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Brasil
04/10/2008 - 10h25

Governo defende reforma política para evitar mudanças freqüentes; ouça Tarso

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GABRIELA GUERREIRO
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

O governo defende a aprovação de uma reforma política para acabar com as constantes modificações no texto constitucional. O ministro Tarso Genro (Justiça) disse que apenas a aprovação de uma ampla reforma com apoio do Congresso Nacional será possível encerrar com as distorções presentes na Constituição de 1988 --entre elas a de não garantir um equilíbrio total entre os três Poderes.

Tarso fala da Constituição

"A relação entre os Poderes nunca foi uma relação linear. Uma hora existe um protagonismo maior do Executivo, outra hora do Legislativo, hora do Judiciário. A grande questão que vai proporcionar o desbloqueamento do sistema político no Brasil e vai desbloquear inclusive algumas arestas que têm no equilíbrio entre os poderes que permanecem desde 1988 é uma reforma política", disse Tarso.

Lula Marques/Folha Imagem
José Sarney e Ulysses Guimarães, após a assinatura da promulgação da Constituição
José Sarney e Ulysses Guimarães, após a assinatura da promulgação da Constituição

Para o ministro, a reforma política poderá dar "legitimidade à produção normativa da legalidade", com maior autonomia ao Poder Legislativo. "O Legislativo tem sua legalidade, mas pode se encontrar em vias de esgotamento. Não por causa das pessoas que estão lá, mas em função das deformações do sistema político atual", afirmou.

Tarso reconheceu que, nos últimos meses, o Judiciário vem assumindo posição de destaque perante os três Poderes diante da incapacidade do Congresso de legislar sobre os principais assuntos em pauta no país.

"Neste momento, está ocorrendo um protagonismo especial do Judiciário. Isso é bom porque à medida que o Poder Judiciário assume esse protagonismo, ele recoloca na sociedade a questão fundamental do relacionamento entre os poderes e alerta o Legislativo de que determinados vácuos de legalidade têm que ser preenchidos", afirmou.

Apesar de eventuais desequilíbrios, Tarso disse que o texto constitucional é sólido e garante vitalidade à democracia, sem a possibilidade do Brasil se tornar um "Estado policial".

"Precisamente neste momento aparecem questões enterradas há 20 anos: qual o poder legal das agências, qual o regime de colaboração que elas têm. Mas quando essas afirmações aparecem mostram que estamos muito longe de nos tornarmos um Estado policial. Pelo contrário, estamos dando solidez às instituições da democracia", disse ele.

Para o constitucionalista José Afonso da Silva, que assessorou os deputados que elaboraram a Constituição de 1988, a reforma política poderá reformular aspectos da Carta Magna que precisam ser revistos.

"Uma reforma política de profundidade seria conveniente, reformulando o presidencialismo, o bicameralismo, com adoção de um bicameralismo desigual em que as Casas do Congresso Nacional não sejam duplicação das mesmas funções, a redução para 420 do número de representantes na Câmara dos Deputados, ente outras mudanças", afirmou.

Márcia Zoet/Folha Imagem
José Richa, José Serra e Mário Covas, entre outros constituintes, durante sessão da Assembléia Constituinte, em agosto de 1988
José Richa, José Serra e Mário Covas, entre outros constituintes, durante sessão da Assembléia Constituinte, em agosto de 1988

Execução

Entre as tarefas do Executivo está a implementação dos principais artigos da Constituição Federal. Cabe ao governo federal assegurar aos brasileiros princípios básicos previstos pelo texto constitucional, como o direito à liberdade, a garantia do desenvolvimento nacional, a erradicação da pobreza e redução das desigualdades sociais e regionais --assim como promover o bem de todos sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e outras formas de discriminação.

Ao promulgar a Constituição de 1988, o presidente da Assembléia Nacional Constituinte, Ulysses Guimarães, alertou sobre a importância do texto no cotidiano dos brasileiros.

"A Constituição pretende ser a voz, a letra, a vontade política da sociedade rumo à mudança. Que a promulgação seja o nosso grito, mudar para vencer. Muda Brasil", disse Guimarães ao erguer a recém-aprovada Constituição no 5 de outubro de 1988.

Comentários dos leitores
Marcio Fontes (19) 06/10/2009 00h17
Marcio Fontes (19) 06/10/2009 00h17
Se o Sarney quer a mudança da Constituição no aspecto político/administrativo, certamente é para ele se aproveitar ainda mais das benécies burocráticas, ajudando seus aliados e seus familiares, a despeito do seu Estado e do povo brasileiro. Temos que ficar com uma pulga atrás da orelha, quando esse "senhor" fala. sem opinião
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Alziro Ribeiro da Silva (7) 05/10/2009 20h55
Alziro Ribeiro da Silva (7) 05/10/2009 20h55
Lendo declaração de certos politicos a gente fica com pena deles, dizer que a constituição delegou direitos a saude e não indicou fontes de recursos e zombar do povão, pagamos 40% em impostos. sem opinião
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Rui Ruz Caputi Caputi (1636) 05/10/2009 19h53
Rui Ruz Caputi Caputi (1636) 05/10/2009 19h53
Nossos políticos são habeis na arte da disuassão, em distrair o povo dos reais e inadiáveis problemas brasileiros.
O erro não está na constituição, ou não totalmente. Talvez venha a responder por 10 % da encrenca que aí está.
Por que esperou-se 21 anos da promulgação da carta para vir essa avalanche de impropérios contra nossa carta magna?
Querem tramar algo?
O povo já não é mais tão bobinho. Quando os politicos falam um pingo, o povo já tem uma frase completa.
Não, definitivamente o defeito não é da constituição,. mas sim dos que foram constituidos de poder emanado do povo.
A questão se dá com a apatia do cidadão, esse tanto faz, qualquer um, é isso o que nos penar enquanto cidadãos.
A reforma que precisa ser feita é de carater, honra e patriotismo. Gostei quando o Pelé falou em Copenhagem que dá a vida ao nosso país.
É isso que faltam mais Pelés, mais bom exemplo de honestidade, virtude e cidadania.
sem opinião
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