Comissão de Anistia paga indenização de R$ 99 mil a ex-ministro Nilmário Miranda
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
O ex-ministro de Direitos Humanos Nilmário Miranda defendeu nesta sexta-feira a responsabilização dos crimes de tortura ocorridos no período da ditadura. Após ser reconhecido como vítima da ditadura, o petista afirmou que a Lei de Anistia não pode acobertar os crimes contra a humanidade.
"Punir torturadores não é rever a Lei de Anistia. O que se debate aqui é o Judiciário ter a dignidade de reconhecer que a Lei de Anistia não acoberta os crimes contra a humanidade. Tem de ocorrer esse resgate histórico", afirmou Nilmário. "Para o nosso processo de nação democrática ainda estamos devendo."
| 15.fev.2005t/Folha Imagem |
![]() |
| Nilmário Miranda defendeu a responsabilização dos crimes de tortura da ditadura |
Nilmário foi indenizado hoje pela Comissão de Anistia com o pagamento de R$ 99.600 por ter sido vítima de torturas, prisão e exílio durante a ditadura.
Nesta sexta-feira, o presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), dom Geraldo Lyrio Rocha, também reiterou ser favorável à criminalização das torturas ocorridas na ditadura. Para o religioso, perdão não pode significar esquecimento de responsabilidades.
O ministro interino Luís Paulo Teles Barreto (Justiça) afirmou que nos próximos dias deverão ser definidos os critérios para a abertura dos arquivos da época da ditadura. Porém, o ministro Paulo Vannuchi (Direitos Humanos) disse que a questão da responsabilização dos crimes de tortura está a cargo do Judiciário.
A discussão sobre a responsabilização gerou mal-estar no governo federal, dividindo opiniões entre ministros e assessores diretos do presidente da República. Por orientação do próprio Palácio do Planalto, a ordem foi para que o assunto seja tratado exclusivamente pelo Judiciário e não mais pelo Executivo.
Leia mais
- CNBB diz que abertura dos arquivos da ditadura não pode ter restrições
- CNBB defende responsabilização de crimes de tortura ocorridos na ditadura
- Comissão de Anistia julgará 13 processos de religiosos perseguidos na ditadura
- Caravana da Anistia indeniza 39 ex-metalúrgicos do ABC paulista
- Ministro diz que governo ainda deve "perdão" às famílias das vítimas da ditadura
- Representante da OAB diz que nem na ditadura se abusou tanto de grampo no país
Especial
Livraria




avalie fechar
avalie fechar
avalie fechar