Medida provisória dá poderes excessivos ao Executivo, diz relator da Constituinte
DIANA PIMENTEL
MARINA NOVAES
colaboração para a Folha Online
Uma das maiores críticas à Constituição Federal --que completou 20 anos no último domingo (5)-- é a existência da MP (medida provisória), que permite ao presidente da República legislar, provisoriamente, sem o Congresso Nacional. Em debate promovido nesta terça-feira pela Folha, especialistas defenderam a reavaliação da necessidade da MP na Constituinte --já que ela foi pensada para o parlamentarismo--, mas foram cautelosos ao criticar os responsáveis pela Carta Magna.
De acordo com Bernardo Cabral, relator da Assembléia Nacional Constituinte e à época deputado pelo PMDB-AM, em 1988, os parlamentares previam que a Constituição passasse por uma revisão cinco anos mais tarde, quando seria possível retirar do texto a polêmica MP --o que não foi feito. "Seria a oportunidade de quebrar e cortar as arestas, infelizmente, não foi possível fazê-lo", disse.
Segundo Cabral, o ministro Nelson Jobim (Defesa) --que também participou do debate--, pediu ao senador Humberto Lucena que a retirasse a MP do texto constitucional. "Senão qualquer que seja o presidente da república vai ter muito mais força que qualquer ditador que tiver passado por esse país", afirmou o relator, em referência aos argumentos de Jobim, então parlamentar constituinte do PMDB-RS.
E defendeu-se das críticas à Constituição. "Quem não conhece diz que nós fizemos uma aberração colocando no sistema presidencial a medida provisória", disse.
O especialista Ives Gandra da Silva Martins também admite que a MP, adotada dentro do presidencialismo --modelo de governo brasileiro-- cria poderes "enormes" ao presidente da República. "[A MP] Isto criou um Constituição teoricamente preparada para o sistema parlamentar, mas ao adotar o sistema presidencial doou uma força enorme ao poder Executivo", afirmou.
Jobim ponderou sobre as críticas à Constituição, e afirmou que uma das grandes dificuldades da Constituinte era conciliar as propostas de todos os parlamentares. "É muito fácil fazer uma Constituição da Academia. [...] Mas é necessário formar a vontade da maioria. E a vontade da maioria tem um preço: a ambigüidade", afirmou.
História
Foi no dia 1º de fevereiro de 1987 que 559 parlamentares começaram os trabalhos para aprovar a nova lei suprema brasileira, a sétima desde a independência do país.
Foram necessários 18 meses de discussões até que a Carta fosse finalmente promulgada no dia 5 de outubro de 1988. Era substituída a Constituição imposta pelo regime militar em 1967.
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O erro não está na constituição, ou não totalmente. Talvez venha a responder por 10 % da encrenca que aí está.
Por que esperou-se 21 anos da promulgação da carta para vir essa avalanche de impropérios contra nossa carta magna?
Querem tramar algo?
O povo já não é mais tão bobinho. Quando os politicos falam um pingo, o povo já tem uma frase completa.
Não, definitivamente o defeito não é da constituição,. mas sim dos que foram constituidos de poder emanado do povo.
A questão se dá com a apatia do cidadão, esse tanto faz, qualquer um, é isso o que nos penar enquanto cidadãos.
A reforma que precisa ser feita é de carater, honra e patriotismo. Gostei quando o Pelé falou em Copenhagem que dá a vida ao nosso país.
É isso que faltam mais Pelés, mais bom exemplo de honestidade, virtude e cidadania.
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