Kassab vincula Marta ao mensalão; petista associa prefeito a Pitta e Maluf
da Folha Online
Troca de ataques e acusações deram o tom do debate na TV Bandeirantes, o primeiro do segundo turno das eleições em São Paulo. A candidata petista Marta Suplicy optou por uma estratégia agressiva, e buscou associar Kassab aos ex-prefeitos Paulo Maluf (PP) e Celso Pitta (confira galeria de fotos do debate).
"Eu ando com [presidente Luiz Inácio] Lula [da Silva], tenho muito orgulho disso. Você anda com [Paulo] Maluf e [Celso] Pitta, é importante sim a população saber. A minha [trajetória], não tenho nenhum problema em assumir."
O prefeito, no entanto, lembrou que Maluf apoiou Marta em 2004 e hoje está na base do governo federal, enquanto ele se afastou de Maluf e Pitta.
| Rubens Cavallari/Folha Imagem |
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| Em debate, Marta parte para o ataque, Kassab diz que petista propõe "factóides" |
Já Kassab tentou associar Marta a pessoas ligadas ao escândalo do mensalão. Ele afirmou que a petista tem em sua equipe "aquele do dólar da cueca" e destacou: "Ela foi assessorada por muito tempo pela esposa do Delúbio [Soares, ex-tesoureiro do PT]", afirmou.
Internet
O democrata acusou a ex-prefeita de preferir investir em internet gratuita a construir hospitais.
"Eu queria que você explicasse porque essa prioridade de gastar tanto em um projeto que é tão difícil de ser implantado", questionou Kassab. "Não tem custo elevadíssimo. São R$ 64 milhões [...] E se tivesse [custo elevado] eu faria também, porque eu fiz os telecentros", respondeu a candidata, que afirmou ainda que os eleitores das periferias têm direito a educação e à internet.
"A gente tem não só que sonhar, tem que fazer e vou fazer", afirmou a petista. "É perfeitamente factível e eu vejo que vocês morrem de medo", disse a ex-prefeita, em tom de deboche.
"Por isso é importante a campanha. A Marta quer implantar esse projeto. Eu não, eu vou implantar mais hospitais, vou criar mais escolas. A candidata Marta vai implantar a internet, que parece aquele 'CEU Saúde' da última campanha, um factóide", afirmou Kassab, em referência a uma das propostas de Marta nas eleições de 2004.
"Não é um factóide. Eu não fui reeleita e não pude fazer", rebateu Marta. "Me espanta você falar que eu vou fazer internet gratuita e não vou fazer hospital. Ué, a saúde tem uma verba própria", respondeu Marta. "Você tá pensando muito pequeno. Tem cabeça muito pequena. Tem que pensar grande", disse.
| Folha Imagem |
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| Petista Marta Suplicy diz que prefeito Gilberto Kassab está travestido de tucano |
Vetos
Marta afirmou que Kassab vetou projetos que hoje apresenta como propostas de governo em seu programa eleitoral. Ao questioná-lo sobre isso, a candidata leu o veto do prefeito ao projeto de ampliação da licença maternidade para funcionárias públicas e indagou: "Em qual Kassab o eleitor deve acreditar?".
"São dois Kassabs, um que veta e o outro que vai na propaganda e diz que vai fazer licença maternidade para as funcionárias públicas. [...] Em quem o eleitor deve acreditar?", questionou Marta.
Na seqüência, o candidato respondeu que, à época, o projeto era inconstitucional pelo modo como foi apresentado, mas que voltou a apresentá-lo. "Tem tanta coerência o que eu falei aqui que o projeto foi encaminhado [à Câmara]", rebateu Kassab.
Pedágio urbano
A petista questionou Kassab sobre o projeto da prefeitura de implantar o pedágio urbano na capital paulista.
O democrata afirmou que houve um equívoco no projeto e esqueceram de retirar o item. "Mas o item já foi retirado. Então, enquanto eu for prefeito não haverá pedágio urbano. Não criaremos pedágio urbano nem novas taxas na nossa gestão."
O democrata lembrou ainda que a população aprova sua gestão. "A população aprova a nossa gestão, veja as pesquisas, veja a votação, a população está contente sim com a nossa gestão e continuaremos fazendo."
Bilhete único
Kassab questionou se Marta vai trazer de volta o bilhete único recarregado na catraca, que, segundo o prefeito, é um sistema alvo de fraudes.
Marta respondeu que o sistema vai ser restabelecido caso seja eleita, e que o prefeito fez "maldade" com a população. "Você fez uma coisa perversa, se havia fraude, controla, não tira benefício das pessoas. Penso nas pessoas pobres, ao contrário de você", disse.
O democrata rebateu e afirmou que não controla fraude e sim combate e que graças a abolição do sistema foi possível levar melhorias para o transporte. "Não controlo fraude, combato mesmo. [...] Vou sim combater as fraudes porque isso é fazer justiça social", disse.
Travestido
A petista disse que o prefeito está travestido de tucano e que sua campanha quer enganar a população.
Marta afirmou que Kassab é o último líder do PFL [nome antigo do DEM] e que a legenda foi extinta no Norte e Nordeste. "É o partido dos coronéis do Nordeste, que foram responsáveis pelo atraso da região", afirmou.
A candidata mais uma vez questionou a vida política de Kassab, que respondeu dizendo que seu governo tem aprovação recorde --61% consideram ótimo ou bom, segundo pesquisa Datafolha.
Segundo o democrata, a avaliação é conseqüência do bom trabalho de sua equipe, que administra com rigor os recursos públicos.
Marta foi questionada por um jornalista sobre o fato de ela acusar o prefeito de não ter imagem própria, apesar de sempre recorrer ao presidente Lula e ministros do governo.
"Quando se é ministro, você conhece muito bem os problemas da cidade. Eles são parceiros, temos os mesmos interesses em fazer a cidade se desenvolver", afirmou.
Direito de resposta
Marta reagiu com irritação ao direito de resposta concedido pela emissora a Kassab. O pedido de direito de resposta foi analisado pela comissão de juristas da emissora, que também negou à petista dois pedidos de direito de resposta.
"Nã-nã-não. Ele pediu direito de resposta. Ele me chamou de mentirosa", reagiu a petista, ao ser comunicada pelo jornalista Boris Casoy que Kassab poderia responder às declarações da ex-prefeita sobre sua ligação com o ex-prefeito Celso Pitta.
"Quero lembrar que o direito de resposta só pode ser pedido quando o candidato se sentir pessoalmente ofendido", explicou Casoy.
Educação
Kassab ironizou a resposta de Marta, questionada sobre suas propostas para a educação. "A qualidade está muito ruim na cidade. Vamos ter que investir primeiro na condição de trabalho do professor.[...] Além de fazer a rede CEU [Centro Educacional Unificado], que é um conceito que a administração Kassab não entendeu", disse Marta.
"Quero dizer à candidata Marta que meu secretário de Educação, Alexandre Schneider, deve ter ficado horrorizado quando você disse que vai investir em professores. [...] A ex-prefeita errou quando criou CEUs primeiro, quando deveria ter investido nos professores e acabado com as escolas de lata", afirmou Kassab.
Na seqüência, Marta rebateu e disse que o prefeito deu uma "escorregada". "Agora você deu uma escorregada quando disse que eu não devia ter feito os CEUs. Ora, eu não só fiz os CEUs como comecei a acabar com as escolas de lata que você ajudou a criar", afirmou.
Transporte público
Ambos voltaram a afirmar que não vão reajustar o valor da passagem do ônibus na capital paulista no próximo ano.
"Graças a nossa administração, em novembro vai fazer dois anos que não reajustamos a passagem. [...] Isso nos permitiu afirmar e será cumprido que não vamos reajustar a passagem no próximo ano. É saber administrar os recursos públicos", disse Kassab.
"Eu quero me comprometer aqui com a passagem de 2009. Porque eu já vi que estão criando uma boataria que eu vou aumentar a passagem, que eu vou criar taxas. [...] Eu não vou fazer taxa de nada na cidade", afirmou Marta, arrancando gargalhadas da platéia.
"Encontramos a CET [Companhia de Engenharia de Tráfego] com uma dívida de R$ 100 milhões. [...] Ela ia acabar com a CET. Ela deu entrevistas falando que ia acabar com a CET, e agora vem aqui falando que vai investir na CET", atacou Kassab.
Debate
Em diversos momentos do debate, o jornalista teve de pedir silêncio à platéia.
A cada resposta dos candidatos, simpatizantes de Marta ou de Kassab reagiam com gargalhadas, palmas ou vaias --o que não é permitido pelo programa.
Os dois candidatos a prefeito da capital paulista vão participar de três debates na TV no segundo turno das eleições. Além do da Band, eles participarão de um na Record e outro na Globo.
No primeiro turno, os candidatos a prefeito de São Paulo participaram de três debates na TV, sendo dois na Band e um na Record. Um quarto debate, que ocorreria na quinta-feira (2), às vésperas do primeiro turno, na Globo, foi cancelado por falta de acordo entre os candidatos.
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Quando será que essas pessoas vão colocar os pés no chão e tirar a cabeça das nuvens.
Gabeira só não ganhou por que Paes teve apoio dos evangélicos do Crivella.... Simples assim...
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