Diretor de Inteligência da PF condena parceria com Abin e diz que Protógenes foi "desleal"
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
O diretor da Divisão de Inteligência do Departamento da PF (Polícia Federal), Daniel Lorenz de Azevedo, condenou nesta quarta-feira o "compartilhamento de informações" entre policiais federais e agentes da Abin (Agência Brasileira de Inteligência). Segundo o delegado, durante as investigações da Operação Satiagraha, ele criticou a possível atuação conjunta.
"Eu disse que o compartilhamento de informações não era correto", afirmou Azevedo. "Nunca houve esse canal formal para o funcionamento dessa comunicação [a parceria da Abin com a PF]", disse ele, informando ter encontrado Márcio Seltz, analista da Abin, no final de março, no ambiente da PF. Azevedo presta depoimento à CPI dos Grampos, na Câmara.
Azevedo criticou também a coordenação das investigações por parte do delegado Protógenes Queiroz. Segundo o policial federal, o delegado foi "desleal" com os demais colegas porque apresentava funcionários da Abin como sendo "técnicos da Receita Federal".
Protógenes comandou a Satiagraha, mas depois deixou a operação "por motivos pessoais". O afastamento do delegado gerou uma série de especulações e até o presidente Luiz Inácio Lula da Silva interveio ao reunir o ministro Tarso Genro (Justiça) e o comando da PF para tratar do assunto.
Conduzida pela PF, a Operação Satiagraha investigou o desvio de verbas públicas, corrupção e lavagem de dinheiro. Em decorrência das investigações, foram presos banqueiros, diretores de banco, políticos e investidores.
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