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Brasil
23/10/2008 - 12h08

Tarso defende responsabilização dos crimes de tortura e diz que eles não são políticos

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RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

O ministro Tarso Genro (Justiça) reiterou nesta quinta-feira sua defesa em favor da responsabilização dos crimes de tortura ocorridos durante a ditadura militar. A reação dele ocorre um dia depois de a AGU (Advocacia Geral da União) definir que a Lei de Anistia já aborda os crimes de tortura. Tarso negou que a AGU e o Ministério da Justiça estejam em descompasso ou caminhos opostos.

"A AGU tem autonomia. Foi uma análise de natureza técnica', afirmou o ministro", esquivando-se de entrar em polêmica com a AGU. "Em momento algum [a AGU] desfez da convicção que eu e o Paulo [Vanucchi, ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos] temos."

Vannuchi e Tarso defenderam publicamente a responsabilização dos crimes de tortura. A posição deles causou mal-estar no governo principalmente entre os militares, obrigando o ministro Nelson Jobim (Defesa) ir a público e discordar dos colegas-ministros.

Por ordem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva o assunto que trata de responsabilização de crimes de tortura deverá ser tratado no âmbito político e não mais dividir seus assessores diretos. Mas hoje Tarso retomou o tema e manteve sua posição inicial.

"Acho que a questão sobre se a tortura pode ser considerada crime político, eu, na minha convicção, acho que não", disse o ministro. "Então se um terrorista colocar uma bomba em uma escola, isso vai ser considerado crime político?", reagiu ele.

Contestação

Ontem, a AGU contestou na 8ª Vara Federal de São Paulo, a ação proposta pelo MPF (Ministério Público Federal) contra a União e coronéis da reserva. A AGU defende apenas a União na ação, enquanto a defesa dos militares foi elaborada por advogados particulares.

Além de pedir a condenação dos militares por tortura, o MPF requer a abertura de todos os arquivos do Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI/CODI) do 2º Exército e a condenação da União por omissão em buscar o ressarcimento pelo pagamento de indenização aos anistiados.

Na contestação, elaborada pela PRU (Procuradoria Regional da União da 3ª Região), a AGU diz que a Lei de Anistia "traz um clima de reconciliação e paz nacional". Também afirma que não será possível atender ao pedido do MPF porque de acordo com o Ministério da Defesa houve destruição de documentos.

Comentários dos leitores
luiz breyner (14) 05/12/2009 20h28
luiz breyner (14) 05/12/2009 20h28
A verdade sobre a ditadura militar sempre fica escondida por vários interesses escusos. Em primeiro lugar não houve no Brasil nenhuma preocupação em redemocratizar o país, quem queria derrubar os militares queria uma ditadura de esquerda, que na época chamavam-na de ditadura do proletariado. Por outro lado, a ditadura começou a não obedecer os americanos. A coisa piorou quando Geisel se negou mandar tropas para São domingos. Na verdade os americanos sempre foram liberais, mas nunca foram democratas. Quem manda lá são os órgãos de inteligência. Presidente lá é mesma coisa da coroa inglesa. sem opinião
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Do que será que que todos da situação tem medo, e só se aproximar ano eleitoral que começam as perseguições contra o Dep. Paulo Maluf,estão dando muito na cara.Será que não está acontecendo nada de mais sério nesses País.A corrupção descambou,a violência está em patamares absurdos,o transito está matando mais que a guerra Iraque,e ficam querendo se promover em cima do Dep. Paulo Maluf,tá parecendo coisa encomendada. sem opinião
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Airton Kraismann (90) 03/12/2009 11h29
Airton Kraismann (90) 03/12/2009 11h29
Esse deve ser o milionésimo processo que essa figurinha tem nas costas, aliás se formos ver a ficha criminal dele com os processos, o tamanho dela deve dar uns 10km no mínimo, e até agora não aconteceu absolutamente nada, essa é a justiça brasileira, uma vergonha. 1 opinião
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