Alckmin chama kassabistas de oportunistas e diz que eles estão afundando o PSDB
DIANA PIMENTEL
WANDERLEY PREITE SOBRINHO
colaboração para a Folha Online
O ex-governador de São Paulo e candidato a prefeito da capital, Geraldo Alckmin (PSDB), se irritou nesta terça-feira com o apoio explícito de correligionários à reeleição do prefeito Gilberto Kassab (DEM). Ele chamou o democrata de oportunista ao dizer que seu passado não é ligado ao PSDB, mas aos ex-prefeitos Paulo Maluf (PP) e Celso Pitta (PTB).
Alckmin ficou visivelmente irritado durante entrevista coletiva concedida depois de entregar panfletos na Barra Funda, zona oeste da cidade. Ele foi questionado sobre o apoio explícito de tucanos a Kassab nesta terça-feira durante a apresentação do programa de governo do democrata.
No evento, Kassab definiu o governador do Estado, José Serra (PSDB), como seu "inspirador". Antes de o prefeito falar, os secretários municipais discursaram. "Eu tenho muito orgulho de participar do seu governo porque você não mudou uma vírgula do que pregava José Serra", disse ao prefeito o ex-tucano Manuelito Magalhães, secretário do Planejamento.
Poder
"Essas pessoas não têm o menor compromisso com o PSDB. Eles têm compromisso com o poder", afirmou Alckmin sobre os correligionários. Ele emendou disparando contra o prefeito-candidato ao dizer que sua origem politica não está atrelada a Serra, mas a Maluf. "Kassab também não tem nada a ver com o PSDB. Em 1996, quando Serra era candidato a prefeito, Kassab apoiou o Pitta, em 1998, quando Covas foi candidato a governador, Kassab apoiou o Maluf."
Alckmin foi ainda mais duro ao dizer que Kassab e seus correligionários são oportunistas. "É oportunismo por todos os lados", afirmou.
Questionado sobre o constrangimento de não receber o apoio de tucanos que ajudaram a fundar o PSDB, o ex-governador disse que não haveria constrangimento porque esses correligionários não fundaram, mas estão ajudando a "afundar" o partido. "Essas pessoas não ajudaram a fundar o partido, eles ajudaram a afundar", concluiu.
Outro lado
O secretário Walter Feldman (PSDB), que estava no evento e também declarou apoio ao prefeito, afirmou que a declaração de Alckmin é compreensível. "A manifestação do Geraldo é compreensível no momento do calor político", disse. "Tudo será resolvido quando, no segundo turno, for resgatada a aliança, que é o que vamos buscar."
Segundo Feldman, ele e os outros tucanos só seriam oportunistas se tivessem deixado Kassab e aderido ao Alckmin quando o tucano estava em segundo lugar nas pesquisas --os dois estão agora tecnicamente empatados, segundo o Datafolha. "Seria oportunismo, se, embalado nas pesquisas anteriores, a gente pulasse de barco."
Ele afirmou que seria estranho se os tucanos que participam da administração municipal não apoiassem o prefeito. "Quem viveu esses quatro anos na cidade de São Paulo não pode deixar de reconhecer que este governo deu certo. Então, seria uma traição à verdade, abandonar nesse momento aquilo que vivemos. Isso seria uma traição ao governo e maior ainda à cidade e a seu povo", disse.
Ele conclui dizendo que "100% dos tucanos que estão no governo apóiam a atual administração". "O diferente é que seria estranho. O Geraldo não pode cobrar isso da gente."
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