Com crise norte-americana, Mendes e Mantega discutem cortes no Orçamento para o Judiciário
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, descartou nesta quinta-feira eventuais cortes no Orçamento Geral da União relativos ao Judiciário em decorrência da crise financeira norte-americana.
Mendes disse que se reuniu ontem à noite com o ministro Guido Mantega (Fazenda) para analisar a conjuntura econômica a partir das decisões do governo e do Congresso dos Estados Unidos.
"Não vamos falar sobre isso pelo amor de Deus. Pelo amor de Deus. Não se cogitou disso. Eu nem sabia que o Supremo estava em cogitação. Daqui a pouco vão dar manchete [informando] que eu admiti essa possibilidade. Eu não cogitei de orçamento até agora", afirmou Mendes.
Desde o agravamento da crise econômica nos Estados Unidos, técnicos da equipe econômica brasileira avaliam a hipótese de eventuais cortes no orçamento para adequar a conjuntura nacional a efeitos provocados pelo novo cenário econômico.
De acordo com Mendes, o ministro da Fazenda fez um relato sobre o cenário econômico mundial e tratou também de questões tributárias --objetos de ações em tramitação no STF.
"É importante conhecer as dimensões da crise e como ela repercute no país. É, a partir daí, que poderemos conversar sobre outras questões. A essa altura [é preciso observar a possibilidade de ocorrer o] desemprego, que possa ocasionar a recessão, é mais importante do que pensar em cortes para o Judiciário", disse Mendes.
Em seguida, o presidente do STF afirmou: "É claro que começam a falar sobre a redução das exportações e, a partir daí, obviamente pode se imaginar que pode haver reflexos". Mas não detalhou o que Mantega teria relacionado como reflexos da crise durante a conversa de ontem à noite.
Para a equipe econômica, entre os temas que interessam ao governo estão as ações diretas de inconstitucionalidade encaminhadas por alguns partidos de oposição contra o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e os recursos sobre perdas de investidores em decorrência de planos econômicos de governos anteriores, como Bresser e Verão, entre outros.
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