Brasil
24/09/2008 - 19h20

Funai critica adiamento de julgamento de ação sobre reserva indígena na Bahia

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O presidente da Funai (Fundação Nacional do Índio), Márcio Meira, criticou nesta quarta-feira o adiamento pelo STF (Supremo Tribunal Federal) do julgamento de ação que pede a anulação de títulos de propriedades de terras pertencentes da fazendeiros, na reserva indígena Caramuru-Paraguaçu, no sul da Bahia --onde vivem cerca de 4.000 índios pataxó. Meira disse que o adiamento não ajuda na solução de conflitos entre índios e fazendeiros na região.

"Para nós, é um adiamento que não ajuda. Existe uma situação de conflito, e esse adiamento só retarda os conflitos", disse.

Alan Marques /Folha Imagem
Eros Grau (à esq.) recomendou anulação de títulos de propriedades de terras pertencentes a fazendeiros na reserva da Bahia
Eros Grau (à esq.) recomendou anulação de títulos de propriedades de terras pertencentes a fazendeiros na reserva da Bahia

Meira afirmou, porém, que a Funai vai acatar a decisão do STF sobre as terras indígenas qualquer que seja o resultado do julgamento.

O relator da ação no STF, ministro Eros Grau, disse que os conflitos na reserva indígena serão superados se o tribunal decidir "sem pressa" sobre a presença de fazendeiros na região --mesmo após 26 anos de tramitação da ação no STF.

"Eu tenho a impressão que a gente supera os conflitos na medida em que o Supremo decidir com prudência e sem pressa. Não se trata de deixar outros 26 anos [sem julgar o caso], mas se trata de considerar as duas questões em conjunto", afirmou.

O ministro acredita que o julgamento seja retomado até o final do ano, mas ressaltou que a decisão sobre a nova data será estabelecida pelo presidente do STF, Gilmar Mendes.

Em seu voto, Grau declarou nulos os títulos de propriedades de terras em posse dos fazendeiros dentro dos limites da reserva.

"Todos devem ser considerados inválidos", afirmou. Grau sustenta que não existem títulos de propriedades de terras dentro da reserva anteriores a 1967 --quando a Constituição Federal considerou terras indígenas como domínio da União.

O julgamento foi suspenso após pedido de vista do ministro Carlos Alberto Menezes Direito. Ele argumentou que, como também pediu para suspender o julgamento da ação que questiona a demarcação contínua da reserva indígena Raposa/Serra do Sol (RR), não poderia dar prosseguimento a um caso similar.

Raposa/Serra do Sol

Grau disse que considera o caso mais simples que o julgamento sobre a a reserva indígena Raposa/Serra do Sol por se tratar apenas de títulos de terras --e não demarcação das terras. Mas considera que as decisões sobre as reservas Caramuru-Paraguaçu e Raposa/Serra do Sol vão servir de parâmetro para futuros julgamentos de posses de terras indígenas no país.

"Na hora em que o tribunal decidir esses dois casos, isso vai servir como parâmetro. O tribunal vai construindo decisões e daqui para o futuro é muito provável que as decisões que se tomar no caso dos pataxó e da Raposa venham servir de parâmetro para as futuras decisões."

Comentários dos leitores
antonio lucio (1) 18/11/2009 13h13
antonio lucio (1) 18/11/2009 13h13
Será que os retardados mentais que defendem esta miliicia indigina, por tras disto esta as FARC e por tas delas o Chaves, o louco, o debiloide. Pelo amor de Deus. vc querem o que uma querrilha camponesa, entre os sem terra, seringueiros, agricultores, pequenos pecuaristas e os indiginas. Será um massacre atras do outro. O estado é quem que deve estar presente nestes conflitos, esta ai a PF, o Exercito. Agora temos um governo incompetente, irresponsável e incapaz de evitar as invações de terras indiginas ai é outra coisa. Daqui a pouco, vamos ter as milicias, dos seringueiros, dos sem terras (este já existe), dos pequenos pecuaristas e dos agricultores. Teriasmos ai um estado sem lei. Mais ano que vem temos oportunidade de mudar isto. Se Deus quiser vamos mudar e expulsar estes petistas do poder. e olhe quando eles sairem veremos o mar de lama sair das bocas dos bueros e acha lama e podridão. sem opinião
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tereza rocha (3) 17/11/2009 20h28
tereza rocha (3) 17/11/2009 20h28
sem proteção os indios ficam a mercê de todos os perigos existentes na Amazonia.Agora as Farc tambem querem se aproveitar da fraqueza indigena. 1 opinião
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Tiago Garcia (38) 17/11/2009 17h34
Tiago Garcia (38) 17/11/2009 17h34
Se o Estado falha em comparecer e dar proteção a estes silvícolas acho, em minha opinião, que eles tem todo direito de se organizarem e de se protegerem.
E pela boa iniciativa deles de se submeterem ao Estado Brasileiro e nossas leis demonstram muito boa vontade com a nação e merecem sim ser amparados visto a peculiaridade da situação de isolamento e as dificuldades que as policias atuais passam para protege-los.
Apoio a idéia.
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