PF diz que prisão de nº 2 da instituição não era necessária e nega vazamento de informações
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O diretor de combate ao crime organizado da PF (Polícia Federal), Roberto Troncon, disse nesta terça-feira que a prisão do diretor-executivo da instituição, Romero Menezes, não era necessária, embora a instituição tenha cumprido a recomendação do Ministério Público. Troncon vai assumir temporariamente o cargo de Menezes, preso hoje com mais duas pessoas durante operação da PF.
"No entender da PF, não seria necessária [a prisão]. Mas a Justiça e o Ministério Público entenderam [que era necessária]. Mas em razão da posição que o diretor ocupa, foi interpretado de que poderia haver alguma interferência ou prejuízo para a coleta de provas", afirmou.
A PF não quis dar detalhes sobre a prisão de Menezes, mas confirmou que o ex-diretor é acusado do crime de advocacia administrativa --pelo qual um servidor público usa da sua função para obter vantagens em proveito próprio ou de terceiros. A pena prevista é de detenção de um a três meses.
Na prática, Menezes teria utilizado da sua prerrogativa de diretor da PF para conquistar vantagens para a empresa gerenciada pelo irmão, que presta serviços no Amapá à EBX --empresa do empresário Eike Batista. O ex-diretor também pode responder ao crime de formação de quadrilha e exploração de vantagens, segundo a PF.
Troncon negou que a prisão de Menezes tenha sido motivada por suspeitas de vazamento de informações do delegado na Operação Toque de Midas, que investigou a empresa de Eike Batista. Informações preliminares do Ministério Público apontam que o delegado pode ter vazado dados, mesmo com a negativa da PF.
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