Tarso diz a Lula que prisão do delegado da PF causou constrangimento
KEYLA VIANA DIAS
colaboração para a Folha Online, em Brasília
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O ministro Tarso Genro (Justiça) relatou nesta terça-feira ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a prisão do diretor-executivo da Polícia Federal, Romero Menezes, por advocacia administrativa.
Segundo o ministro José Múcio Monteiro (Relações Institucionais), Tarso falou ao presidente sobre o incômodo dentro da corporação no momento da prisão. Tarso disse ainda que havia um clima de muita confiança, mas o constrangimento foi inevitável.
A conversa entre os ministros e o presidente ocorreu durante a tarde de hoje reunião de coordenação política no Palácio do Planalto.
Menezes ocupava o segundo cargo mais importante na hierarquia da PF atrás somente do diretor-geral, Luiz Fernando Corrêa.
Segundo a PF, foi o próprio Corrêa quem deu voz de prisão a Menezes, por volta das 10h, em Brasília. Na hora, Menezes estava acompanhado do diretor de inteligência policial da PF Daniel Lorenz. O lugar de Menezes será ocupado temporariamente por Roberto Troncon, diretor de combate ao crime organizado da PF.
A PF também prendeu o irmão de Menezes, José Gomes de Menezes Júnior, proprietário de uma empresa de vigilância, e mais um suspeito de praticar os crimes de advocacia administrativa, corrupção passiva privilegiada e tráfico de influência.
Em depoimento à PF, Menezes afirmou que seu irmão estaria usando seu nome para conseguir benefícios para sua empresa.
As prisões de hoje foram um desdobramento da Operação Toque de Midas, realizada em julho deste ano contra fraudes em processo licitatório de concessão da estrada de ferro do Amapá.
No desdobramento de hoje a PF cumpriu mais dois mandados de prisão temporária e sete de busca e apreensão nos Estados do Amapá, Pará e no Distrito Federal. Segundo a PF, as investigações identificaram indícios de crimes envolvendo um funcionário do grupo EBX --pertencente ao empresário Eike Batista-- e Menezes.
A reportagem entrou em contato com a assessoria do grupo EBX, que ainda não se pronunciou sobre o caso. A assessoria informou ainda que a empresa não foi notificada sobre as investigações.
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