Candidatos a prefeito do Rio chamam política de segurança de Cabral de "fascista"
ANDRÉ ZAHAR
colaboração para a Folha Online, no Rio
Ausentes no auditório da Universidade Candido Mendes, no centro do Rio de Janeiro, o governador Sérgio Cabral e o candidato a prefeito Eduardo Paes, ambos do PMDB, se tornaram na noite desta terça-feira os alvos preferenciais durante debate sobre segurança pública entre candidatos à prefeitura e representantes de ONGs e movimentos sociais.
A política de segurança do governo do Estado foi chamada de "genocida" por Chico Alencar (PSOL) e Paulo Ramos (PDT). Jandira Feghali (PC do B) criticou o que chamou de "pensamento crônico fascistóide" do governador. Além deles, compareceram ao enfrentamento Fernando Gabeira (PV) e Alessandro Molon (PT).
Logo nas considerações iniciais, Chico Alencar disse que "uma política democrática de segurança pública vai muito além dessa repressão e desta política fascista que o governador representa".
"O governador num ato-falho disse que as comunidades pobres são fábricas de marginais. Isto desperta meus instintos mais primitivos. Se as autoridades expressam concepções proto-fascistas, o policial fica mais à vontade para praticar truculências", disse o candidato do PSOL.
Na mesma linha, Ramos disse que o modelo de segurança "genocida e fascista" do governo estadual usa o aparato do Estado para reprimir comunidades excluídas.
Jandira atacou Paes dizendo que "um candidato do governador não viria a um debate desse tema porque não tem o que dizer". "Me lembro que o governador falou que a violência começa no ventre. É um pensamento crônico fascistóide de que impedindo o filho de nascer estaremos reduzindo a violência".
A candidata do PC do B também reclamou da "classe média que acha ótimo quando a polícia entra atirando e matando na favela". "Temos que romper essa ideologia de achar que uma forma de agradar a classe média é manter essa política genocida que se faz hoje. Não vou fortalecer o Estado Penal, mesmo que isso custe muitos votos", disse.
Molon lembrou que Paes se manifestou a favor das milícias quando elas estavam surgindo e estendeu o ataque ao prefeito Cesar Maia (DEM). "Os grupos paramilitares foram no início saudados como coisas positivas tanto pelo candidato que hoje lidera a maioria das pesquisas quanto pelo atual prefeito que chegou a chamar as milícias de autodefesas comunitárias".
Gabeira manteve um tom mais moderado, mas fez ressalvas à atuação da Polícia Militar. Segundo ele, além de ter uma parte não confiável a corporação "não está preparada para ser a polícia metropolitana que queremos e precisamos".
Paes cancelou a presença na véspera alegando compromisso. Solange Amaral (DEM) avisou com semanas de antecedência que não poderia comparecer --embora sua agenda de campanha não previsse nenhum evento à noite-- e Marcelo Crivella (PRB) não respondeu ao convite.
Presentes ao evento, Antonio Carlos (PCO) e Eduardo Serra (PCB) assistiram na platéia --a regra garantia a participação apenas de candidatos com 1% ou mais nas pesquisas.
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É totalmente limpa e honesta a candidatura do Gabeira.
è deprimente a postura do Paes.
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