Para especialista, campanha de Kassab sobre saúde ajudou a conquistar votos
MARINA NOVAES
colaboração para a Folha Online
Apesar do crescimento contínuo nas últimas pesquisas de intenção de voto, o resultado do primeiro turno das eleições em São Paulo pegou de surpresa os eleitores paulistanos. Líder nas pesquisas de intenção de voto, Marta Suplicy (PT) ficou levemente atrás do adversário Gilberto Kassab (DEM), com 32,79% dos votos válidos, enquanto o prefeito e candidato à reeleição teve 33,61% dos votos na capital paulista.
Para o especialista em ciências políticas Alberto Carlos Almeida, autor do livro "A Cabeça do Eleitor" (Editora Record), o resultado surpreendente se deve à uma acertada estratégia do candidato: martelar suas propostas e realizações na área da saúde. "Durante a campanha inteira foi falado insistente sobre a questão da saúde. Em duas frentes: o que foi feito e o ainda pode ser feito", disse Almeida. "Ele [Kassab] fez com que o tema fosse abordado até nos programas dos vereadores, repetidas vezes", afirma.
Segundo Almeida, a tática fez com que Kassab conseguisse se infiltrar em um eleitorado tradicionalmente petista --entre a população de classe social baixa-- daí o crescimento do candidato democrata sobre o eleitorado de Marta. De acordo com o especialista, a estratégia é muito semelhante à do governador José Serra (PSDB) em 2004, quando o tucano concorreu à Prefeitura de São Paulo contra a petista.
"A Marta perdeu [as eleições municipais] em 2004 por conta da saúde, porque a a campanha de Serra bateu muito na questão da saúde. Essa foi a falha da candidata", diz.
Uma das principais bandeiras de Kassab nestas eleições foi a divulgação das AMAs (Assistência Médica Ambulatorial) --construídas durante a gestão PSDB-DEM, e a insistência na proposta de construir hospitais na região de Parelheiros, na zona sul da cidade.
Já a campanha de Marta optou por priorizar a divulgação de duas realizações da gestão petista: o Bilhete Único, abordando a questão do transporte público, e os CEUs (Centros Educacionais Unificados), carro-chefe da administração de Marta na área da educação. Outra proposta da Marta é a instalação de internet gratuita na cidade, uma tentativa de ganhar espaço entre os eleitores de classe-média.
"A questão da saúde é a que mais sensibiliza o eleitorado mais pobre, porque é ainda uma das maiores deficiências de São Paulo", afirma.
De acordo com informações do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o candidato democrata teve maior número de votos inclusive na zona leste, reduto eleitoral da adversária, onde liderou em 11 das 21 zonas eleitorais. Já nas regiões norte, central e centro sul, Kassab venceu em todas as dez zonas eleitorais. A única região onde Marta teve mais votos foi a Sul --nove, contra sete de Kassab. Das 57 zonas eleitorais do município, o prefeito venceu em 34.
Estratégia
Segundo Almeida, para manter-se na liderança no segundo turno, Marta também deveria abordar de forma intensa o discurso sobre a saúde. No entanto, desde que as pesquisas começaram a sinalizar que o embate seria entre a ex-prefeita e o atual prefeito, a petista partiu para o ataque e busca agora associar Kassab ao ex-prefeito Celso Pitta (1997-2000), de quem o adversário foi secretário de Planejamento.
Para o especialista, sobretudo entre o seu eleitorado tradicional, a estratégia pode não ser tão efetiva. Isso porque, a tendência --de modo generalizado-- é que o eleitor de classe média optasse ou pelo candidato do DEM ou pelo candidato derrotado nestas eleições Geraldo Alckmin (PSDB). "Eles [os eleitores] simplesmente escolheram aquele em que acreditam ter forças de derrotar o PT", disse.
"Historicamente, a classe-média e os eleitores ricos têm resistência ao PT. Por isso, a Marta deveria focar-se nos temas que sensibilizam o eleitorado onde ela é forte, porque é neste meio que Kassab tem se crescido", explica Almeida.
Com 22,48% dos votos, Alckmin não conseguiu seguir para a segunda etapa da corrida eleitoral. Para o cientista político, a grande falha da campanha tucana foi não ter previsto que a batalha eleitoral seria uma "disputa de realizações municipais".
Segundo a análise do especialista político, um dos fatores que levaram à derrota de Alckmin foi o fato de o tucano ter apenas realizações estaduais para exibir, enquanto Marta e Kassab brigavam sobre os números do município. "O eleitor tende a escolher entre as realizações locais", afirma.
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Quando será que essas pessoas vão colocar os pés no chão e tirar a cabeça das nuvens.
Gabeira só não ganhou por que Paes teve apoio dos evangélicos do Crivella.... Simples assim...
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