Por telefone, número 2 da PF diz a Tarso que vai provar sua inocência
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O ministro Tarso Genro (Justiça) disse nesta terça-feira que a prisão do diretor-executivo da Polícia Federal, Romero Menezes, não significa um constrangimento para a corporação porque mostra que ninguém no governo brasileiro está acima da lei. Tarso conversou por telefone com Menezes, que foi solto por volta da 1h desta quarta-feira.
"Ele [Menezes] me disse que eu poderia ficar tranqüilo que ele iria comprovar sua inocência", disse o ministro.
Para o ministro, só no final do inquérito será possível avaliar se o diretor afastado estava realmente envolvido em crimes como advocacia administrativa ou tráfico de influência. "O inquérito vai mostrar se ele é culpado ou inocente."
Tarso disse que achou desnecessária a prisão porque Menezes poderia não interferir no inquérito mesmo permanecendo no cargo --ele ocupava o segundo posto mais importante na hierarquia da PF. "Não havia necessidade de prisão. Se houve excesso pela prisão, tudo foi feito dentro da legalidade."
O ministro afirmou que a PF se comportou como uma "polícia de Estado" ao prender o segundo homem de sua hierarquia. E disse acreditar que a prisão de Menezes não trará prejuízo à investigação Toque de Midas --realizada em julho deste ano contra fraudes em processo licitatório de concessão da estrada de ferro do Amapá.
Reportagem da Folha (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL) informa que Menezes é suspeito de beneficiar o irmão, José Gomes de Menezes Júnior--também preso ontem-- com informações privilegiadas.
Menezes teria utilizado da sua prerrogativa de diretor da PF para conquistar vantagens para a empresa de vigilância do irmão que presta serviços no Amapá à EBX --pertencente ao empresário Eike Batista. Também foi preso ontem Renato Camargo dos Santos, diretor da MMX, empresa subsidiária da EBX.
Em nota, a PF informou ontem que "os dois investigados ligados ao grupo buscavam facilidades junto à Polícia Federal para proveito das empresas, como fraude na inscrição para curso especial de supervisor de segurança portuária, credenciamento para instrutor de tiro sem análise dos requisitos legais, entre outros".
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