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Em debate, Paes e Gabeira admitem ter fumado maconha no passado
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ANDRÉ ZAHAR
colaboração para a Folha Online, no Rio
Atualizado às 15h21.
Os candidatos a prefeito do Rio de Janeiro Fernando Gabeira (PV) e Eduardo Paes (PMDB) disseram nesta quinta-feira, durante debate promovido pela Folha, terem feito uso de maconha no passado. Os dois, porém, afirmaram que não experimentam mais a droga.
| Folha Imagem |
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| Adversários no 2º turno, Paes e Gabeira participam de debate promovido pela Folha |
"Já experimentei maconha. Fumei, traguei e não gostei. Nunca mais usei", afirmou Paes, que se disse contra a descriminalização da droga. "Acho que maconha é um mal pra a sociedade. A droga está na raiz do problema desta cidade. A briga do traficante é pelo ponto de venda", assinalou.
Gabeira, que escreveu livros sobre a experiência com maconha, disse que não fuma mais por não considerar "razoável" exercer mandato no Legislativo e, ao mesmo tempo, "ter uma posição de desrespeitar a lei".
"Eu posso ter efeitos semelhantes ao relaxamento da droga através da meditação", disse. "Tem uma droga que eu uso muito hoje, que é H2O", brincou.
Sobre a posição de legalização da maconha, defendida historicamente por ele, o candidato do PV afirmou que sua proposta era mais radical quando suas "candidaturas eram propagandísticas, de lançar idéias para o futuro". Agora ele defende que a discussão seja adiada até uma reforma da polícia. "Só é possível decidir isso [legalizar ou reprimir] se houver uma polícia honesta e competente."
Panfletos apócrifos
Paes e Gabeira evitaram o confronto direto durante o debate, mas trocaram insinuações sobre propaganda negativa. O motivo foi a apreensão, na tarde desta quarta-feira, de 6.000 folhetos contra Gabeira em uma Kombi repleta de adesivos da campanha de Paes e com outros 3.000 panfletos da propaganda política do peemedebista.
"Os adversários usam tão mal seu dinheiro que acabam ajudando a fortalecer nossa campanha. Os panfletos apócrifos só servem para nos fortalecer", apontou Gabeira.
"Acho que essas campanhas apócrifas são condenáveis, fora o absurdo que acontece no campo que você [Gabeira] domina, que é a internet. E-mail apócrifo é muito ruim também", respondeu Paes.
"Se eu disse que domino a internet, é um absurdo, ninguém domina a internet", ironizou Gabeira.
Na saída do debate, o candidato do PMDB mostrou panfletos de propaganda negativa contra ele e reclamou de uma suposta tentativa do adversário de "fazer novela" e "se vitimizar". "A análise dele é completamente equivocada. Eu não me senti vítima, pelo contrário, me senti até beneficiado, eles estão ajudando a minha campanha", rebateu o verde.
Passado político
Questionado pelas cinco trocas de partidos ao longo da trajetória política, Paes falou que foram "percalços". "Aqui no Brasil os partidos não mantêm uma posição de coerência. Se estão na oposição, advogam umas teses; no governo, outras. Não dá para exigir a fidelidade partidária à fórceps quando o programa do partido não diz muita coisa", disse.
Gabeira respondeu ao colunista da Folha Ruy Castro sobre a proibição de entrar nos Estados Unidos por causa do seqüestro do embaixador americano em 1969. "Tenho excelente relações com os Estados Unidos, sou da comissão de relações exteriores da Câmara, freqüentemente o embaixador dos EUA me visita e eu tenho condições de discutir eventuais tropeços deles", ponderou.
Paes voltou a dizer que é o candidato da aliança entre os governos municipal, estadual e federal. Gabeira afirmou que o presidente Lula "lutou pelos princípios republicanos" não se disporia "a aceitar um candidato e não outro". O candidato do PV afirmou ainda que não retira as críticas que fez ao governo Lula em 2005, durante a crise do mensalão.
"Eu não mudo as minhas posições. O que eu disse naquele momento, diria de novo. Mas não posso negar o meu passado de lutas junto até com o presidente Lula. Eu o apoiei 1989, quando iria até ser o vice dele. Fiz as caravanas com ele em 1994, apoiei em 1998 e sai do PV para apóia-lo em 2002. Se sai do PT foi porque achei que nossos princípios não estavam sendo respeitados", disse. "Não sou candidato a aderir ao presidente", concluiu.
Apoios
Questionado por Gabeira, Paes saiu em defesa da política de segurança do governador Sérgio Cabral (PMDB), que é seu principal cabo eleitoral na disputa. "A polícia até um determinado momento foi pautada como agência reguladora do tráfico de drogas, só combatia traficantes se houvesse um conflito entre os comandos. A partir do governador Sérgio Cabral, avanços enormes foram feitos. O governador não tem empurrado a sujeira para baixo do tapete", afirmou.
O peemedebista voltou a sustentar que Gabeira estaria ocultando o apoio do prefeito Cesar Maia (DEM). "Eu, em nenhum momento, busquei esconder as minhas alianças. Essa transparência que ambos candidatos prometem deve valer para o processo eleitoral. O candidato Gabeira tem alianças que não abre claramente para a população", disse.
"Eu não escondo os meus apoios, apenas não proíbo ninguém de me apoiar", respondeu Gabeira.
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É totalmente limpa e honesta a candidatura do Gabeira.
è deprimente a postura do Paes.
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