Brasil
23/10/2008 - 13h42

Aécio comemora avanço de Lacerda em pesquisas, mas diz que eleição não está ganha

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O governador Aécio Neves (PSDB-MG) comemorou nesta quinta-feira a virada do candidato Márcio Lacerda (PSB) na corrida pela Prefeitura de Belo Horizonte (MG). Mas disse que "eleição que ainda está sendo disputada não é eleição vencida".

Aécio minimizou as críticas sobre a demora em Lacerda atingir a liderança nas pesquisas de intenção de voto, mesmo com o apoio do prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), ao afirmar que "jamais" teve a expectativa de vencer as eleições com facilidade.

"Criou-se uma expectativa de que era uma eleição já ganha, nós jamais tivemos essa expectativa. Nos últimos anos em Belo Horizonte, apenas em uma eleição, a do prefeito Pimentel, é que não houve segundo turno. Em todas as outras houve, é tradição da política mineira. Podemos ganhar ou não, espero que ganhemos", afirmou.

Aécio disse que, mesmo que Lacerda saia derrotado na disputa com Leonardo Quintão (PMDB), sua tese de "convergência" entre os partidos da base aliada e da oposição deve prevalecer para a disputa presidencial de 2010 --uma vez que ele e Pimentel, de partidos opostos, estão unidos na defesa da candidatura de Lacerda.

"Eu temo que estejamos em 2010 reeditando o cenário de radicalização política que nós vivemos em 94, 98, 2002 e 2006, em quem ganha eleição encontra no outro espectro político quem perdeu atuando de forma radicalizada, impedindo avanços que não são de um governo, são do país. Nossa tentativa é demonstrar que PSDB e o PT não precisam necessariamente ser inimigos o resto da vida", disse.

O governador rebateu as críticas de que Lacerda cresceu nas pesquisas depois de desvincular sua imagem de Aécio e de Pimentel. "Ele usou adequadamente [as imagens]. Acho que no segundo turno ele apareceu um pouco mais, o que era natural. Mas se você estiver em Minas vai ver o programa eleitoral com o prazer de me ver", ironizou em entrevista aos jornalistas.

Aécio também negou que, antes de apoiar Lacerda, tenha defendido a candidatura de Quintão junto ao PMDB. "Pus um candidato correto, certo para administrar a cidade. O grupo que está com ele [Quintão] foi o grupo que eu derrotei duas vezes", afirmou.

Virada

Segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta-feira, Lacerda tem 45% das intenções de voto contra 40% de Quintão --o que configura empate técnico entre os dois candidatos.

Considerando apenas os votos válidos (sem brancos e nulos), Lacerda tem 53% contra 47% de Quintão. Lacerda cresceu oito pontos percentuais em relação à pesquisa anterior, realizada entre 16 e 17 de outubro.

O Datafolha ouviu 1.049 eleitores entre terça e quarta-feira em Belo Horizonte. A margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais, para mais ou menos. A pesquisa, contratada pela Folha e pela TV Globo, foi registrada na Justiça com o número 79973/2008.

Comentários dos leitores
fabio siqueira ferreira (40) 28/10/2008 12h52
fabio siqueira ferreira (40) 28/10/2008 12h52
Tem-se a impressão de uma série de pessoas que se dizem de "esquerda" serem ressentidas e frustradas. Quando se juntam viram uma horda de analfabetos políticos e históricos. É uma mediocridade de dar dó. Como a "esquerda" mudou! Outrora era prazeroso ler e ouvir a chamada "esquerda". Os intelectuais se manifestavam e eram compreendidos. Aqueles que não detinham o saber das letras expunham suas experiências e expectativas com simplicidade e convencimento.
Lutar pela exclusão da EXTREMA (note bem e-x-t-r-e-m-a) desigualdade sócio-econômica da humanidade não é privilégio da "esquerda". Gestão política eficaz é que elimina desigualdade.
Se "a palavra é o perfume do homem" imagine o cheiro certos comentários.
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TAIGUARA TAIGUARA (13) 28/10/2008 12h43
TAIGUARA TAIGUARA (13) 28/10/2008 12h43
Ricardo Costa; Você é um daqueles que, certamente não tendo vivido na época da ditadura, se sente desconfortável na pele de um direitinha deslumbrado, e tenta, a todo custo, negar a existência dessa divisão histórica e irremovível. É compreensível. E se você acha que 68 se esgotou no tempo determinado pela cronologia do calendário, pior pra você. Eu fico ao lado do Zuenir Ventura. Assim como você, eu anseio por um país mais justo e, para tanto, não negligencio o olhar atento ao retrovisor. Isso, contrariando o seu pensamento, me permite manter uma distância segura em relação aos anos de chumbo.
Belo Horizonte perdeu as últimas eleições. O Quintão não passava de um plano B do Aécio. Os planos do 'carioca', com a vitória do Kassab, foram pro vinagre.
Não tardará para que o Pimentel seja apunhalado pelo 'Cabo Anselmo' que ajudou a eleger.
Em 2.010 o Aécio não obterá a legenda do PSDB para a vaga de candidato à presidência, nem o Pimentel a conseguirá, no PT, para concorrer ao Governo do Estado. Escute o recado das urnas; mais de um milhão de eleitores não concordaram com a 'tal' aliança. Ah! Tenho uma boa coleção de vinis, MPB e rock de setenta pra trás, que, a exemplo de 68 - e também para a sua infelicidade - não 'acabaram' e uma boa e sortida quantidade de 'modernos' DVDs. Gostar de coisas antigas, como Cartola, Tom e Vinícius não me impede de apreciar Cazuza, Lenine e Skank. Parece-me que é você que tem que alargar seus horizontes.
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Ronan Aguiar Cordeiro (149) 28/10/2008 07h29
Ronan Aguiar Cordeiro (149) 28/10/2008 07h29
Caro Carlos José dos Santos seu último comentário é a mais cristalina expressão da verdade. Nem Aécio, nem Pimentel tiveram a vitória que buscam apossar. O que elegeu Márcio Lacerda foi pura e simplesmente a escolha do menos nefasto. Não tivemos opções. Duas boas drogas foram colocadas para o povo de Belo Horizonte. A menos ruim significa permanecer com a administração petista que já ocupa a prefeitura a quase 16 anos. Infelizmente teremos que esperar mais para nos livrarmos dessa gente. Vamos ter que engolir a administração municipal inflada de "cumpanheiros" - os milhares de cargos em comissão - que tanto custam ao erário municipal, desviando recursos que poderiam estar destinados às necessidades da cidade e dos cidadãos. Fazer o quê? Enquanto a educação/escolarização for baixissima (como convém à nova elite politica) o resultado será sempre muito ruim. 1 opinião
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