Brasil
23/09/2008 - 14h05

Alckmin centra ataques em Kassab, e critica Marta e governo Lula

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MARINA NOVAES
WANDERLEY PREITE SOBRINHO
colaboração para a Folha Online

Atualizado às 17h26.

Após defender, há menos de uma semana, o fim da "troca de farpas" entre os candidatos à Prefeitura de São Paulo, o candidato tucano Geraldo Alckmin encerrou a trégua com os adversários e focou suas críticas no prefeito Gilberto Kassab (DEM). Durante sabatina promovida pela Folha nesta terça-feira, o ex-governador chamou o candidato à reeleição de "dissimulado", afirmou que o democrata cooptou os vereadores tucanos-kassabistas, e disse que Kassab tenta "destruir" o PSDB.

"Sempre falei que não tem problema nenhum o DEM ter candidato próprio. Mas quero lamentar aqui o fato de que, desde o início o Kassab, que chegou indiretamente à prefeitura pelo PSDB, só tenha uma estratégia: destruir o partido que o levou à prefeitura", disse.

Lalo de Almeida/Folha Imagem
Geraldo Alckmin, candidato à Prefeitura de São Paulo, participa de sabatina da Folha
Geraldo Alckmin, candidato à Prefeitura de São Paulo, participa de sabatina da Folha

O candidato prosseguiu nos ataques, e afirmou que o prefeito usa a máquina pública para "minar" o partido. "E usa as pessoas do PSDB, usa para minar, usa para destruir, para criar discórdia. [...] Utiliza a máquina da prefeitura para minar o partido", afirmou.

O tucano também acusou Kassab de dissimulação, e disse que o prefeito "tenta se passar por tucano". "O Kassab é dissimulado. Ele usa as pessoas. Sua estratégia é desconstruir o PSDB de São Paulo para se promover", disse.

Alckmin minimizou a atuação dos vereadores tucanos favoráveis à reeleição do democrata, e disse que o adversário cooptou-os. "Infelizmente, alguns [vereadores tucanos] foram cooptados. E quem está por trás disso é o 'seu' Kassab", afirmou.

Soninha e loteamento

As críticas ao prefeito não pararam por aí. Durante a sabatina, o ex-governador ainda acusou Kassab de lotear a prefeitura, e disse que o democrata transformou a gestão em um cabide eleitoral.

"Depois que o Serra [atual governador e então prefeito da cidade] saiu houve loteamento de cargo, virou cabide eleitoral", afirmou Alckmin, sugerindo que os tucanos-kassabistas só apóiam Kassab por interesse de cargos.

O ex-governador disse ainda que a adversária Soninha Francine (PPS) estava correta ao denunciar a suposta existência de troca de favores para aprovação de projetos de lei na Câmara Municipal de São Paulo. "A Soninha falou grandes verdades", afirmou Alckmin, que aproveitou a deixa para alfinetar Kassab. "O presidente da Câmara é do Kassab e do Centrão", disse.

Questionado sobre a polêmica declaração da ex-VJ, o ex-governador também afirmou que alguns vereadores só conseguem se eleger com o uso da máquina pública. "A Câmara precisa melhorar muito, tem pessoas que não conseguem se eleger sem estar incrustadas na máquina pública", afirmou.

Pitta, Maluf e Quércia

O candidato também negou que seja aliado do ex-prefeito Celso Pitta (1997-2000) --que pertence ao PTB, partido do vice em sua chapa, Campos Machado--, conforme afirmou Kassab em sabatina na Folha na última semana.

"Eu não estou com o Pitta [...] Ele é um filiado do PTB. Quem foi secretário do Pitta foi o Kassab", disse, e afirmou ainda que o DEM, à época PFL, não apoio o governador Mário Covas nas eleições de 1998 porque preferia apoiar o então candidato Paulo Maluf (PP).

Depois de associar Kassab aos ex-prefeitos Paulo Maluf (PP) e Celso Pitta (PTB), Alckmin lembrou da coligação do atual prefeito com o ex-governador Orestes Quércia (PMDB). Ele afirmou que foi procurado pelo peemedebista, mas que recusou seu apoio nestas eleições.

Serra

O ex-governador também minimizou a pouca participação do governador José Serra (PSDB) em sua campanha. "A quem cabe fazer campanha é o candidato [...] Eu não tenho nenhuma reclamação", disse. Desde o início da corrida eleitoral, Kassab e Alckmin vem disputando o título de "afilhado" político do tucano.

Alckmin também negou que sua vitória nas eleições municipais favoreça a indicação de Aécio Neves, governador de Minas, como candidato do PSDB à sucessão presidencial em 2010, em detrimento do governador paulista.

"De maneira nenhuma. A vitória do PSDB em São Paulo fortalece o Serra em 2010", concluiu o ex-governador, que voltou a afirmar que conta com o apoio do governador tucano nestas eleições.

PT

Apesar de priorizar as críticas ao adversário do DEM, a candidata do PT Marta Suplicy (PT) também contou com sua cota de alfinetadas. Ao longo da entrevista, Alckmin afirmou que a ex-prefeita criou muitas taxas e ironizou sua proposta para o metrô de São Paulo.

"Acho estranho ela colocar que vai fazer 40, 50 km de metrô. [...] Porque ela coloca que vai fazer com a ajuda do governo federal, e o governo manda um projeto para o Congresso com zero [de investimentos] para o metrô de São Paulo", disse Alckmin, que afirmou ainda que a petista deve ser sua rival em um eventual segundo turno

O candidato também aproveitou para fazer críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva --padrinho político de Marta. Para o ex-governador --que disputou a presidência da República com Lula em 2006--, a gestão atual não tem sido boa. "Não. Não acho", respondeu o tucano, ao ser questionado se a gestão de Lula à frente da Presidência da República era boa.

"Ele não fez as principais reformas estruturantes do país. Aliás, nenhuma reforma andou praticamente", completou, citando como exemplos as reformas tributária e política.

Para Alckmin, a boa avaliação do governo atual, é resultado do "bom cenário econômico mundial" e da facilidade de comunicação de Lula. "Lula é um comunicador muito eficiente."

Nota dez

Alckmin concluiu sua participação destacando uma boa obra de Marta e Kassab, mas não quis dar nota às administrações dos rivais. "O CEU [Centro Educacional Unificado] foi uma boa iniciativa, mas precisa melhorar", disse sobre a criação da petista. Sobre Kassab, o ex-governador destacou a "Lei Cidade Limpa, que precisa ser ampliada".

Ele se recusou a dar uma nota para as administrações dos rivais. "Nota dez eu não dou nem para mim", disse. "Nota de governo é o povo quem dá."

Sabatinas

Alckmin foi o terceiro entrevistado do ciclo de sabatinas que a Folha realiza com os principais candidatos a prefeito na cidade. Nesta quarta-feira (24), a entrevistada será a ex-prefeita Marta Suplicy, encerrando as sabatinas.

Durante duas horas, o candidato respondeu a perguntas de quatro entrevistadores --os colunistas da Folha Mônica Bergamo e Gilberto Dimenstein, os jornalistas Nilson Camargo (editor responsável do jornal "Agora") e Fernando de Barros e Silva (editor de Brasil)-- e da platéia, que encaminharam suas questões por escrito.

Na semana passada, o candidato Paulo Maluf (PP) e o prefeito e prefeito Kassab foram entrevistados pelo jornal.

Todas as sabatinas são realizadas das 11h às 13h no Teatro Folha (shopping Pátio Higienópolis, av. Higienópolis, 618, 2º piso, São Paulo).

Comentários dos leitores
Henrique Silva (72) 22/09/2009 23h42
Henrique Silva (72) 22/09/2009 23h42
Só faltava essa! FHC critica relação "imperialista" entre planalto e congresso. Oras! quem inventou a política do ROLO COMPRESSOR? (o próprio FHC). sem opinião
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walysbalde santos (1) 22/09/2009 09h21
walysbalde santos (1) 22/09/2009 09h21
hoje em dia ate jornal do metro de graca as pessoa nao ler, enfim quando a noticia chega as banca ja esta velha, imprensa escrita esta com os dias contado,o radio da a noticia fresca o jornal vai sair amanha... sem opinião
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Guilherme Prado (1) 22/09/2009 08h33
Guilherme Prado (1) 22/09/2009 08h33
Na verdade enquanto o jornalismo brasileiro possuir essa visão retrógrada como a apresentada na sabatina, a imporensa escrita no país não tem outro futuro se não a extinção...
Isso ocorre por vários motivos, mas o principal está no fato de que estas empresas não são administradas por pessoas que entendem do assunto, não são nem de perto especialistas em comunicação, não entendem as particulariedades deste ramo, e para tanto a administram como uma empresa qualquer.
A imprensa escrita brasileira continua tentando concorrer com a internet, e na frase "sobreviver à internet" isso ficou bem claro.
O diploma no jornalismo se mostra necessário nesses casos, mais do que alguém que escreve a matéria para um jornal, o jornalista diplomado, é a pessoa que entende o processo, entende o sistema e como ele se comporta.
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