Maluf diz que já sabia da camada pré-sal e que "malufismo é estado de espírito"
WANDERLEY PREITE SOBRINHO
colaboração para a Folha Online
O deputado federal e candidato a prefeito de São Paulo, Paulo Maluf (PP), afirmou nesta quarta-feira que a descoberta de petróleo na camada pré-sal não é uma novidade para ele, que sempre desconfiou de sua existência na bacia de Santos. A declaração é uma referência à Paulipetro, empresa criada por ele quando governador de São Paulo com o objetivo de explorar petróleo e gás no Estado. A empresa não prosperou, causando prejuízos aos cofres públicos.
Durante sabatina na Fecomercio (Federação do Comércio do Estado de São Paulo), ele também disse que seus atos serão julgados por Deus, brincou com as eleições presidenciais nos Estados Unidos, ironizou o senador José Sarney (PMDB-AP) e afirmou que "malufismo é estado de espírito".
| Lula Marques/Folha |
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| Maluf diz que pré-sal não é novidade para ele |
Maluf disse que foi injustamente criticado quando defendeu a exploração de petróleo em São Paulo, e que sua "experiência como engenheiro" lhe dava a certeza da existência de petróleo na bacia de Santos. "Se Deus deu petróleo para a Argentina, Venezuela, Peru, e do outro lado para Nigéria, por que ele não daria para o Brasil?", questionou. A camada pré-sal se estende entre os Estados do Espírito Santo e Santa Catarina, e engloba três bacias sedimentares (Espírito Santo, Campos e Santos).
Em fevereiro deste ano, a Justiça Federal do Rio de Janeiro recebeu uma ação de execução da sentença do STF (Supremo Tribunal Federal), que em agosto do ano passado obrigou Maluf a ressarcir os cofres públicos por prejuízos causados pela Paulipetro.
De acordo com a sentença --recorrida pelos advogados do ex-prefeito-- Maluf, dois ex-secretários, a Petrobras, a Cesp (Companhia Energética de São Paulo) e o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) terão de ressarcir os cofres públicos o valor total de R$ 4,5 bilhões.
Justiça Divina
Bem humorado, Maluf começou sua apresentação se dizendo cristão e que, por este motivo, acredita que ainda será julgado por Deus. "Como sou cristão, acredito que seremos julgados pelos atos que fizemos", disse. "Será possível que não haver justiça? No outro mundo há justiça."
Em seguida, ao apresentar sua vice Aline Corrêa (PP), ele falou sobre as eleições presidentes nos Estados Unidos. Ele disse, brincando, que o candidato republicano John McCain o copiou ao escolher uma vice mulher, a governadora do Alasca, Sarah Palin. "O McCain nos copiou. Vou ter de cobrar royalties dele."
Sarney
Maluf também tratou de suas derrotas em eleições. Ele afirmou que "toda derrota é pedagógica" e lembrou das três vezes em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva perdeu as eleições antes de se eleger. Ao lembrar de sua derrota presidencial no colégio eleitoral para Tancredo Neves, em 1985, ele ironizou o vice do então rival, José Sarney, atual senador pelo PMDB do Amapá, que acabou assumindo a Presidência com a morte de Tancredo.
O candidato disse que até hoje há quem diga que ele venceria aquelas eleições indiretas se tivesse escolhido Sarney como seu vice, o que ele afirma discordar. "Estava escrito que quem escolhesse o Sarney teria morrido", disse.
Malufismo
Maluf também desdenhou as pesquisas de intenções de voto. "Sou candidato a prefeito apesar de as pesquisas nem sempre nos sorrir. Mas as eleições só terminam no dia 5 de outubro", disse. "Se alguém pensa que as eleições acabaram, está muito enganado."
Questionado sobre o fim do malufismo, o candidato negou. Disse que ao votar em qualquer candidato perfeccionista, que "acorda cedo e dorme tarde", esse eleitor é malufista. "Malufismo é estado de espírito", disse.
| Reprodução |
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| Site de Paulo Maluf mostra o projeto "freeway" para as marginais |
Propostas
Maluf também fez propostas para São Paulo, especialmente para acabar com o trânsito de São Paulo. Além da "freeway" --como o projeto de oito pistas sobre o rio Tietê foi batizado--, o candidato prometeu uma série de obras viárias para o desafogar o trânsito. Ele falou sobre a importância do transporte público, mas defendeu o transporte individual.
Disse que seu motorista, copeira e cozinheira têm carro porque o consumo aumentou, e sugeriu que as pessoas se mudassem para perto do trabalho para não precisar pegar condução. "Se cada um resolvesse seu problema mudando para perto do trabalho, ninguém precisaria pegar condução", afirmou.
Nome de rua
Questionado sobre sua decisão de deixar as empresas da família para se dedicar à vida pública, Maluf afirmou, brincando, que não se arrependia porque talvez algum prefeito batize alguma rua com seu nome depois de sua morte. "Aí vai ter valido a pena".
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SRES. SENADORES A PERGUNTA É: O QUE VOCES ESTÃO FAZENDO COM A CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA ? E ONDE VOCES QUEREM CHEGAR COM TANTOS ABSURDOS ??
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