Brasil
04/10/2008 - 10h31

Especialistas defendem reformas e "enxugamento" da Constituição

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ANDRÉ ZAHAR
colaboração para a Folha Online, no Rio

A estabilidade das instituições democráticas e a consolidação dos direitos individuais foram, na avaliação de especialistas, os dois principais legados da Constituição de 1988. Em contrapartida, eles destacam que, 20 anos depois da promulgação da sétima Carta Magna brasileira, ainda há necessidade de implementar reformas e "enxugar" detalhes excessivos da lei.

Márcia Zoet/Folha Imagem
José Richa, José Serra e Mário Covas, entre outros constituintes, durante sessão da Assembléia Constituinte, em agosto de 1988
José Richa, José Serra e Mário Covas, entre outros constituintes, durante sessão da Assembléia Constituinte, em agosto de 1988

Para o advogado Luís Roberto Barroso, professor de Direito Constitucional da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), a transição para a democracia no Brasil foi "mais tranqüila e com menos sobressaltos" que a de outros países latino-americanos que passaram por processos semelhantes.

"A Constituição propiciou 20 anos de estabilidade institucional. Isto pode parecer óbvio paras as novas gerações, mas a tradição brasileira era de golpes, contragolpes, aquartelamentos, quebras da legalidade", lembra o professor.

Barroso ressalta ainda a proteção e promoção dos direitos fundamentais, especialmente daqueles individuais e políticos.

"Os direitos sociais relacionados à educação, saúde e assistência social também tiveram um grande avanço no Brasil. A Constituição previu modelos ambiciosos e inclusivos. Embora tenhamos ficado aquém do desejável, se olharmos de onde partimos e onde chegamos o processo foi notável", acrescenta Barroso.

Lula Marques/Folha Imagem
Ulysses Guimarães exibe a nova Constituição Federal de 1988
Ulysses Guimarães exibe a nova Constituição Federal de 1988

O advogado tributarista Ives Gandra Martins --autor dos livros "Comentários à Constituição do Brasil" -- também enxerga avanços da Constituição de 1988 não apenas sobre as seis anteriores mas também na comparação com às de países vizinho.

"Equador, Bolívia e Venezuela querem impor uma nova Constituição. A grande diferença deles para o Brasil é que aqui temos três Poderes que se auto-controlam. Lá eles têm o poder Executivo os outros dois são minúsculos. Quando um poder não pode controlar o outro, na prática não se tem democracia", diz.

Martins destaca que a Carta sobreviveu a sucessivos períodos de crise. "Em 20 anos, esta Constituição passou por impeachment, planos econômicos, anões do Orçamento e também permitiu afastamento de ministros, punição contra magistrados e alternância de poder."

Os dois especialistas também convergem nas crítica. Para ambos, a Constituição peca pelo detalhismo excessivo e exige com urgência de reformas política e tributária.

Barroso destaca que as minúcias do texto constitucional fazem com que mudanças pontuais passem a depender de emendas, e, portanto de aprovação por maioria absoluta nas duas casas do Congresso.

"O texto excessivamente analítico cria dificuldades para a governabilidade. Se nos países em geral as lideranças governam com maiorias simples, no Brasil o processo passa pela formação de 3/5 nas duas Casas. Essa é uma das causas da relação de negociação permanente entre Executivo e Legislativo, que condiciona o processo político a um varejo de interesses particulares", diz.

Martins diz que a Constituição permitiu "a criação de um federação que é maior do que o PIB [Produto Interno Bruto] brasileiro".

"Nós criamos de 3.900 municípios e depois fomos para 5.500. Todos os Poderes aumentaram. O presidente tem a possibilidade de criar os ministérios que quiser. Fomos crescendo numa burocracia que levou o Banco Mundial a declarar que o contribuinte do mundo que mais perde tempo em obrigações desnecessárias é o brasileiro. Este defeito, que leva a carga tributária a 37% do PIB, tem que ser corrigido", critica.

Comentários dos leitores
Marcio Fontes (19) 06/10/2009 00h17
Marcio Fontes (19) 06/10/2009 00h17
Se o Sarney quer a mudança da Constituição no aspecto político/administrativo, certamente é para ele se aproveitar ainda mais das benécies burocráticas, ajudando seus aliados e seus familiares, a despeito do seu Estado e do povo brasileiro. Temos que ficar com uma pulga atrás da orelha, quando esse "senhor" fala. sem opinião
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Alziro Ribeiro da Silva (7) 05/10/2009 20h55
Alziro Ribeiro da Silva (7) 05/10/2009 20h55
Lendo declaração de certos politicos a gente fica com pena deles, dizer que a constituição delegou direitos a saude e não indicou fontes de recursos e zombar do povão, pagamos 40% em impostos. sem opinião
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Rui Ruz Caputi Caputi (1636) 05/10/2009 19h53
Rui Ruz Caputi Caputi (1636) 05/10/2009 19h53
Nossos políticos são habeis na arte da disuassão, em distrair o povo dos reais e inadiáveis problemas brasileiros.
O erro não está na constituição, ou não totalmente. Talvez venha a responder por 10 % da encrenca que aí está.
Por que esperou-se 21 anos da promulgação da carta para vir essa avalanche de impropérios contra nossa carta magna?
Querem tramar algo?
O povo já não é mais tão bobinho. Quando os politicos falam um pingo, o povo já tem uma frase completa.
Não, definitivamente o defeito não é da constituição,. mas sim dos que foram constituidos de poder emanado do povo.
A questão se dá com a apatia do cidadão, esse tanto faz, qualquer um, é isso o que nos penar enquanto cidadãos.
A reforma que precisa ser feita é de carater, honra e patriotismo. Gostei quando o Pelé falou em Copenhagem que dá a vida ao nosso país.
É isso que faltam mais Pelés, mais bom exemplo de honestidade, virtude e cidadania.
sem opinião
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