária Tatiana, responsável pela agenda do candidato disse que o ex-deputado não teria tempo para a entrevista. Indicado pelo diretório municipal do PT como assessor de Luizinho na campanha, Luiz Turco disse que estava "apenas dando um apoio". Secretário do Diretório Estadual do PT, ele afirmou que tentaria contato com Luizinho. A reportagem também enviou um e-mail com questões, no dia 2, mas não houve resposta.

O assessor de imprensa de Zeca Dirceu (PT-PR), Joel Guedes, também não respondeu às questões enviadas por e-mail. "É nossa decisão não abordar essas questões que, no entendimento comum do prefeito Zeca e da coordenação de campanha, não têm relação alguma com os reais interesses da população de Cruzeiro do Oeste."

A assessoria de imprensa de Aline Correa informou que "a candidata não tem qualquer relação com o caso do mensalão". "A deputada mantém uma relação terna com seu pai, como é comum entre pais e filhos. Ressalta, porém, total independência em sua atuação política como deputada federal", diz a assessoria.

A candidata Cristiane Brasil (PTB-RJ) não quis se manifestar, segundo a assessoria de imprensa.

Comentários dos leitores
Igor Bevilaqua (731) 25/11/2009 11h39
Igor Bevilaqua (731) 25/11/2009 11h39
Afinal de contas o Amazonino Mendes é no estado do Amazonas o mesmo homem poderoso que o Sarney é no Maranhão e no Acre..., tem razão do "TSE" dar carta branca para que continuem "comprando votos" e recebendo "presentinhos e doações" de empresas interessadas nos cofres do estado..., o estado do Amazonas não foge hora nenhuma às regras brasileiras de corrupção. sem opinião
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Luís da Velosa (1426) 29/10/2009 21h00
Luís da Velosa (1426) 29/10/2009 21h00
Vamos aguardar o julgamento do caso Battisti pelo Supremo Tribunal Federal - STF. Isso é o correto. Não somos juízes e, se nos arvorarmos a sermos, será uma impropriedade, uma temeridade. sem opinião
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Washington Marques (108) 29/10/2009 13h53
Washington Marques (108) 29/10/2009 13h53
NÃO SE PODIA ESPERAR OUTRA COISA DO SENADO FEDERAL SE NÃO A DESOBEDIENCIA JUDICIAL. O QUE SE ESPERAR DE UMA INSTITUIÇÃO QUE FAZ APOLOGIA A DESOBEDIENCIA JUDICIAL E A DESORDEM TOTAL. O QUE SE ESPERAR DE UMA INSTITUIÇÃO QUE TEM A FINALIDADE DE LEGISLAR E FISCALIZAR, PRATICA NEPOTISMO EXPLICITO, DESCARADO A PONTO DE DESOBEDECER UMA ORDEM JUDICIAL (DA SUPREMA CORTE DESTE PAÍS).
SRES. SENADORES A PERGUNTA É: O QUE VOCES ESTÃO FAZENDO COM A CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA ? E ONDE VOCES QUEREM CHEGAR COM TANTOS ABSURDOS ??
2 opiniões
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