Amigos contam vida universitária de candidatos a prefeito de São Paulo
PATRÍCIA CERQUEIRA
da Revista da Folha
Estudiosos e interessados. Assim eram, nos tempos de faculdade, os quatros candidatos mais bem colocados na disputa pela Prefeitura de São Paulo, segundo professores e colegas.
A Revista foi atrás da turma que se formou em psicologia com Marta Suplicy, 63, pela PUC-SP em 1970; em medicina, com Geraldo Alckmin, 56, pela Universidade de Taubaté, em 1977. Foram procurados os colegas de Gilberto Kassab, 48, formados na engenharia civil da USP em 1985, e os de Paulo Maluf, 77, formados em 1954 no mesmo curso e na mesma universidade. Foram contatadas 50 pessoas, mas só 25 concordaram em dar entrevista.
Nenhum era aluno nota dez. Todos entraram na universidade com 19 anos. Os quatro chamavam a atenção por irem de carro à faculdade. Durante a graduação, Marta (PT) e Alckmin (PSDB) faziam a linha discreta. Maluf (PP) e Kassab (DEM) despontavam como líderes da classe.
MARTA SUPLICY
A bela aluna de olhos azuis iniciou o curso de psicologia em 64, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Sedes Sapientiae (incorporada à PUC nos anos 70). Um ano depois, foi morar nos EUA com a família e obteve o diploma só em 73.
| Arquivo Pessoal |
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| Marta Suplicy foi morar nos EUA com a família e obteve o diploma só em 73 |
O relato das lembranças de colegas e professoras é generoso com Marta. "Lembro dela porque era assídua e demonstrava interesse", diz Vera Königsberger, 82, sua professora.
"Marta ficava na dela. Não se misturava, mas também não excluía", diz Elizabeth Fadel, 59, colega de turma. A mesma percepção teve Maria Helena de Souza Fontes, 65, colega do curso de psicanálise, entre 1981 e 85. Marta já era conhecida como sexóloga, era apresentadora de TV. "Ela nunca se colocou em uma situação especial", diz.
Ex-colegas ficaram de queixo caído quando a viram despontar na política. "Fiquei absolutamente surpresa", diz Regina Maria Prado Leite Erbolato, 61.
"Ser psicóloga e psicanalista me beneficiou na política para assegurar a harmonia entre uma equipe e eliminar arestas", afirma Marta.
GILBERTO KASSAB
O sobrenome Kassab é quase uma dinastia na Escola Politécnica da USP. Dos 8 irmãos, 7 são engenheiros. Na universidade, apesar do jeitão de CDF, Gilberto Kassab era popular. Liderava negociações com professores para mudança de data de provas e para o rachão, o futebol de sábado, mas nunca tentou se eleger para o grêmio.
| Arquivo Pessoal |
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| Kassab (centro) Liderava negociações com professores para mudar data de provas |
Ver o ex-colega na prefeitura não foi surpresa para a galera da Poli. Um dos indícios estava no fato de ter cursado economia em paralelo (1982-86).
O assunto é espinhoso para o ex-colega Marco Antonio Santori. "Não quero falar sobre o animal político em que o Kassab se transformou." Já Renato Fabiane acompanhou Kassab num evento, em 1984, na Associação Comercial de São Paulo. "Vi que ele se sentia muito bem naquele ambiente", diz Renato.
Num país governado por um presidente sem formação universitária, Kassab prefere não causar polêmica. "O que forma o político não é apenas o diploma, mas o caráter e a inteligência. E o presidente Lula é uma pessoa inteligente", diz ele.
GERALDO ALCKMIN
O neurologista Jorge Ricardo da Costa Neves, 58, lembra bem das dúvidas do colega: "Jorginho, tô num mato sem cachorro. Fui convidado para ser candidato à prefeitura. Não sei se aceito", confidenciou-lhe Geraldo Alckmin, então com 24 anos e no último ano da Faculdade de Medicina de Taubaté.
| Arquivo Pessoal |
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| Geraldo Alckmin foi eleito prefeito de Pindamonhangaba no último ano de medicina |
Aceitou o convite e foi eleito prefeito de Pindamonhangaba, pelo MDB, em 1977, no mesmo ano em que pegou o diploma.
As conversas entre os amigos eram sobre medicina, garotas e política. "Geraldo não era de direita, mas era menos à esquerda do que eu", diz Marcos Lindenberg Neto, 56, sanitarista e geriatra. Foi eleito tesoureiro do diretório acadêmico.
A primeira especialidade que Alckmin imaginou seguir foi obstetrícia. Depois optou pela anestesia. "Fiz a especialização porque não pretendia seguir a carreira de político", diz o tucano, que aplicou 3.000 anestesias em sua curta carreira. "Você aprende que médico tem de gostar de gente."
PAULO MALUF
Em 1950, quando ingressou em engenharia civil na Escola Politécnica aos 19 anos, Paulo Maluf conseguiu convencer o professor mais enérgico a mudar a data da prova. "Ouvi o diálogo e comentei com um colega: 'Esse menino vai longe'. E foi, né?", lembra Augusto Vasconcelos, 85, ex-professor da Poli.
| Reprodução |
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| Maluf ingressou em engenharia civil na Escola Politécnica aos 19 anos, em 1950 |
O estudante promissor era resistente às derrotas. Nos quatro anos de curso, sempre tentou ser eleito para algum cargo. No primeiro ano, foi derrotado por um rival tão popular quanto ele: Carlos Zarattini (o ator Carlos Zara, morto em 2002).
No ano seguinte, lá estava concorrendo de novo. Virou representante da classe. Maluf tomou gosto pela coisa, embora tenha começado como prefeito e governador biônico na ditadura militar. As caronas em seu Chevrolet Belair também são famosas. "Íamos uns cinco embora de carro com ele", recorda-se Fábio D'Império, 79. O único que nunca entrou no carro foi Mario Covas, que se formaria um ano depois de Maluf.
O diploma é motivo de orgulho para ele. "Minhas pontes nunca caíram, minhas estradas não ficaram esburacadas."
Colaborou GUSTAVO FIORATTI, da Revista
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Quando será que essas pessoas vão colocar os pés no chão e tirar a cabeça das nuvens.
Gabeira só não ganhou por que Paes teve apoio dos evangélicos do Crivella.... Simples assim...
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