Marta nega insinuações e diz que não viu inserção que questiona vida pessoal de Kassab
THIAGO FARIA
MARINA NOVAES
colaboração para a Folha Online
Primeira entrevistada do ciclo de sabatinas que a Folha realiza com os candidatos a prefeito de São Paulo no segundo turno, a ex-prefeita Marta Suplicy (PT) disse que não viu a propaganda de TV --veiculada desde ontem-- que questiona se o adversário Gilberto Kassab (DEM) é casado e se tem filhos. Marta disse que a propaganda é de responsabilidade do marketing da sua campanha.
| Danilo Verpa/Folha Imagem |
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| Marta diz que não tem preocupação sobre a vida privada de nenhum adversário político |
"A decisão está na mão do marqueteiro. [...] Eu nem vi a campanha no ar", disse ela na sabatina promovida hoje pela Folha.
Marta negou que a propaganda tenha insinuações veladas sobre a vida pessoal do prefeito. "Sou uma pessoa contra o preconceito. Da minha boca vocês nunca vão ouvir uma palavra de preconceito. [...] Mas eu acho que estão interpretando demais", afirmou Marta, ao ser questionada se o conteúdo da propaganda não era invasivo e preconceituoso.
Ela afirmou ainda que não tem preocupação sobre a vida privada de nenhum adversário político. "Para mim tanto importa ele ser casado, viúvo ou solteiro. As pessoas têm que saber."
Ela defendeu que a intenção do questionamento levado ao ar na propaganda foi revelar a trajetória política de Kassab e suas alianças com os ex-prefeitos Celso Pitta (PTB) e Paulo Maluf (PP).
Desde o início do segundo turno, a campanha petista vem buscando associar o candidato do DEM a Pitta, de quem Kassab foi secretário de Planejamento.
"Ontem no debate pude criar uma desconfiança na base do eleitorado. [...] Quando ele foi secretário do Pitta, ele foi o líder do movimento 'Reage Pitta' quando surgiu o escândalo dos precatórios", disse. "Você tem a maior cidade do país e estamos quase cometendo o erro que cometemos com o Pitta. [...] Eu tenho esse receio, acho que as pessoas devem saber", afirmou a petista.
Segundo Marta, "nem o marqueteiro" de Kassab conseguirá explicar a ligação do prefeito com Pitta.
Vida pessoal
Marta respondeu com irritação às perguntas pessoais direcionadas a ela. "O que eu queria colocar a público sobre a minha vida pessoal eu escrevi no livro e ponto. E esse é o único comentário que eu vou fazer sobre a minha vida pessoal. E é o último que você vai ouvir", afirmou a candidata, ao ser questionada sobre o impacto do divórcio do senador Eduardo Suplicy (PT) sobre sua derrota nas eleições de 2004.
Durante a sabatina, Marta disse ter sido uma das maiores vítimas de preconceito e invasão de privacidade por parte da imprensa. "A vida inteira, a pessoa mais invadida em sua privacidade fui eu", afirmou.
Taxas
A candidata também negou que irá criar novas taxas, caso seja eleita. "O Kassab faz uma inverdade ao dizer que eu vou cobrar taxa para isso [projeto de internet grátis sem fio]. Sou a única candidata que não vai cobrar taxa", disse Marta, que já afirmou ter se arrependido da criação dos impostos em sua gestão.
A ex-prefeita também ficou irritada com uma mulher que assistia à sabatina, que afirmou que Marta copiou a idéia de Kassab de isentar do ISS os profissionais autônomos de São Paulo. "Na campanha, eu exatamente por ter criado as taxas e por perceber que a cidade pode ser desonerada disse que iria estudar formas de desoneração, aí propus, e logo depois ele [Kassab] propôs e o Alckmin [Geraldo Alckmin, candidato do PSDB derrotado no primeiro turno] também propôs", disse à espectadora da platéia.
Atacada durante a campanha por ter criado taxas polêmicas --a petista é chamada freqüentemente de martaxa pelos adversários--, a ex-prefeita também acusou Kassab de ter criado novos impostos e, irritada, informou a eleitora que assistia à entrevista. "A senhora sabia que o Kassab criou taxas de 2% para os taxistas, para alfaiates, para músicos e outras categorias?"
Marta aproveitou para prometer anistiar quem ainda tem dívidas da taxa do lixo com a prefeitura. "Vou anistiar todas as contas [da taxa do lixo] de 2005", disse.
Cidade Limpa
Apesar dos ataques ao oponente, Marta elogiou a iniciativa da Lei Cidade Limpa, que considerou um "avanço para a cidade". No entanto, a petista fez algumas críticas ao projeto por, segundo ela, não ter incentivado os comerciantes a deixar a cidade mais bonita.
Questionada sobre o tema, Marta admitiu que poderá flexibilizar a lei para as igrejas. Na última sexta-feira (10) a ex-prefeita ouviu de um grupo de pastores evangélicos a reclamação de que a lei prejudicaria o acesso aos templos.
"Não recebi [outros pedidos de flexibilização, de outros setores]. Mas este [das igrejas] eu provavelmente vou fazê-lo. [...] Porque as igrejas evangélicas acolhem muita gente. As igrejas são diferentes, e eu consigo ter essa sensibilidade", afirmou a candidata, ao ser questionada se havia recebido outros pedidos de flexibilização da lei por parte de outros setores.
Apoio
Assim como tem feito desde o início da campanha, Marta voltou a afirmar que ela e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva são um "time".
Segundo Marta --que busca associar sua imagem a do presidente que conta com índices recordes de aprovação--, Lula já é um mito.
"Ele não está mais na nossa faixa. Ele já virou um mito, isso até internacionalmente", afirmou a ex-prefeita. A candidata também defendeu que, caso seja eleita, São Paulo contará com enorme apoio do governo federal. "Hoje a economia está muito melhor. Ele pode ajudar mais", disse.
Sabatinas
Durante uma hora e meia, a candidata respondeu a perguntas de quatro jornalistas --Ricardo Melo (secretário-assistente de Redação), Vera Guimarães Martins (secretária-assistente de Redação), Fernando de Barros e Silva (editor de Brasil) e Gilberto Dimenstein (colunista).
Além das perguntas dos entrevistadores e da platéia (que pode enviar questões por escrito durante a sabatina), a ex-prefeita também respondeu a perguntas que enviadas pela internet.
Amanhã, o sabatinado será o prefeito Gilberto Kassab (DEM). Os dois disputam o segundo turno em São Paulo.
Todas as sabatinas acontecem no Teatro Folha (shopping Pátio Higienópolis, av. Higienópolis, 618, 2º piso, São Paulo).
No primeiro turno, a Folha realizou sabatina com os quatro principais candidatos --Marta e Kassab, Geraldo Alckmin (PSDB) e Paulo Maluf (PP).
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Isso ocorre por vários motivos, mas o principal está no fato de que estas empresas não são administradas por pessoas que entendem do assunto, não são nem de perto especialistas em comunicação, não entendem as particulariedades deste ramo, e para tanto a administram como uma empresa qualquer.
A imprensa escrita brasileira continua tentando concorrer com a internet, e na frase "sobreviver à internet" isso ficou bem claro.
O diploma no jornalismo se mostra necessário nesses casos, mais do que alguém que escreve a matéria para um jornal, o jornalista diplomado, é a pessoa que entende o processo, entende o sistema e como ele se comporta.
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