Publicidade

Publicidade
Brasil
10/09/2008 - 12h03

Deputados federais negam acusações feitas por vereador acusado de chefiar milícia

Publicidade

ANDRÉ ZAHAR
colaboração para a Folha Online, no Rio

Atualizada às 17h48

Os deputados federais Marcelo Itagiba (PMDB-RJ) e Marina Maggessi (PPS-RJ) negam as acusações feitas ontem pelo vereador Josinaldo Franscisco da Cruz, conhecido como Nadinho de Rio das Pedras (DEM), em depoimento à CPI das Milícias na Alerj (Assembléia Legislativa do Rio).

Investigado por suposta ligação com milícias, Nadinho disse que o ex-secretário de Segurança Pública e a ex-delegada da Polícia Civil fizeram campanha eleitoral na favela Rio das Pedras, em Jacarepaguá, com apoio do grupo paramilitar que controla a região. O parlamentar do DEM também acusou o governo Anthony Garotinho (PMDB-RJ) de não combater estes bandos armados.

Por conta das acusações, o presidente da CPI, deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) decidiu colocar em votação na próxima terça-feira um pedido de convocação dos dois deputados federais.

Em nota emitida na noite desta terça, Itagiba, que atualmente preside a CPI dos Grampos, diz que a Draco (Delegacia de Repressão ao Crime Organizado) instaurou durante a sua gestão, em 2005, um dos primeiros inquéritos destinados desarticular integrantes de milícias. Itagiba também cita os lemas de sua campanha, em 2006: "Comunidade não tem dono" e "Policial não pode ser bandido".

"As investigações abertas, por sua determinação, quando secretário, para apurar o duplo envolvimento de policiais com as milícias e as máfias dos caça-níqueis resultaram na obtenção dos indícios que, repassados à Polícia Federal, para que aquela instituição os aprofundasse com isenção, haja vista os indicativos que apontavam para a cúpula da chefia de Polícia Civil do Rio, culminaram, após quatro anos de intensa investigação, na denúncia e no encarceramento de vários policiais civis e militares do Estado", acrescenta a nota.

Marina Maggessi disse à Folha Online que não fez campanha em Rio das Pedras, onde obteve votação reduzida (697 votos), e afirmou que deseja ser "a primeira a ser convocada" pela CPI. "Abro até mão de foro privilegiado", disse.

Ex-delegada titular da DRE (Delegacia de Repressão a Entorpecentes), Marina confirmou que esteve na favela uma vez, no aniversário do inspetor Félix Tostes, assassinado em 2007.

Nadinho é acusado da participação na execução do policial, que seria integrante de milícia. Marina alegou que conhecia Tostes como conhece "todos os policiais" e sustenta que "ele ficou investigado depois de morto".

A deputada negou conivência com os milicianos no governo mas admitiu que o problema "passou a incomodar muito mais" depois que os paramilitares passaram a cometer abusos contra a população das comunidades e da tortura contra repórteres do jornal "O Dia" na favela do Batam.

Em seu depoimento, Nadinho disse que trabalhou em 1996 para o atual candidato a prefeito Eduardo Paes (PMDB). Procurado pela reportagem, Paes disse: "Como subprefeito conheci o líder comunitário Nadinho que, àquela época não tinha qualquer envolvimento, pelo menos conhecido, com qualquer tipo de ilegalidade. Hoje ele está no DEM, é vereador e não apóia minha candidatura".

Nadinho também lembrou que, em 2006, fez campanha em Rio das Pedras para eleger o deputado federal Rodrigo Maia, filho do prefeito Cesar Maia e atual presidente do DEM. Por meio de sua assessoria de imprensa, o deputado disse que naquele ano Nadinho não chefiava a milícia de Rio das Pedras, favela na zona oeste carioca.

"O chefe da milícia era o inspetor Félix [Tostes, assassinado em fevereiro de 2007]. Nadinho era líder comunitário em Rio das Pedras, vereador e se ofereceu para fazer campanha para mim na comunidade. Depois da eleição, ele se bandeou para a criminalidade", afirmou Rodrigo Maia.

Comentários dos leitores
Igor Bevilaqua (731) 25/11/2009 11h39
Igor Bevilaqua (731) 25/11/2009 11h39
Afinal de contas o Amazonino Mendes é no estado do Amazonas o mesmo homem poderoso que o Sarney é no Maranhão e no Acre..., tem razão do "TSE" dar carta branca para que continuem "comprando votos" e recebendo "presentinhos e doações" de empresas interessadas nos cofres do estado..., o estado do Amazonas não foge hora nenhuma às regras brasileiras de corrupção. sem opinião
avalie fechar
Luís da Velosa (1426) 29/10/2009 21h00
Luís da Velosa (1426) 29/10/2009 21h00
Vamos aguardar o julgamento do caso Battisti pelo Supremo Tribunal Federal - STF. Isso é o correto. Não somos juízes e, se nos arvorarmos a sermos, será uma impropriedade, uma temeridade. sem opinião
avalie fechar
Washington Marques (108) 29/10/2009 13h53
Washington Marques (108) 29/10/2009 13h53
NÃO SE PODIA ESPERAR OUTRA COISA DO SENADO FEDERAL SE NÃO A DESOBEDIENCIA JUDICIAL. O QUE SE ESPERAR DE UMA INSTITUIÇÃO QUE FAZ APOLOGIA A DESOBEDIENCIA JUDICIAL E A DESORDEM TOTAL. O QUE SE ESPERAR DE UMA INSTITUIÇÃO QUE TEM A FINALIDADE DE LEGISLAR E FISCALIZAR, PRATICA NEPOTISMO EXPLICITO, DESCARADO A PONTO DE DESOBEDECER UMA ORDEM JUDICIAL (DA SUPREMA CORTE DESTE PAÍS).
SRES. SENADORES A PERGUNTA É: O QUE VOCES ESTÃO FAZENDO COM A CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA ? E ONDE VOCES QUEREM CHEGAR COM TANTOS ABSURDOS ??
2 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (8158)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca