Brasil
16/10/2008 - 13h00

DEM apresenta pacote para conter impactos da crise internacional no Brasil

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

A Executiva nacional do DEM apresentou nesta quinta-feira um conjunto de propostas para serem votadas no Congresso Nacional com o objetivo de conter os impactos da crise econômica internacional no Brasil. O presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ), disse que a oposição está disposta a aprovar matérias apresentadas pelo governo para minimizar a crise, sem disputas diretas entre o governo e a oposição.

"Estamos abertos ao debate para ajudar com medidas que são inclusive impopulares. Votamos contra o reajuste de servidores na Câmara porque sabemos que o país não tem como suportar esse impacto. O partido deve deixar claro que nunca pensou contra o país", afirmou.

Maia disse que o governo não tem condições de suportar 'irresponsabilidades' ao defender aumentos de cargos no Executivo e reajustes para o funcionalismo --como aprovado pela Câmara na noite desta terça-feira. "Há meses alertamos o governo de que as despesas estão crescendo. O Brasil não tem condições de suportar esse inchaço na sua máquina."

O presidente do DEM criticou o adiamento da votação da medida provisória que facilita o socorro do Banco Central a instituições financeiras. Líderes governistas fecharam acordo para votar a matéria somente depois do segundo turno das eleições.

Entre as medidas apresentadas no "pacote" do DEM está a aprovação do projeto que concede autonomia ao Banco Central e a regulamentação do artigo constitucional que estrutura o Sistema Financeiro Nacional. O partido também defende cortes no orçamento de 2009 no que diz respeito às despesas previstas antes da crise, assim como a retirada do projeto que cria o fundo soberano.

"O fundo soberano vai existir com aumento de dívidas para o Brasil aplicar no exterior. Chega a ser ridículo pensar na aprovação do fundo soberano em meio a essa crise", afirmou Maia.

O presidente do DEM defendeu a aprovação da reforma tributária pelo Congresso, mas cobrou cautela para a discussão do tema em meio à crise. Para o deputado Paulo Bornhausen (DEM-SC), a proposta de reforma apresentada pelo governo vai aumentar a arrecadação de impostos com prejuízos diretos à população.

"Não pode existir reforma tributária agora, temos que votar a autonomia do Banco Central. O governo Lula vem negligenciando a crise há um ano. É muita conversa afiada com pouca ação. O que estamos propondo é acima da disputa entre governo e oposição", disse o deputado.

 

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