Governo estuda retirada de 40 mil "bois piratas" de área de conservação em RO
PABLO SOLANO
da Agência Folha
JOÃO CARLOS MAGALHÃES
da Agência Folha, em Belém
O governo federal planeja a retirada de 40 mil bois "piratas" de uma unidade de conservação em Rondônia. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, 25% da área da unidade já foi transformada em pastagem.
Se a operação for realizada, precisará ser muito maior do que a primeira ação para apreender animais criados em locais reservados à preservação, feita em junho, quando 3.500 cabeças de gado foram apreendidas na Estação Ecológica Terra do Meio, no Pará.
Aqueles bovinos só foram negociados após alguns leilões fracassarem, por falta de participantes. À época, o governo federal foi acusado pelo setor pecuarista de cuidar mal dos bois, e rebateu dizendo que os criadores boicotaram a venda.
A idéia, segundo o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente), é que a área já esteja totalmente sem bois até outubro.
A Flona (Floresta Nacional) Bom Futuro também é alvo do setor madeireiro. Segundo dados do Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), 30 caminhões saem diariamente da unidade de conservação carregados de toras.
Criada em 1988, ela começou a ser ocupada há dez anos. De acordo com o deputado federal Eduardo Valverde (PT-RO), que foi recebido por Minc para discutir a operação, a situação foi criada por omissão do Estado, que conhecia a existência da comunidade, mas não fez nada para coibir seu crescimento.
Nela existe um pequeno núcleo urbano, com comércio, igrejas e escolas comunitárias. Segundo a legislação ambiental, uma Flona só pode ser usada para extrativismo controlado, visitação e pesquisa.
De acordo com o Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), a Bom Futuro, com 32% dos seus 249 mil hectares desmatados, é a unidade de conservação federal vice-líder em devastação dentre as UCs (unidades de conservação) federais.
O ministro disse que gradualmente a população que ocupa a reserva será retirada e encaminhada para outras áreas. Entretanto, o Ibama admite dificuldades para realizar o trabalho.
A operação foi definida após discussões com o governador de Rondônia, Ivo Cassol (sem partido), que, disse Minc, resistiu no início a apoiar o plano.
O governador, por meio da sua assessoria, afirmou que está apenas defendendo os direitos dos moradores do local.
Leia mais
- Brasil vai reduzir gradativamente índices de desmatamento da Amazônia, diz Lula
- Noruega vai investir R$ 1 bi em políticas de redução do desmatamento da Amazônia
- Lula dá sinal verde a Minc para criar a Polícia Ambiental Federal
- Biomas além da Amazônia terão vigilância, promete Minc
- Montadora já faz motor "mais limpo", mas só para exportar
Especial
- Leia mais sobre desmatamento
- Leia a cobertura completa sobre o segundo mandato do governo Lula
- Navegue no melhor roteiro de cultura e diversão da internet
Livraria


avalie fechar
O Meio Ambiente é um bem de todos, produtores ou não. E nada mais justo que haja participação da classe produtora nas decisões para preservação ambiental , pois essa matéria sempre aconteceu de forma unilateral e eu sou testemunho disso, pois estou na area ambiental a 30 anos e com segurança digo que se essas areas não interagirem jamais teremos preservação de verdade.
Não devemos esquecer que o desenvolvimento é uma necessidade imediata de qualquer ser humano, seja ele ambientalista ou produtor, pois ambos respiram, comem, trabalhão. ao contrario das consequencias ambientais causada pelo desenvolvimento insutentavel que leva tempos para ser percebido levando varias gerações as vezes para se manifestar. Portanto a educação ambiental e a aplicação de leis adquadas feitas com a participação de ambas as partes seriam o ideal para os bons resultados na luta pela preservação ambiental.
avalie fechar
Aqui no sudeste e sul do país o que aconteceu foi um desmatamento desinfreado que não trouxe vantagem alguma.
Quem ganhou muito dinheiro com o desmatamento acabou vendendo sua propriedade e foi pra cidade viver de aluguel de imóvel.
Quanta área aqui no sudeste e sul é mal utilizada pelo produtor rural. Agora as áreas desmatadas valem menos que as áreas com reserva legal e APP.
O problema todo é renda para as pessoas, enquanto uma árvore valer mais deitada do que em pé não existirá preservação ambiental aqui no Brasil.
avalie fechar