Vannuchi diz que atuação de militares no Rio não é desejável, mas necessária
da Agência Brasil
O ministro Paulo Vannuchi (Direitos Humanos), avaliou nesta sexta-feira que a presença de homens das Forças Armadas em favelas no Rio não é desejável, mas é necessária. Ontem (11), os militares começaram a ocupar comunidades cariocas, mapeadas pela Justiça Eleitoral, para reforçar a segurança durante parte do período eleitoral.
"A presença das tropas não é o desejável, [não é] o que deve acontecer numa democracia. Mas isso ocorre porque o crime organizado determinou que uma parcela da população do Rio ou de outro lugar onde estiver ocorrendo isso não terá o direito político de escolher livremente seu candidato. Nesse sentido, era necessário ter a legítima intervenção do Estado", afirmou o ministro.
"É preciso respeitar as autoridades que, se tomaram essa decisão, tomaram porque reconheceram que no momento atual ou se faz isso ou um segmento da população muito importante terá seqüestrado o seu direito de votar livremente", defendeu.
De acordo com Vannuchi --que participou hoje da abertura da 2ª Conferência Estadual dos Direitos Humanos, no Rio--, essa segurança poderia ser realizada pela polícia estadual. Ele acredita, no entanto, que se houve uma solicitação do governo estadual e do TRE-RJ (Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro), é porque há o reconhecimento de que a polícia não teria, nessas regiões, o mesmo respeito que a população tem pelas tropas do Exército e da Marinha.
Hoje, o Exército entrou em mais duas favelas do complexo da Maré --Vila Pinheiros e Nova Holanda--, que até ontem estavam ocupadas por fuzileiros navais da Marinha. Os militares da Marinha tiveram que deixar o local para participarem de um exercício naval.
O primeiro dia de ocupação das Forças Armadas em cinco regiões do Rio terminou a presença de nenhum candidato. Nesta sexta-feira, a candidata a prefeita Solange Amaral (DEM) foi a primeira a fazer corpo-a-corpo na Cidade de Deus, uma das regiões ocupadas.
A Operação Guanabara, que envolve Exército e Marinha, visa coibir a ação de traficantes e milicianos que estariam impondo seus candidatos em áreas pobres. Vinte e sete regiões estão incluídas no plano de ação.
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