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Brasil
24/09/2008 - 14h07

Marta ataca Kassab, cantarola "carrega na catraca" e diz que ser presidente é um sonho

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MARINA NOVAES
WANDERLEY PREITE SOBRINHO
colaboração para a Folha Online

Última entrevistada do ciclo de sabatinas que a Folha realizou com os principais candidatos a prefeito de São Paulo, a petista Marta Suplicy criticou a gestão atual --comandada por Gilberto Kassab (DEM)-- e alfinetou o governador tucano José Serra, a quem acusou de fazer "politicagem". Durante a sabatina, Marta também ressaltou sua parceria com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas afirmou que seu maior ídolo é a cantora Madonna.

Lalo de Almeida/Folha Imagem
Para Marta, presidente Lula tem sido muito republicano com a cidade de São Paulo
Para Marta, presidente Lula tem sido muito republicano com a cidade de São Paulo

"Não é só a popularidade do presidente. É o que o presidente quer para o Brasil, e as pessoas percebem esta afinidade", disse. "É uma afinidade de propostas muito grande. Muitas propostas do governo federal começaram aqui na minha gestão", afirmou a petista, ao ser questionada sobre o peso do apoio de Lula nestas eleições.

Para a candidata petista, que desde o início das eleições tem colado sua imagem à do presidente, Lula tem sido muito "republicano" com a cidade de São Paulo. "O presidente [Lula] está sendo muito republicano. São Paulo teve muito mais recurso com o Lula que com o FHC [ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do PSDB]", disse, alfinetando os tucanos.

Tucanos

Apesar de focar suas críticas no adversário do DEM, a candidata não poupou o partido de Geraldo Alckmin (PSDB), voltando suas alfinetadas especialmente ao governador Serra.

"Não sei se ele é bom ou não [gestor público]. Porque da prefeitura ele saiu. Agora eu estou esperando", disse, ao ser questionada sobre qual sua avaliação do governo do Estado.

A petista também contestou as declarações do governador tucano, que afirmou ter encontrado a prefeitura endividada em 2005. "Ele adora falar isso. Isso é parcial, porque não corresponde com a realidade. É politicagem pura. Ele fez um trabalho político de uma candidata que perdeu a eleição com aprovação, então ele queria acabar com isso", afirmou.

Marta também cutucou Alckmin, ao afirmar que o procurou para que investissem em parceria no metrô --ela como prefeita, ele como governador-- mas disse que, à época, ele "não tinha projeto". "Não teve o investimento adequado [no metrô] em 14 anos de governo tucano", afirmou.

Ataques

Mesmo com as farpas ao adversário do PSDB, Marta focou suas críticas à gestão atual, evidenciando a intenção de polarizar a disputa com Kassab. Segundo a candidata, a cidade teve um "retrocesso" na administração atual, e fez críticas à gestão nas áreas de transporte e educação.

Segundo a ex-prefeita, Kassab poderia ter investido em metrô desde 2006. "Eles estão com superávit de R$ 2 bilhões desde 2006. Por que não investiram antes?", questionou Marta, que disse ainda que a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) está "sucateada, sem equipamento e marronzinho na rua".

Para a petista, os "demos-tucanos" só deram continuidade aos CEUs (Centros Educacionais Unificados) devido à pressão popular. "Quero lembrar que os demos-tucanos foram contra [a construção dos CEUs]. Podiam ter feito os CEUS no dia seguinte, deixamos 24 terrenos comprados e eles estão entregando apenas 13", afirmou.

Marta acusou Kassab de "copiar" suas idéias, usando como exemplo a proposta de implantar cursos técnicos noturnos nos CEUs. "Kassab vetou o projeto do vereador José Américo [PT] de qualificação técnica nos CEUs e agora fala que vai fazer", disse.

Polêmica

Kassab também foi o centro da avaliação de Marta sobre as declarações da adversária Soninha Francine (PPS), sobre a suposta troca de favores para votações na Câmara Municipal. Recentemente, a candidata do PPS afirmou que, na Câmara, há troca de favores para a aprovação de projetos.

"A Soninha é vereadora da gestão do Kassab. Então quem tem que responder é o Kassab", disse a ex-prefeita. "Na minha administração não acredito que os vereadores fizessem esse tipo de coisa", completou.

Segundo a candidata, a declaração de Soninha afeta diretamente a gestão do adversário do DEM, já que a ex-VJ é vereadora em sua gestão. "Se alguém ta fazendo corrupção, alguém ta corrompendo. A administração do Kassab foi acusada no que ela falou", afirmou Marta.

Alianças

Questionada sobre os apoios que espera receber em um eventual segundo turno, Marta disse que"'aceitaria o apoio de todo mundo", e que espera receber de Alckmin ou de Kassab. "Os eleitores de todos esses partidos são vitais para ganhar o segundo turno", disse.

Para a candidata, parte do seu alto índice de rejeição --apontado nas pesquisas de intenção de voto-- está relacionada ao partido. "Isso [a rejeição] tem a ver, em parte, com o partido", disse antes de afirmar que ao compararem as propostas, os eleitores vão optar por sua candidatura.

Marta também comentou a relação do tucano e do democrata, que ficou tensa depois que Alckmin acusou Kassab e o DEM de golpistas. "A relação dos dois está muito deteriorada e espero ter o apoio no segundo turno de quem não for para o segundo turno", afirmou.

"Carrega a catraca"

Questionada sobre qual seria sua primeira ação como prefeita, caso seja eleita, a petista brincou com sua própria música sobre o Bilhete Único, arrancando gargalhadas da platéia. "Vou 'carregar na catraca! Carregar na catraca! Carregar na catraca!'", cantou a petista.

Para a candidata, Kassab cometeu uma "perversidade" ao "impedir" que os usuários carreguem o Bilhete Único na catraca do ônibus.

2010

A candidata também negou que tenha intenção de se candidatar ao governo estadual em 2010. "Quero ficar oito anos", afirmou. E disse que a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) deve ser candidata à sucessão presidencial. "Ela está muito preparada", afirmou.

Segundo Marta, o desejo de ser presidente do Brasil continua sendo um sonho. "Esse sonho eu acho que a pessoa, o político, nunca pode jogar fora. Mesmo que seja só um sonho", afirmou, ao final da entrevista.

Questionada sobre seu maior ídolo, a candidata surpreendeu ao responder Madonna, dando fim à sabatina da Folha.

Durante duas horas, Marta foi entrevistada pelos colunistas da Folha Mônica Bergamo e Gilberto Dimenstein, e pelos jornalistas Nilson Camargo (editor responsável do jornal "Agora"), e Rogério Gentile (editor de Cotidiano). A platéia também participou, enviando perguntas por escrito.

Na semana passada, a Folha entrevistou os candidatos Paulo Maluf (PP) e Gilberto Kassab (DEM). Ontem, foi a vez do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Todas as sabatinas acontecem no Teatro Folha (shopping Pátio Higienópolis, av. Higienópolis, 618, 2º piso, São Paulo).

Comentários dos leitores
Henrique Silva (72) 22/09/2009 23h42
Henrique Silva (72) 22/09/2009 23h42
Só faltava essa! FHC critica relação "imperialista" entre planalto e congresso. Oras! quem inventou a política do ROLO COMPRESSOR? (o próprio FHC). sem opinião
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walysbalde santos (1) 22/09/2009 09h21
walysbalde santos (1) 22/09/2009 09h21
hoje em dia ate jornal do metro de graca as pessoa nao ler, enfim quando a noticia chega as banca ja esta velha, imprensa escrita esta com os dias contado,o radio da a noticia fresca o jornal vai sair amanha... sem opinião
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Guilherme Prado (1) 22/09/2009 08h33
Guilherme Prado (1) 22/09/2009 08h33
Na verdade enquanto o jornalismo brasileiro possuir essa visão retrógrada como a apresentada na sabatina, a imporensa escrita no país não tem outro futuro se não a extinção...
Isso ocorre por vários motivos, mas o principal está no fato de que estas empresas não são administradas por pessoas que entendem do assunto, não são nem de perto especialistas em comunicação, não entendem as particulariedades deste ramo, e para tanto a administram como uma empresa qualquer.
A imprensa escrita brasileira continua tentando concorrer com a internet, e na frase "sobreviver à internet" isso ficou bem claro.
O diploma no jornalismo se mostra necessário nesses casos, mais do que alguém que escreve a matéria para um jornal, o jornalista diplomado, é a pessoa que entende o processo, entende o sistema e como ele se comporta.
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