Publicidade
Publicidade
Lula anuncia combate à fome e à corrupção como prioridade
da Folha OnlineCombate à fome, corrupção e impunidade foram as "palavras de ordem" nos discursos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tomou posse hoje e se tornou o 39º chefe de Estado brasileiro. Lula fez dois discursos: um, após ser empossado no Congresso. Outro, no parlatório em frente ao Palácio do Planalto, para um público estimado em 150 mil pessoas.
Lula, 57, recebeu a faixa presidencial das mãos do presidente Fernando Henrique Cardoso, 61, no parlatório. Era a primeira vez em 40 anos que um presidente eleito democraticamente passou a faixa a um sucessor também eleito pelo voto direto.
No Congresso, Lula discursou por 42 minutos. Ele reafirmou compromissos com as questões sociais, mas criticou o modelo econômico adotado pelo governo tucano.
Lula iniciou o discurso com a palavra "mudança". Segundo o petista, a palavra-chave de sua gestão. Para ele, a sua eleição e a de seu vice, José de Alencar (PL), expressam a vontade de mudança da sociedade brasileira.
"Essa foi a grande mensagem da sociedade brasileira. A esperança finalmente venceu o medo e a sociedade decidiu que estava na hora de trilhar novos caminhos."
Após criticar o modelo adotado por FHC, ele comprometeu-se a aprovar as reformas Previdenciária, Tributária, Trabalhista, Política e Agrária.
"Diante do esgotamento de um modelo que produziu estagnação, desemprego e fome e fracasso da cultura do individualismo e indiferença perante o próximo e desesperança da família, precariedade da segurança nacional e desrespeito aos mais velhos e desalentos aos mais novos, a sociedade brasileira escolheu mudar e começou ela mesma a promover a mudança necessária", disse.
O presidente disse que mudanças que pretende fazer no país serão "continuadas", sem "atropelos" ou "atos voluntaristas".
Paciência
Lula pediu paciência e perseverança à população e afirmou que será preciso "manter sob controles as ansiedades sociais", para que elas sejam atingidas no prazo justo. Ele convocou um mutirão cívico contra a fome.
"O Brasil proclamou a independência e a abolição da escravatura, mas não acabou com a fome (...) industrializou-se e adquiriu um moderno parque industrial, mas não venceu a fome. Isso não pode continuar assim. Enquanto houver um irmão brasileira ou uma irmã brasileira passado fome teremos motivo de sobra para nos cobrir de vergonha."
Corrupção
O presidente frisou no discurso que o combate à corrupção, à impunidade e à cultura da impunidade serão prioridades em seu governo.
"Vamos combater a corrupção e enfrentar com determinação a cultura da impunidade que prevalece em certos setores. Não permitiremos que a corrupção, a sonegação e o desperdício continuem privando a população de recursos que são seus e que poderiam ajudar na sua dura luta pela sobrevivência", disse ele, que foi aplaudido pelos presentes à sessão.
Inflação
Lula ressaltou compromissos no combate à inflação. Segundo ele, isso não vai impedir o país de crescer, mas o crescimento deverá observar a responsabilidade fiscal e a defesa da moeda nacional.
"Vamos criar as condições macroeconômicas para que haja crescimento sustentável responsável, além de fazer um combate implacável à inflação", afirmou o presidente.
Política externa
Luiz Inácio Lula da Silva disse que pretende reafirmar em seu governo a soberania brasileira e mostrar ao mundo "a que o Brasil foi criado". "Essa nação que se criou sobre o céu tropical tem que dizer a que veio afirmando a sua presença soberana e criativa no mundo", disse.
Numa menção indireta aos Estados Unidos _representado por uma espécie de desafeto de Lula, Robert Zoellick_ o presidente disse acreditar que não deve haver hegemonia de nenhum país no cenário internacional.
"A democratização das relações internacionais, sem hegemonia de qualquer espécie, é importante para o desenvolvimento da humanidade", afirmou. Destacou que o principal compromisso do Brasil será com os países da América do Sul.
Ao comentar a crise no Oriente Médio, Lula foi aplaudido longamente pelos convidados. Lula disse que decisões do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) devem ser seguidas por todos os países e que a crise precisa ser resolvida de forma pacífica.
As afirmações levaram os convidados a gritar palavras de apoio a Lula e garantiram mais aplausos do que as declarações do presidente sobre temas como a fome no Brasil.
Em relação à Alca (Área de Livre Comércio das Américas), Lula afirmou que lutará por regras mais justas e que beneficiem o país. "O Brasil combaterá o protecionismo e lutará pela eliminação de barreiras e tratará de obter regras mais justas e adequadas a um país em desenvolvimento", afirmou.
O presidente Lula afirmou ainda que todos os acordos de sua política externa terão como objetivo o bem-estar do povo brasileiro. "O ser humano é resultado último das negociações, não adianta firmar acordos que não se transformem em benefícios para o nosso povo."
Restabelecer as negociações do Mercosul e lutar pela aproximação e desenvolvimento dos países do Continente será prioridade do novo governo. "A grande prioridade de política externa será a construção de uma América do Sul estável politicamente e desenvolvida. Para isso, devemos revitalizar o Mercosul, enfraquecido pelos seus próprios membros", disse.
Violência
A violência também foi tema do discurso de Lula que associou o problema à diminuição das diferenças entre as classes sociais. "Inicio este mandato com a firme decisão de colocar o governo federal unido com os governos estaduais em uma política determinada pela nossa segurança pública."
O presidente afirmou que pretende reprimir violência e reduzir a criminalidade nas cidades. "Se conseguirmos andar em paz nas ruas e casas, daremos extraordinário impulso de construir convívio respeitoso com as diferenças."
História e Deus
Ao terminar o discurso, Luiz Inácio Lula da Silva citou sua história como exemplo para o país. "Cada um de nós brasileiros sabe que o que fizemos não foi pouco mas que podemos fazer muito mais. Como eu, por exemplo, que saí de menino pobre que vendia amendoim, que se tornou torneiro mecânico, líder sindical e fundou o Partido dos Trabalhadores, e assume agora o posto de supremo mandatário da nação. Vejo que nós podemos muito mais."
Lula pediu para que o povo brasileiro acredite mais em si e que tenha disposição para fazer mudanças. "Estamos começando uma nova história, como nação altiva, nobre, afirmando-se corajosamente ao mundo como nação de todos, de raça, de etnia, de crença. Este é o país do novo milênio por sua riqueza cultural, amor a natureza, competência intelectual, pelo calor humano, mas sobretudo, pelos dons e poderes de seu povo."
O presidente encerrou seu discurso dizendo que "estamos vivendo hoje o dia do reencontro do Brasil consigo mesmo", e agradeceu a Deus por chegar onde chegou hoje, assumindo a presidência do Brasil.
Além disso, adaptando uma antiga frase cristã, o presidente pediu a Deus "sabedoria para governar, discernimento para mudar, serenidade para administrar, coragem para decidir e um coração do tamanho do Brasil para se unir a cada cidadão no dia-a-dia dos próximos quatro anos."
Veja também o especial Governo Lula
Publicidade
As Últimas que Você não Leu
Publicidade
+ LidasÍndice
- Dilma Rousseff aparece com o neto em rampa do Palácio do Planalto
- Thomaz Bastos diz que deixa julgamento moral à 'vingança de Deus'
- Governo veta 12 pontos e faz 32 modificações no Código Florestal
- DEM afirma que irá ao Supremo contra MP do Código Florestal
- Ex-diretor da Delta poderá ficar calado em CPI, decide STF
+ Comentadas
- Thomaz Bastos diz que deixa julgamento moral à 'vingança de Deus'
- Collor diz que respostas à CPI comprovam crimes de procurador-geral
+ EnviadasÍndice
Sobre a Folha | Expediente | Fale Conosco | Mapa do Site | Ombudsman | Erramos | Atendimento ao Assinante
ClubeFolha | PubliFolha | Banco de Dados | Datafolha | FolhaPress | Treinamento | Folha Memória | Trabalhe na Folha | Publicidade
Copyright Folha.com. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicaçao, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha.com.






Tablet
Notebook
Tênis
Auto DVD Player
TV