Brasil
26/09/2008 - 10h25

Chefe da campanha de Fogaça é investigado no Rio Grande do Sul

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GRACILIANO ROCHA
da Agência Folha, em Porto Alegre

A compra de dois imóveis de luxo levou o deputado estadual Luiz Fernando Záchia (PMDB) a ser investigado pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado) do Rio Grande do Sul por suspeita de enriquecimento ilícito.

Ex-presidente da Assembléia Legislativa gaúcha e ex-chefe da Casa Civil da governadora Yeda Crusius (PSDB), Záchia é o coordenador da campanha à reeleição do prefeito de Porto Alegre, José Fogaça (PMDB).

As suspeitas recaem sobre a compra de um apartamento em Porto Alegre e de uma casa no município de Xangri-lá, balneário 130 km ao norte da capital. Nenhum deles está registrado no nome do deputado. A Folha visitou os dois.

Propriedades similares nos locais valem, somadas, entre R$ 1,4 milhão e R$ 1,6 milhão, segundo imobiliárias --mais do que o triplo dos bens que Záchia declarou à Justiça Eleitoral antes de concorrer à reeleição, em 2006 (R$ 438 mil).

O apartamento de Porto Alegre, onde Záchia vive atualmente, foi adquirido no ano passado, quando o deputado estava na Casa Civil, coordenando a articulação política da governadora tucana.

O imóvel tem 234 m2 e fica num bairro de classe média alta. Imóveis estão à venda no mesmo prédio por valores entre R$ 800 mil e R$ 1 milhão.

No cartório, o apartamento está em nome de Durafa Empreendimentos Imobiliários, que construiu o edifício.

Já a casa tem 222 m2 e fica no Carmel, um condomínio fechado que conta com um lago particular, próximo da praia de Atlântida, uma das mais badaladas do litoral gaúcho.

Záchia comprou o terreno no condomínio em 2004 e construiu a casa.

Sem registro

No cartório de Xangri-lá, não há registro da existência de uma casa, só do terreno, que aparece como pertencente à Malpaso Empreendimentos Imobiliários, a incorporadora do condomínio. Casas são vendidas no local por R$ 600 mil.

A propriedade no litoral foi omitida da declaração de bens de 2006. Na ocasião, o deputado declarou apenas um apartamento em Porto Alegre (R$ 417 mil) e uma caderneta de poupança com R$ 21 mil.

O TCE-RS começou a investigar a evolução patrimonial de Záchia no início deste mês e mantém o caso sob sigilo.

O deputado é o segundo político gaúcho a ter as finanças devassadas pelo TCE --possibilidade que foi aberta em junho deste ano com a entrada em vigor de uma lei estadual que dá à corte o poder de examinar a evolução patrimonial de agentes públicos que apresentem sinais de enriquecimento incompatível com sua renda.

A primeira a ser investigada foi a governadora Yeda Crusius, pela compra da casa em que vive, em Porto Alegre, por R$ 750 mil.

Outro lado

O deputado Luiz Fernando Záchia (PMDB) nega irregularidades na sua evolução patrimonial e diz que comprou os imóveis por R$ 975 mil, somando os dois, e que eles constam na declaração de imposto de renda do ano passado.

"Andaram dizendo [na denúncia] que eu comprei uma cobertura e uma casa na praia enquanto era chefe da Casa Civil e isso é uma sacanagem."

Ele atribuiu a adversários --cujos nomes não mencionou-- a denúncia que originou a investigação do TCE (Tribunal de Contas do Estado) gaúcho sobre seus bens.

Záchia diz que o apartamento em Porto Alegre custou R$ 675 mil. Ele afirma ter pago R$ 500 mil em abril de 2007 e parcelado o restante. O dinheiro, diz, veio da venda de outro apartamento e do FGTS de sua mulher.

Uma compra abaixo do valor de mercado foi a explicação para a casa de veraneio em Xangri-lá, no litoral. Záchia afirma ter comprado o terreno em 2004 parcelado com uma entrada de R$ 10 mil e o restante dividido em 24 parcelas. Ele alega que o apartamento segue em nome da Durafa Empreendimentos Imobiliários porque ainda não foi integralmente pago, e a casa de praia continua em nome da Malpaso por causa de problemas com o licenciamento municipal.

O dono da Malpaso, Solon Soares, disse que vendeu o terreno abaixo do preço de mercado por causa de "relações de amizade e família". A Durafa não se manifestou. O procurador do TCE, Geraldo Da Camino, não comentou o caso alegando sigilo.

Comentários dos leitores
Alcides Emanuelli (530) 20/10/2008 17h54
Alcides Emanuelli (530) 20/10/2008 17h54
Para os chorões, que não se contentam nem se contem quando seus textos não são colocados!
Eu descobri uma nova formala, embora não guarda nada em arquivos para não perder tempo, para cada sensurado eu escrevo 10 sei que derepente eles podem passar batido em um e deixar ele ser editado.
E assim caminho nosso Democracia onde não temos o direito de escrever o que queremos, mas somos obrigados a ler as besteiras, as mentiras que todos os dias entram em nssos lares em nossas mentes por meio da comunicação.
sem opinião
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klaus prodgraf (1) 20/10/2008 17h02
klaus prodgraf (1) 20/10/2008 17h02
Maria perde, sempre esteve perdendo. Gosto dela, já ajudei a elegê-la. Só não gosto quando fica falando de criancinha. Fala e não acontece nada. Dos 16 do PT, vi vivi 10 anos e as criancinhas na mesma rua. A vez dela era a anterior, mas o partido saiu com o anticandidato e agora errou na mão.
1. Uma eleiçao municipal se resolve no município. Há um enorme equívoco na largada da campanha: a federalização. Alguém tinha que lembrar que quem governa a cidade é o prefeito, mas ela só fala q o Lula vai fazer e acontecer.
2. Se depender do Lula, AMBOS são candidatos dele.
3. Eleição municipal é do municipio, da cidade, não adianta trazer ministro prá dar pitaco, pode impressionar os colegas de partido ou comunidades não esclarecidas. Para uma população esclarecida e crítica, como a candidata mesmo diz, não conta. Tem gente na foto q nem sabe onde está.
4. Não dá prá só dar porrada com ar professoral e arrogante; se não foi bom, a verdade é q tb não foi tão ruim assim.
5. Tem q reconhecer o telhado de vidro, afinal. foram 16 anos de acertos e erros. Em vez de só incorporar idéias de outros estados e partidos, antes criticados ferozmente, tem procurar valorizar o que foi bom.
7. O PT local tem uma tradição de não saber dividir o poder, quem garante que mudou? Quem pode aceitar como honesta uma proposta de escola integral depois de tão criticada.
6. O mais difícil: reconhecer q não são os donos da verdade.
7. Há uma rejeição e esta também passa pelo bloco de esquerda, que não migrou.
sem opinião
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João Carlos Gagliardi (41) 20/10/2008 10h34
João Carlos Gagliardi (41) 20/10/2008 10h34
Porto Alegre, era uma base importante para o pt. E é muito importante para os devaneios de uma possível pretensão presidencial para 2010. A perda de São Paulo, já e dada com certa até pelos petralhas mais xiitas, restou agora Porto Alegre.... Perdendo mais esta capital, o sonho (pesadelo para nós...) de eleger o sucessor, só resta ao pt, a mutreta final de convocar nova assembléia constituinte e aprovar um terceiro mandato a qualquer custo. Essa gente é capaz de tudo... 2 opiniões
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