Dantas deve permanecer calado em depoimento à Justiça Federal
WANDERLEY PREITE SOBRINHO
colaboração para a Folha Online
O banqueiro Daniel Dantas, do banco Opportunity, não deve se pronunciar durante depoimento à Justiça Federal, marcado para as 14h desta quarta-feira. Por não aprovar a realização da audiência, a defesa --alvo das investigações da Operação Satiagraha, da Polícia Federal-- orientou o banqueiro a permanecer em silêncio durante os depoimentos dos réus.
Além de Dantas, a 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo também deve ouvir o consultor Hugo Chicaroni e o assessor do banqueiro Humberto Braz. A audiência de hoje refere-se especificamente à denúncia, feita pelo Ministério Público Federal de São Paulo, de que Dantas, Braz e Chicaroni teriam tentado subornar um delegado federal para retirar o nome do banqueiro do inquérito da PF.
"A estratégia é impugnar a audiência, dizer que efetivamente ela está se realizando de forma incorreta, açodada e precipitada, e a defesa vai veicular esse inconformismo. Ele [Dantas] tem instrução minha para não falar absolutamente nada", afirmou o advogado Nélio Machado. Dantas já chegou à 6ª Vara Criminal Federal, mas não falou com a imprensa.
A defesa de Dantas também questiona a participação do juiz Fausto De Sanctis no caso --responsável pelo inquérito da Operação Satiagraha-- e que irá conduzir os depoimentos desta quarta-feira.
"Não há conexão entre inquérito policial e ação penal. Essa causa jamais poderia estar nas mãos do Dr. Fausto. Esse caso deveria ser alvo de sorteio entre dez varas, e uma delas se ocuparia do assunto e não especificamente o Dr. Fausto De Sanctis", disse Machado.
A defesa de Dantas pediu ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) que cancelasse a audiência de hoje, mas o tribunal negou o pedido de liminar e manteve os depoimentos. De acordo com a Justiça Federal, a audiência foi marcada novamente devido a uma alteração na lei 11.719, sancionada 12 dias após a operação da PF. Com a mudança, os réus devem prestar depoimentos depois das testemunhas --que já foram ouvidas sobre o caso.
"Essa audiência não deveria existir porque o juiz diz que a causa é simples, mas ela não é simples. Tenho várias impugnações a respeito de cerceamentos para o advogado obter provas", concluiu o advogado do banqueiro.
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