Marcos Valério é suspeito de corromper policiais para livrar empresa de multa, diz PF
WANDERLEY PREITE SOBRINHO
colaboração para a Folha Online
O empresário Marcos Valério, um dos expoentes do mensalão, é suspeito de participar de um suposto esquema de corrupção envolvendo policiais federais, segundo Leandro Daiello Coimbra, superintendente regional da PF (Polícia Federal) no Estado de São Paulo, que atua na operação Avalanche, deflagrada na madrugada de hoje.
De acordo com Coimbra, Valério articulou a abertura de um inquérito fraudulento para livrar uma empresa --da qual é conselheiro-- de uma multa de R$ 105 milhões.
A empresa Praiamar Indústria, Comércio e Distribuição Ltda. --que pertence à Cervejaria Petrópolis, da região de Sorocaba (no interior de São Paulo)--, de propriedade de Walter Faria, foi autuada por dois fiscais da Receita Estadual a pagar R$ 105 milhões. Valério, conselheiro da empresa, teria contratado dois advogados que teriam subornado policiais federais de uma delegacia em Santos (litoral paulista) para que fosse aberto o inquérito com o intuito de desmoralizar os fiscais.
De acordo com Coimbra, a polícia apreendeu uma alta quantia na casa de um dos advogados de Valério. "Na casa de um deles [a PF] encontrou mais de meio milhão [de reais]." No dia 13 de agosto deste ano, R$ 1 milhão também foi apreendido no aeroporto de Sorocaba e seria levado para Santos para pagar o grupo.
A quadrilha --formada por dois policiais civis, três policiais federais na ativa, dois policiais federais aposentados, três advogados, três despachantes aduaneiros, dois empresários, um servidor e Marcos Valério-- deve responder pelos crimes de corrupção ativa e passiva, extorsão, formação de quadrilha, contrabando e descaminho, quebra de sigilo e divulgação de dados sigilosos. Se condenados por todos os crimes, as penas ultrapassam 15 anos, de acordo com a PF.
Valério foi preso temporariamente. Ele ficará na cadeia por cinco dias prorrogáveis por mais cinco. Preso em Minas Gerais, ele deve ser transferido ainda hoje para a PF em São Paulo.
Segundo o advogado de Valério, Marcelo Leonardo, as acusações da PF só serão comentadas depois que o inquérito for analisado por ele. "Não tivemos acesso ao inquérito. Ainda não podemos nos manifestar", afirmou o advogado à Folha Online.
Grupos
Este era apenas um dos três braços da operação, que acontece simultaneamente em São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo. O primeiro deles atuava por meio de um empresário da região do Brás (centro de São Paulo), que, munido de informações privilegiadas sobre algumas empresas, fazia denúncia ao fisco. Com os dados, o grupo extorquia as empresas em troca solução para o caso porque tinha contatos na PF e nas Receitas Estadual e Federal.
Já o segundo grupo fraudava tributos de importação por meio de empresas fantasmas com a ajuda de despachantes aduaneiros no porto de Santos.
Detenções
Segundo o superintendente, foram 17 prisões, sendo oito preventivas e nove temporárias. Em São Paulo foram 13 detenções e em Minas Gerais, quatro.
Foram decretadas nove prisões temporárias: Áfonos José Penteado Aguiar, Eduardo Roberto Peixoto, José Roberto do Nascimento, Youssef Nakamori do Nascimento, Giorgio Khouri Zarif, Leandro Marinny Lage Balducci, Eloá Leonor da Cunha Vellozo, Marcos Valério Fernandes de Souza e Rogério Lanza Tolentino.
As oito prisões preventivas foram decretadas contra Francisco Pellicel Junior, Edisom Alves Cruz, Ildeu da Cunha Pereira Sobrinho, Paulo Endo, Daniel Ruiz Balde, Fabio Tadeu dos Santos Gatto, Silvio de Oliveira Salazar e Antonio Vieira da Silva Hadano.
Apesar de ser dono da cervejaria, Walter Faria, teve o pedido de prisão temporária contra ele negado pela juíza Paula Mantovani Avelino, da 1ª Vara Criminal Federal.
"É de se reconhecer que seu nome não é mencionado em nenhum diálogo e nem foi interceptada conversa mantida por ele próprio", afirmou a juíza. "Pelas evidências colhidas até o momento, percebe-se que a prática das atividades criminosas competia a outras pessoas e não a Walter, de modo que, com a prisão destas, pode-se concluir que o investigado terá muito mais dificuldade em cometer ilícitos", concluiu.
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Manoel de Brito Oliveira
Ilha Solteira-SP
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