Crise econômica deve provocar cortes no Orçamento, diz relator
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Em reunião com o relator-geral do Orçamento de 2009, Delcício Amaral (PT-MS), o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, admitiu nesta quinta-feira que a crise econômica internacional deve reduzir o desempenho da economia brasileira em 2009. Segundo o petista, Meirelles se mostrou pessimista em relação ao cenário esperado em curto prazo para a economia mundial.
"Ele fez uma explanação clara de que a situação é delicada. Não há motivo para ninguém estar otimista. As bolsas estão em queda, há uma insegurança política nos Estados Unidos, evidente que a preocupação agora é com o crescimento. Se já havia uma preocupação no sistema financeiro, agora é com o crescimento e claro que isso vai se refletir aqui. Indubitavelmente teremos um crescimento menor", disse Delcídio.
O relator disse estar convicto de que o governo vai promover cortes na proposta orçamentária do ano que vem em conseqüência da crise, especialmente na área de custeio. Segundo Delcídio, os cortes podem acabar provocando o cancelamento de concursos públicos e a revisão de reajustes aos servidores públicos federais.
O petista afirmou, porém, que caberá ao governo definir os cortes específicos na proposta orçamentária. "Que haverá cortes, não tenho dúvida, e para nós o que interessa é o valor, não onde vai cortar. Onde, ainda tem que ser conversado com o governo, mas eu acho que deveria ser no custeio. Tem espaço para cortar."
Delicio disse esperar o envio da revisão dos parâmetros do Orçamento pelo governo para apresentar seu parecer à Comissão Mista de Orçamento do Congresso --o que deve o correr até o final de outubro.
Mínimo
Apesar dos esperados cortes na proposta orçamentária de 2009, Delcídio disse que o valor do salário mínimo a partir de 1º de fevereiro do ano que vem será mantido em R$ 464,72 --a previsão inicial do governo. Segundo o senador, também não estão previstos cortes em obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), considerado prioridade pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O relator disse estar otimista para que o Orçamento de 2009 seja aprovado pelo Congresso até dezembro, antes do Legislativo entrar em recesso parlamentar.
"Temos que votar. Neste momento de crise, entrar 2009 sem votar o Orçamento, pelo amor de Deus, isso não pode acontecer", afirmou.
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