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Brasil
21/10/2008 - 21h42

Quintão acusa Lacerda de envolvimento com mensalão; candidato ameaça processar adversário

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FERNANDA ODILLA
Enviada especial da Folha de S.Paulo a Belo Horizonte

O mensalão se transformou nesta terça-feira na principal arma da campanha de Leonardo Quintão (PMDB) na disputa contra Marcio Lacerda (PSB) pela Prefeitura de Belo Horizonte. O peemedebista, pela primeira vez na eleição, decidiu partir para o ataque e acusou o adversário explicitamente de estar envolvido com o esquema de compra de deputados federais e pagamento de dívida de campanha com recursos públicos.

Lacerda, que nega qualquer participação no mensalão, classificou a conduta "demonstração de desespero". Ele anunciou que vai processar Quintão.

Hoje, Leonardo Quintão comparou Lacerda a um "avião do tráfico de drogas", dizendo que o adversário fez "contato com o crime" ao procurar o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares para saldar dívida de campanha de Ciro Gomes (PSB).

Deputados estaduais do PMDB que têm assessorado Quintão no segundo turno incentivam a posição mais agressiva, defendo reação aos ataques da campanha de Lacerda. O peemedebista também acusou o adversário de "arapongagem" e de "roubar" vídeo de convenção do PMDB em que Quintão diz que vai "chutar a bunda" dos adversários. Há duas semanas o vídeo é usado pela campanha de Lacerda.

A equipe de Quintão estuda ainda colocar nas inserções de rádio e televisão imagens do empresário Marcos Valério dizendo ter relações pessoais com Lacerda bem como ter repassado dinheiro a políticos hoje envolvidos na campanha do socialista. Já estão sendo distribuídos mais de 300 mil panfletos com a foto de Lacerda no centro de um "organograma" do esquema do mensalão.

"A questão do mensalão não está resolvida. Muitos não foram indiciados [pela CPI dos Correios] e estão sendo processados pela Justiça. Delúbio Soares veio a BH apoiar a candidatura de Marcio Lacerda, Virgílio Guimarães [coordenador da campanha de Lacerda] apresentou Marcos Valério em Brasília e Duda Mendonça, agora, está fazendo o marketing do meu adversário. O senhor está muito mal acompanhado", atacou Quintão, em debate marcado por pesadas acusações entre os dois candidatos.

Lacerda desafiou Quintão a apresentar amanhã, em outro debate, advogados que digam que ele será processado pelo mensalão. O socialista disse ter ficado sabendo somente "pelos jornais" que Delúbio esteve na capital mineira para participar de reunião com a CUT (Central Única dos Trabalhadores) no início da campanha.

O deputado Virgílio Guimarães (PT) disse não se sentir ofendido quando relembram a amizade dele com Marcos Valério, seu conterrâneo de Curvelo (MG), e afirmou que Duda faz "assessoria informal" na campanha de Lacerda.

"O Duda Mendonça presta essa assessoria informal, nem sei se é remunerada. Acho que não. É um comentarista, uma pessoa que vem e faz observações, análises e críticas."

Lacerda, contudo, disse que Duda Mendonça esteve apenas dois dias em na cidade e que seus marqueteiros "devem ter trocado idéias".

Comentários dos leitores
fabio siqueira ferreira (40) 28/10/2008 12h52
fabio siqueira ferreira (40) 28/10/2008 12h52
Tem-se a impressão de uma série de pessoas que se dizem de "esquerda" serem ressentidas e frustradas. Quando se juntam viram uma horda de analfabetos políticos e históricos. É uma mediocridade de dar dó. Como a "esquerda" mudou! Outrora era prazeroso ler e ouvir a chamada "esquerda". Os intelectuais se manifestavam e eram compreendidos. Aqueles que não detinham o saber das letras expunham suas experiências e expectativas com simplicidade e convencimento.
Lutar pela exclusão da EXTREMA (note bem e-x-t-r-e-m-a) desigualdade sócio-econômica da humanidade não é privilégio da "esquerda". Gestão política eficaz é que elimina desigualdade.
Se "a palavra é o perfume do homem" imagine o cheiro certos comentários.
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TAIGUARA TAIGUARA (13) 28/10/2008 12h43
TAIGUARA TAIGUARA (13) 28/10/2008 12h43
Ricardo Costa; Você é um daqueles que, certamente não tendo vivido na época da ditadura, se sente desconfortável na pele de um direitinha deslumbrado, e tenta, a todo custo, negar a existência dessa divisão histórica e irremovível. É compreensível. E se você acha que 68 se esgotou no tempo determinado pela cronologia do calendário, pior pra você. Eu fico ao lado do Zuenir Ventura. Assim como você, eu anseio por um país mais justo e, para tanto, não negligencio o olhar atento ao retrovisor. Isso, contrariando o seu pensamento, me permite manter uma distância segura em relação aos anos de chumbo.
Belo Horizonte perdeu as últimas eleições. O Quintão não passava de um plano B do Aécio. Os planos do 'carioca', com a vitória do Kassab, foram pro vinagre.
Não tardará para que o Pimentel seja apunhalado pelo 'Cabo Anselmo' que ajudou a eleger.
Em 2.010 o Aécio não obterá a legenda do PSDB para a vaga de candidato à presidência, nem o Pimentel a conseguirá, no PT, para concorrer ao Governo do Estado. Escute o recado das urnas; mais de um milhão de eleitores não concordaram com a 'tal' aliança. Ah! Tenho uma boa coleção de vinis, MPB e rock de setenta pra trás, que, a exemplo de 68 - e também para a sua infelicidade - não 'acabaram' e uma boa e sortida quantidade de 'modernos' DVDs. Gostar de coisas antigas, como Cartola, Tom e Vinícius não me impede de apreciar Cazuza, Lenine e Skank. Parece-me que é você que tem que alargar seus horizontes.
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Ronan Aguiar Cordeiro (149) 28/10/2008 07h29
Ronan Aguiar Cordeiro (149) 28/10/2008 07h29
Caro Carlos José dos Santos seu último comentário é a mais cristalina expressão da verdade. Nem Aécio, nem Pimentel tiveram a vitória que buscam apossar. O que elegeu Márcio Lacerda foi pura e simplesmente a escolha do menos nefasto. Não tivemos opções. Duas boas drogas foram colocadas para o povo de Belo Horizonte. A menos ruim significa permanecer com a administração petista que já ocupa a prefeitura a quase 16 anos. Infelizmente teremos que esperar mais para nos livrarmos dessa gente. Vamos ter que engolir a administração municipal inflada de "cumpanheiros" - os milhares de cargos em comissão - que tanto custam ao erário municipal, desviando recursos que poderiam estar destinados às necessidades da cidade e dos cidadãos. Fazer o quê? Enquanto a educação/escolarização for baixissima (como convém à nova elite politica) o resultado será sempre muito ruim. 1 opinião
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