Alckmin centra ataques em Kassab, e critica Marta e governo Lula
MARINA NOVAES
WANDERLEY PREITE SOBRINHO
colaboração para a Folha Online
Atualizado às 17h26.
Após defender, há menos de uma semana, o fim da "troca de farpas" entre os candidatos à Prefeitura de São Paulo, o candidato tucano Geraldo Alckmin encerrou a trégua com os adversários e focou suas críticas no prefeito Gilberto Kassab (DEM). Durante sabatina promovida pela Folha nesta terça-feira, o ex-governador chamou o candidato à reeleição de "dissimulado", afirmou que o democrata cooptou os vereadores tucanos-kassabistas, e disse que Kassab tenta "destruir" o PSDB.
"Sempre falei que não tem problema nenhum o DEM ter candidato próprio. Mas quero lamentar aqui o fato de que, desde o início o Kassab, que chegou indiretamente à prefeitura pelo PSDB, só tenha uma estratégia: destruir o partido que o levou à prefeitura", disse.
| Lalo de Almeida/Folha Imagem |
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| Geraldo Alckmin, candidato à Prefeitura de São Paulo, participa de sabatina da Folha |
O candidato prosseguiu nos ataques, e afirmou que o prefeito usa a máquina pública para "minar" o partido. "E usa as pessoas do PSDB, usa para minar, usa para destruir, para criar discórdia. [...] Utiliza a máquina da prefeitura para minar o partido", afirmou.
O tucano também acusou Kassab de dissimulação, e disse que o prefeito "tenta se passar por tucano". "O Kassab é dissimulado. Ele usa as pessoas. Sua estratégia é desconstruir o PSDB de São Paulo para se promover", disse.
Alckmin minimizou a atuação dos vereadores tucanos favoráveis à reeleição do democrata, e disse que o adversário cooptou-os. "Infelizmente, alguns [vereadores tucanos] foram cooptados. E quem está por trás disso é o 'seu' Kassab", afirmou.
Soninha e loteamento
As críticas ao prefeito não pararam por aí. Durante a sabatina, o ex-governador ainda acusou Kassab de lotear a prefeitura, e disse que o democrata transformou a gestão em um cabide eleitoral.
"Depois que o Serra [atual governador e então prefeito da cidade] saiu houve loteamento de cargo, virou cabide eleitoral", afirmou Alckmin, sugerindo que os tucanos-kassabistas só apóiam Kassab por interesse de cargos.
O ex-governador disse ainda que a adversária Soninha Francine (PPS) estava correta ao denunciar a suposta existência de troca de favores para aprovação de projetos de lei na Câmara Municipal de São Paulo. "A Soninha falou grandes verdades", afirmou Alckmin, que aproveitou a deixa para alfinetar Kassab. "O presidente da Câmara é do Kassab e do Centrão", disse.
Questionado sobre a polêmica declaração da ex-VJ, o ex-governador também afirmou que alguns vereadores só conseguem se eleger com o uso da máquina pública. "A Câmara precisa melhorar muito, tem pessoas que não conseguem se eleger sem estar incrustadas na máquina pública", afirmou.
Pitta, Maluf e Quércia
O candidato também negou que seja aliado do ex-prefeito Celso Pitta (1997-2000) --que pertence ao PTB, partido do vice em sua chapa, Campos Machado--, conforme afirmou Kassab em sabatina na Folha na última semana.
"Eu não estou com o Pitta [...] Ele é um filiado do PTB. Quem foi secretário do Pitta foi o Kassab", disse, e afirmou ainda que o DEM, à época PFL, não apoio o governador Mário Covas nas eleições de 1998 porque preferia apoiar o então candidato Paulo Maluf (PP).
Depois de associar Kassab aos ex-prefeitos Paulo Maluf (PP) e Celso Pitta (PTB), Alckmin lembrou da coligação do atual prefeito com o ex-governador Orestes Quércia (PMDB). Ele afirmou que foi procurado pelo peemedebista, mas que recusou seu apoio nestas eleições.
Serra
O ex-governador também minimizou a pouca participação do governador José Serra (PSDB) em sua campanha. "A quem cabe fazer campanha é o candidato [...] Eu não tenho nenhuma reclamação", disse. Desde o início da corrida eleitoral, Kassab e Alckmin vem disputando o título de "afilhado" político do tucano.
Alckmin também negou que sua vitória nas eleições municipais favoreça a indicação de Aécio Neves, governador de Minas, como candidato do PSDB à sucessão presidencial em 2010, em detrimento do governador paulista.
"De maneira nenhuma. A vitória do PSDB em São Paulo fortalece o Serra em 2010", concluiu o ex-governador, que voltou a afirmar que conta com o apoio do governador tucano nestas eleições.
PT
Apesar de priorizar as críticas ao adversário do DEM, a candidata do PT Marta Suplicy (PT) também contou com sua cota de alfinetadas. Ao longo da entrevista, Alckmin afirmou que a ex-prefeita criou muitas taxas e ironizou sua proposta para o metrô de São Paulo.
"Acho estranho ela colocar que vai fazer 40, 50 km de metrô. [...] Porque ela coloca que vai fazer com a ajuda do governo federal, e o governo manda um projeto para o Congresso com zero [de investimentos] para o metrô de São Paulo", disse Alckmin, que afirmou ainda que a petista deve ser sua rival em um eventual segundo turno
O candidato também aproveitou para fazer críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva --padrinho político de Marta. Para o ex-governador --que disputou a presidência da República com Lula em 2006--, a gestão atual não tem sido boa. "Não. Não acho", respondeu o tucano, ao ser questionado se a gestão de Lula à frente da Presidência da República era boa.
"Ele não fez as principais reformas estruturantes do país. Aliás, nenhuma reforma andou praticamente", completou, citando como exemplos as reformas tributária e política.
Para Alckmin, a boa avaliação do governo atual, é resultado do "bom cenário econômico mundial" e da facilidade de comunicação de Lula. "Lula é um comunicador muito eficiente."
Nota dez
Alckmin concluiu sua participação destacando uma boa obra de Marta e Kassab, mas não quis dar nota às administrações dos rivais. "O CEU [Centro Educacional Unificado] foi uma boa iniciativa, mas precisa melhorar", disse sobre a criação da petista. Sobre Kassab, o ex-governador destacou a "Lei Cidade Limpa, que precisa ser ampliada".
Ele se recusou a dar uma nota para as administrações dos rivais. "Nota dez eu não dou nem para mim", disse. "Nota de governo é o povo quem dá."
Sabatinas
Alckmin foi o terceiro entrevistado do ciclo de sabatinas que a Folha realiza com os principais candidatos a prefeito na cidade. Nesta quarta-feira (24), a entrevistada será a ex-prefeita Marta Suplicy, encerrando as sabatinas.
Durante duas horas, o candidato respondeu a perguntas de quatro entrevistadores --os colunistas da Folha Mônica Bergamo e Gilberto Dimenstein, os jornalistas Nilson Camargo (editor responsável do jornal "Agora") e Fernando de Barros e Silva (editor de Brasil)-- e da platéia, que encaminharam suas questões por escrito.
Na semana passada, o candidato Paulo Maluf (PP) e o prefeito e prefeito Kassab foram entrevistados pelo jornal.
Todas as sabatinas são realizadas das 11h às 13h no Teatro Folha (shopping Pátio Higienópolis, av. Higienópolis, 618, 2º piso, São Paulo).
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A imprensa escrita brasileira continua tentando concorrer com a internet, e na frase "sobreviver à internet" isso ficou bem claro.
O diploma no jornalismo se mostra necessário nesses casos, mais do que alguém que escreve a matéria para um jornal, o jornalista diplomado, é a pessoa que entende o processo, entende o sistema e como ele se comporta.
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