PF diz que prisão de nº 2 da instituição mostra determinação de cumprir toda decisão judicial
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O diretor de combate ao crime organizado da PF (Polícia Federal), Roberto Troncon, disse nesta terça-feira que a prisão do diretor-executivo da instituição, Romero Menezes, não afeta a imagem da organização. Troncon, que vai assumir temporariamente o cargo de Menezes, negou que a queda do "número dois" da Polícia Federal tenha qualquer relação com a suposta disputa de poder existente entre a instituição e a Abin (Agência Brasileira de Inteligência).
"Eu não vejo que [a imagem da PF] saiu [arranhada]. Companheiros de trabalho do dia-a-dia do companheiro Romero, nós podemos ficar abalados com essa situação, mas a PF tem dado provas mais do que qualquer outra instituição do país que não importa quão chato é para o servidor, mas o trabalho sempre é feito de acordo com a regra do jogo", afirmou.
Segundo Troncon, não existe "cisão ou disputa pelo poder" na atual administração da PF. Nos bastidores circulam rumores sobre uma disputa entre o grupo ligado ao diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, e o atual diretor da Abin, Paulo Lacerda --que deixou o comando da Polícia Federal no ano passado.
A briga interna teria resultado no afastamento de Menezes, depois que o ex-diretor foi preso por suspeita de ter beneficiado a empresa gerenciada pelo seu irmão José Gomes de Menezes Junior, no Amapá.
O diretor da PF minimizou a prisão de Menezes ao afirmar que a detenção temporária tem como único objetivo garantir a coleta de provas no caso. "Ao final da investigação, a autoridade policial vai analisar e apresentar se há, ou não, indícios suficientes para permitir o indiciamento. A partir daí, o Ministério Público recebe esse conjunto e faz segunda análise se há elementos suficientes para oferecimentos de denúncia. Aceita a denúncia pelo juiz, se inicia a ação penal", disse.
Segundo o diretor da PF, a prisão do segundo homem da instituição não é algo "corriqueiro" para a instituição, mas mostra a disposição da PF em cumprir ordens de prisão contra qualquer autoridade do país. "Não é fato da nossa rotina, mas a PF cumpre, cumpriu e cumprirá sempre toda e qualquer determinação judicial legalmente expedida."
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