Brasil
21/10/2008 - 21h48

Acusações de plágio marcam debate em Belo Horizonte

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FERNANDA ODILLA
Enviada especial da Folha de S.Paulo a Belo Horizonte

Os candidatos à Prefeitura de Belo Horizonte também trocaram nesta terça-feira acusações de plágio. Marcio Lacerda (PSB) distribuiu trechos do programa de governo do adversário com informações sobre a região metropolitana dizendo que elas foram copiadas da Wikipédia, uma enciclopédia da internet. Leonardo Quintão (PMDB), por sua vez, afirmou que Lacerda propõe projetos já elaborados e pagos pela prefeitura.

"O senhor está plagiando a prefeitura", disse Quintão, em debate na manhã de hoje, referindo-se à proposta do adversário de criar vias para facilitar deslocamento entre bairros de diferentes regiões da cidade.

Lacerda admitiu que a proposta faz parte do Plano de Reorganização do Trânsito de Belo Horizonte, encomendada pelo prefeito Fernando Pimentel (PT), que o apóia. Justificou dizendo que o lema da campanha dele é "continuar e melhora"' a gestão do prefeito.

Quintão, no entanto, não explicou por que deixou de citar a Wikipédia como fonte ao descrever itens como composição, demografia, economia e sistema de gestão da região metropolitana de Belo Horizonte. Disse apenas que o plano de governo foi elaborado por técnicos do PMDB e também do governo Aécio Neves (PSDB), que apóia Marcio Lacerda.

Os ataques não se limitaram ao plágio. Tanto Lacerda quanto Quintão tiveram de explicar expressões polêmicas. Lacerda pediu desculpa por dizer que podia "pisar no pescoço" dos que o criticaram. Quintão, ao ser questionado sobre as três versões para a declaração "vamos chutar a bunda" dos adversários, respondeu com provocação: "Chutar a bunda não mata como pisar no pescoço".

Proteção

A Polícia Federal orientou o candidato Leonardo Quintão (PMDB) a pedir proteção à Polícia Militar ou à polícia legislativa da Câmara dos Deputados. As denúncias do deputado, que alega ser vítima de ameaça e injúria, serão investigadas pelo Ministério Público Eleitoral em Minas Gerais, por determinação do Tribunal Regional Eleitoral dada ontem.

Ontem, o juiz Adriano de Mesquita Carneiro, da Comissão de Fiscalização da Propaganda Eleitoral de Belo Horizonte, concedeu também direito de resposta de um minuto a Quintão.

O candidato alegou que a campanha de Marcio Lacerda lhe ofendeu ao fazer referências como "ele não sabe o que é trabalhar" e "sustentado pelo pai". Segundo o juiz, "as falas exibidas visam prejudicar a imagem do candidato e o fazem de maneira caluniosa, injuriosa e inverídica."

Comentários dos leitores
fabio siqueira ferreira (40) 28/10/2008 12h52
fabio siqueira ferreira (40) 28/10/2008 12h52
Tem-se a impressão de uma série de pessoas que se dizem de "esquerda" serem ressentidas e frustradas. Quando se juntam viram uma horda de analfabetos políticos e históricos. É uma mediocridade de dar dó. Como a "esquerda" mudou! Outrora era prazeroso ler e ouvir a chamada "esquerda". Os intelectuais se manifestavam e eram compreendidos. Aqueles que não detinham o saber das letras expunham suas experiências e expectativas com simplicidade e convencimento.
Lutar pela exclusão da EXTREMA (note bem e-x-t-r-e-m-a) desigualdade sócio-econômica da humanidade não é privilégio da "esquerda". Gestão política eficaz é que elimina desigualdade.
Se "a palavra é o perfume do homem" imagine o cheiro certos comentários.
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TAIGUARA TAIGUARA (13) 28/10/2008 12h43
TAIGUARA TAIGUARA (13) 28/10/2008 12h43
Ricardo Costa; Você é um daqueles que, certamente não tendo vivido na época da ditadura, se sente desconfortável na pele de um direitinha deslumbrado, e tenta, a todo custo, negar a existência dessa divisão histórica e irremovível. É compreensível. E se você acha que 68 se esgotou no tempo determinado pela cronologia do calendário, pior pra você. Eu fico ao lado do Zuenir Ventura. Assim como você, eu anseio por um país mais justo e, para tanto, não negligencio o olhar atento ao retrovisor. Isso, contrariando o seu pensamento, me permite manter uma distância segura em relação aos anos de chumbo.
Belo Horizonte perdeu as últimas eleições. O Quintão não passava de um plano B do Aécio. Os planos do 'carioca', com a vitória do Kassab, foram pro vinagre.
Não tardará para que o Pimentel seja apunhalado pelo 'Cabo Anselmo' que ajudou a eleger.
Em 2.010 o Aécio não obterá a legenda do PSDB para a vaga de candidato à presidência, nem o Pimentel a conseguirá, no PT, para concorrer ao Governo do Estado. Escute o recado das urnas; mais de um milhão de eleitores não concordaram com a 'tal' aliança. Ah! Tenho uma boa coleção de vinis, MPB e rock de setenta pra trás, que, a exemplo de 68 - e também para a sua infelicidade - não 'acabaram' e uma boa e sortida quantidade de 'modernos' DVDs. Gostar de coisas antigas, como Cartola, Tom e Vinícius não me impede de apreciar Cazuza, Lenine e Skank. Parece-me que é você que tem que alargar seus horizontes.
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Ronan Aguiar Cordeiro (149) 28/10/2008 07h29
Ronan Aguiar Cordeiro (149) 28/10/2008 07h29
Caro Carlos José dos Santos seu último comentário é a mais cristalina expressão da verdade. Nem Aécio, nem Pimentel tiveram a vitória que buscam apossar. O que elegeu Márcio Lacerda foi pura e simplesmente a escolha do menos nefasto. Não tivemos opções. Duas boas drogas foram colocadas para o povo de Belo Horizonte. A menos ruim significa permanecer com a administração petista que já ocupa a prefeitura a quase 16 anos. Infelizmente teremos que esperar mais para nos livrarmos dessa gente. Vamos ter que engolir a administração municipal inflada de "cumpanheiros" - os milhares de cargos em comissão - que tanto custam ao erário municipal, desviando recursos que poderiam estar destinados às necessidades da cidade e dos cidadãos. Fazer o quê? Enquanto a educação/escolarização for baixissima (como convém à nova elite politica) o resultado será sempre muito ruim. 1 opinião
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