Sem Lula, petista faz comício com governador e ministro em Recife
FÁBIO GUIBU
da Agência Folha, em Recife
Sem a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), o candidato do PT à Prefeitura de Recife, João da Costa, realizou na noite desta sexta-feira o maior ato público da sua campanha, no centro da cidade.
Segundo a Polícia Militar e os organizadores, 40 mil pessoas participaram do comício, que serviu para produzir as imagens e discursos que serão utilizados nos dois últimos programas de TV antes do primeiro turno das eleições.
Explicações sobre a cassação da candidatura petista pela Justiça e ataques à oposição foram os temas principais abordados pelos convidados, entre eles o ministro das Relações Institucionais, José Múcio, e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB).
"O Brasil vai bem, mas muitos não aceitam", disse Múcio. "Vão usar de todos os artifícios antidemocráticos para tentar nos desmobilizar", afirmou o ministro, sem citar nomes.
Ninguém explicou ao público a ausência de Lula e Dilma no palanque. A presença deles foi cogitada pelo prefeito de Recife, João Paulo (PT), horas após a cassação da candidatura do petista, na terça-feira.
O presidente também não apareceu no telão para apresentar solidariedade ao candidato, como cogitavam militantes. Em entrevista antes do comício, Costa disse que Lula não pode ir porque "já tinha uma agenda definida para o dia".
"Seria interessante que ele estivesse aqui", afirmou. "Como parceiro político, eu gostaria que ele estivesse presente hoje nesse ato, mas não tem problema", declarou.
No palanque, o discurso de Costa foi interrompido durante três minutos por um corte no fornecimento de energia elétrica no palco. Quando falou, o candidato contou sobre a sua origem humilde e disse que aqueles que o criticam "são contra o presidente Lula".
"Não tenho medo de cara feia de menino mimado nenhum", atacou em seguida, também sem citar nomes. "Não vamos aceitar boatos, calúnias e difamação", disse. "A gente conhece quem é sujo nessa história: são os mesmos que tentaram fazer a mesma coisa na reeleição do presidente", declarou.
Na TV, os principais candidatos da oposição mantiveram a estratégia de lembrar a cassação da candidatura petista e a inelegibilidade por três anos, anunciada pela Justiça. Principal adversário do PT, Mendonça (DEM) disse que a situação é "lamentável" e "mancha a tradição política de Recife".
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