Brasil
21/10/2008 - 15h55

Procurador-geral recorre ao STF contra resolução do Senado para manter nepotismo

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RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

O procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, encaminhou nesta terça-feira reclamação com pedido de liminar ao STF (Supremo Tribunal Federal contra a decisão do Senado em adotar o princípio da anterioridade para manter funcionários não-concursados --e parentes de políticos-- nos cargos que exercem na Casa.

Pela decisão da Mesa Diretora do Senado, os servidores que ingressaram na Casa antes da data da posse dos políticos, a que são ligados, poderiam ser mantidos nas suas funções.

Segundo o procurador, o enunciado nº 13, elaborado pela Advocacia Geral do Senado, permite a prática de nepotismo. Para Souza, o enunciado desobedece a súmula vinculante definida pela Suprema Corte.

A súmula do STF proíbe a nomeação de familiares, em linha reta, colateral --cunhado, genro ou nora-- ou por afinidade, até o terceiro grau. Na reclamação, o procurador questiona quatro itens da resolução do Senado.

De acordo com a interpretação do procurador, a súmula do STF estabelece a proibição da nomeação de parentes em linha reta, colateral ou por afinidade e até o terceiro grau, enquanto o enunciado do Senado limita a proibição apenas aos irmãos do cônjuge ou companheiro (marido ou mulher).

Segundo o procurador, há casos de parlamentares que, depois de se aposentarem, conseguem manter-se no "jogo político" e com poderes de decisão. "Portanto, a aposentadoria de um parlamentar não caracteriza, por si, seu afastamento do jogo político, como normalmente ocorre com o membro do Poder Judiciário. Logo, também aqui há a necessidade de uma melhor reflexão por parte dessa Corte", disse ele.

Souza afirmou que o nepotismo tem relação direta com o patrimonialismo. O procurador lembra que situações que caracterizam o emprego de parentes e favorecimento a familiares no serviço público fazem parte da história política brasileira.

"Forte, portanto, desde o início de nossa história política, o nepotismo é fruto da renitente e odiosa confusão entre as esferas pública e privada, tendo reflexos mais acentuados na República, sobretudo quando o poder proveniente desta república é exercido pelo povo. Por isso mesmo a prática do nepotismo sempre foi um fardo a ancorar a efetividade da construção concreta da democracia no país", disse o procurador.

Ontem, o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), disse que se o procurador fosse contrário à decisão da Mesa Diretora sobre os casos de funcionários que são parentes de políticos, a Casa recuaria na medida. Na prática, todos seriam demitidos.

Comentários dos leitores
Alziro Ribeiro da Silva (23) 26/10/2009 10h17
Alziro Ribeiro da Silva (23) 26/10/2009 10h17
Se esta conversa grampiada tiver estes termos parece mais é conversa de bandidos, o que pode esperar de quem conversa assim em codigo, o pior é que não acontece nada, fica tuda na boa. sem opinião
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Maria do Rosario Freitas (106) 01/10/2009 09h00
Maria do Rosario Freitas (106) 01/10/2009 09h00
Agora parece que alguém pretende por ordem no pedaço! Tudo é normal quando todos assumem o que faz, porém certos partidos politicos por ai acham que precisam o tempo todo esconder seus podres e mostrar o dos outros! Ai o País vira casa da Mãe Joana. Uma fofoca atrás da outro e projeto politicos para a sociedade não aprecem nunca. Tem governador que pratica todo tipo de opressão e repressão e a midia nada divulga, para este tipo de governante a Constituição virou papel de banheiro, mas os jornais nada publica não é mesmo. Os jornalista estão precisando fazer seu trabalho em Minas Gerais ou será que é crime omitir informações só sobre alguns politicos por ai? Se mexerem na caixa preta da Educação Mineira... sem opinião
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Waldemar Schisbelgs (15) 30/09/2009 20h37
Waldemar Schisbelgs (15) 30/09/2009 20h37
Dizem que não existe crime perfeito!!! Quem matou P.C. Farias e Ana Marcolino? Quem matou Daniel Dantas? Quem matou JK? Quem matou Castelo Branco? Tancredo Neves teve mesmo diverticuliti? E o Ulisses Guimarães, porque só ele ficou preso pelo cinto de segurança no helicóptero. Alguns destes homens, poderiam ter mudado alguma coisa neste país, mas outros homens não tiveram interesse nestas mudanças, daí...... sem opinião
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