Vereadores de SP não seguem regra antinepotismo
CLAUDIO DANTAS SEQUEIRA
da Folha de S.Paulo
Cinco vereadores, entre eles Wadih Mutran (PP) e Adilson Amadeu (PTB), respectivamente o corregedor e o vice-presidente da Câmara Municipal, mantinham parentes contratados nos gabinetes ou nas lideranças de seus partidos até a sexta-feira passada. Em consulta feita pela Folha, apenas Amadeu admitiu a contratação dos filhos, os demais negaram praticar nepotismo.
Após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de proibir o nepotismo nos três poderes, pelo menos dez vereadores da capital exoneraram mais de 20 parentes, segundo apurou a reportagem.
Líder do PMDB na Câmara, o vereador Jooji Hato exonerou a filha Andressa e o sobrinho Edson, que agora trabalha na campanha pela reeleição. Manteve Nicolau Vatutin Júnior, sobrinho da esposa, na liderança do PMDB, até ser questionado pela reportagem.
A exoneração de Vatutin foi publicada no "Diário Oficial" de sábado. "O vereador foi mal instruído e não sabia que Nicolau também tinha que ser exonerado", disse a assessora Magda Sandrini.
Adilson Amadeu (PTB) prometeu exonerar os filhos Rodrigo e Bruno. "A exoneração de Rodrigo [só saiu no sábado] atrasou por causa de documentação. E a do Bruno está sob responsabilidade da liderança do partido", disse Anderson Cheni, assessor de imprensa de Hato.
A vereadora Marta Costa (DEM) exonerou a irmã Rute e a cunhada Léa. Mas o marido Luiz Costa Júnior ainda consta da relação de funcionários. A assessoria de Marta não se manifestou.
O vereador Toninho Paiva (PR) exonerou a filha Cristiane Monteiro, mas o sobrinho Humberto de Paiva segue na lista de assessores. Paiva não retornou os recados deixados no celular.
Mutran exonerou a filha e a neta, mas manteve o sogro Francisco Di Santo, além de Uilson Carlos e Daniel Biancalana, da família do genro.
A restrição ao nepotismo abrange as linhas colateral (tios, irmãos, sobrinhos), de afinidade (sogros e cunhados) ou reta (pais, avós, filhos) até terceiro grau.
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