Kassab diz que Marta faz campanha de baixo nível e nega ser homossexual
THIAGO FARIA
MARINA NOVAES
colaboração para a Folha Online
O prefeito de São Paulo e candidato à reeleição, Gilberto Kassab (DEM), afirmou nesta terça-feira que propaganda do PT questionando sua vida pessoal é de "baixo nível" e isola a adversária Marta Suplicy (PT) na disputa. O democrata participou hoje do ciclo de sabatinas da Folha.
Desde domingo (12), a campanha da petista veicula na TV uma propaganda em que questiona se o candidato do DEM é casado e se tem filhos. A inserção eleitoral gerou polêmica até mesmo dentro do PT, onde dirigentes consideraram o comercial ofensivo. Em sabatina ontem, Marta negou que a intenção tenha sido polemizar a vida pessoal do oponente.
| Fernando Donasci/Folha Imagem |
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| Em sabatina, Kassab critica propaganda do PT e diz que Marta está "desesperada" |
"Foi uma falta de respeito da campanha da minha adversária comigo e com a população de São Paulo. Uma insinuação maldosa que isolou a ex-prefeita [...]. Foi uma campanha de baixo nível que mostrou desespero da adversária", afirmou Kassab, que disse ainda "lamentar" o ocorrido. "Não tenho quase nada a declarar a não ser lamentar o nível que a minha adversária tentou imprimir na campanha neste segundo turno", disse.
O prefeito afirmou ainda não acreditar que Marta não soubesse da propaganda --ela disse ontem que a campanha era de responsabilidade do seu marqueteiro. "Eu não acredito [que ela não sabia]. Se ela não sabe quais são as suas propostas que estão sendo levadas para a opinião pública, ela não está preparada para ser prefeita [...]. A ex-prefeita terá um grande constrangimento daqui para frente com sua vida pública. Ela é a candidata e teria que ter desautorizado [a propaganda]", afirmou.
O candidato afirmou ainda que não tem "constrangimentos" quanto à sua vida pessoal. Questionado se era homossexual, Kassab respondeu: "Não, não sou".
Kassab ainda brincou com a polêmica gerada, e disse que nunca foi tão cobiçado pelo público feminino. "Está cheio de mulher querendo casar comigo agora", disse, em tom de brincadeira.
Alckmin e PSDB
Ao longo da entrevista, o candidato à reeleição também minimizou a troca de farpas protagonizada por ele e pelo adversário Geraldo Alckmin (PSDB), derrotado no primeiro turno das eleições. Segundo Kassab --que foi chamado de "dissimulado" pelo ex-candidato tucano--, as divergências foram apenas "políticas e administrativas".
"As divergências foram muito mais de naturezas políticas do que administrativas. Ao longo da campanha o ex-governador também fez críticas administrativas [...], mas são divergências totalmente superáveis no campo político e administrativo [...]. E não foram graves no campo moral, no campo da dignidade", afirmou Kassab. Em evento realizado hoje pela manhã, Alckmin selou seu apoio ao democrata com um abraço.
O candidato à reeleição disse ainda que aqueles que apostam em um afastamento de Kassab do PSDB após uma eventual vitória nestas eleições vão "quebrar a cara", e afirmou que foi um "acerto" ter mantido os tucanos na base da administração municipal.
"Vai quebrar a cara quem apostar que eu vou me afastar do PSDB. [...] Eu tive a sensibilidade de não confundir eleições com administração municipal e acho que acertei", disse.
Eleições de 2010
Questionado sobre suas pretensões para 2010 --quando ocorrem as eleições para presidência da República e para o governo do Estado--, Kassab voltou a negar que deixará a prefeitura para disputar o governo do Estado, caso seja reeleito. Segundo o democrata, que disputa pela primeira vez uma eleição majoritária, "nada justificaria" sua saída.
"Posso afirmar que vou ficar os quatro anos. [...] Nada justificaria deixar a prefeitura. Não tenho biografia política para deixar a gestão", disse.
O candidato, porém, voltou a defender a candidatura do governador José Serra (PSDB) --seu principal "padrinho" político nestas eleições-- à presidência da República. Segundo Kassab, o DEM já decidiu apoiar o tucano em 2010, e também se comprometeu a apoiar o PMDB no Senado.
"Na eleição de 2010, se estivermos juntos [DEM e PMDB], estaremos dando a vaga dos democratas para o PMDB no Senado, até porque a expectativa é fazer uma aliança com o PSDB, com a liderança do Serra, e temos nele nosso candidato à Presidência da República", disse o candidato à reeleição, que afirmou ainda que a aliança com o PMDB nunca envolveu uma possível ocupação de cargos na prefeitura.
Lula e Soninha
Assim como tem feito durante a campanha, Kassab voltou a defender uma parceria com o governo federal e com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem chamou de "parceiro da cidade".
"O presidente tem sido parceiro da cidade. Posso afirmar com tranqüilidade que se o Lula tiver a oportunidade de investir na cidade, ele vai apoiar indiferente de quem for o prefeito", afirmou.
Além de Lula, o prefeito elogiou ainda a ex-adversária do PPS, Soninha Francine, e disse que teria "orgulho" de tê-la em seu governo. "Tenho muita admiração por ela, seu partido nos deu apoio [no segundo turno], eu me orgulharia muito de tê-la como secretaria", afirmou. Tanto a vereadora quanto sua legenda já declararam apoio a Kassab no segundo turno.
Alianças
Questionado sobre suas antigas alianças com os ex-prefeitos Paulo Maluf (PP) e Celso Pitta (PTB) --tema muito explorado pela campanha petista-- o candidato afirmou que não se arrepende de ter apoiado Maluf, mas negou que tenha participado do movimento "Reage Pitta".
"Eu o apoiei [Maluf] para prefeito e não me arrependo. A ex-prefeita [Luiza] Erundina [que disputou a prefeitura com o pepista em 1992] não fez um bom governo", disse. "Todos sabem que me afastei dele [Celso Pitta]. Jamais participei de qualquer movimento 'Reage Pitta' como minha adversária coloca", rebateu.
Sabatinas
Durante uma hora e meia, o candidato respondeu às perguntas de quatro jornalistas --Ricardo Melo (secretário-assistente de Redação), Vera Guimarães Martins (secretária-assistente de Redação), Fernando de Barros e Silva (editor de Brasil) e Gilberto Dimenstein (colunista).
Além das perguntas dos entrevistadores e da platéia (que pode enviar questões por escrito durante a sabatina), o prefeito também respondeu a perguntas enviadas pela internet.
Ontem, a sabatinada foi a ex-prefeita e candidata do PT, Marta Suplicy. Os dois disputam o segundo turno em São Paulo. No primeiro turno, a Folha realizou sabatina com os quatro principais candidatos --Marta e Kassab, Geraldo Alckmin (PSDB) e Paulo Maluf (PP).
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Isso ocorre por vários motivos, mas o principal está no fato de que estas empresas não são administradas por pessoas que entendem do assunto, não são nem de perto especialistas em comunicação, não entendem as particulariedades deste ramo, e para tanto a administram como uma empresa qualquer.
A imprensa escrita brasileira continua tentando concorrer com a internet, e na frase "sobreviver à internet" isso ficou bem claro.
O diploma no jornalismo se mostra necessário nesses casos, mais do que alguém que escreve a matéria para um jornal, o jornalista diplomado, é a pessoa que entende o processo, entende o sistema e como ele se comporta.
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