TRE apreende adesivos contra Gabeira durante caminhada de Eduardo Paes
ANDRÉ ZAHAR
colaboração para a Folha Online, no Rio
Fiscais do TRE-RJ (Tribunal Regional Eleitoral) do Rio de Janeiro apreenderam nesta quinta-feira centenas de adesivos contra o candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro Fernando Gabeira (PV) durante caminhada no centro em apoio à candidatura de Eduardo Paes (PMDB).
O material estava sendo distribuído por militantes do PC do B. A caminhada reuniu pelo menos oito carros de som e, segundo a Polícia Militar, aproximadamente 2.000 pessoas. Os participantes foram da Candelária até a Cinelândia pela avenida Rio Branco.
Os adesivos apreendidos pelo TRE-RJ trazem fotos de Gabeira, do prefeito Cesar Maia (DEM), do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e do governador de São Paulo, José Serra (PSDB) e os dizeres "O que é isso, companheiro? Gabeira Não". O material, assinado pela UJS (União da Juventude Socialista) --braço estudantil do PC do B que controla a UNE (União Nacional dos Estudantes)-- já havia sido distribuído ontem durante um evento em que as entidades estudantis declararam apoio a Paes.
A Folha Online presenciou o momento em que uma caixa de adesivos chegou hoje à Candelária e o material foi separado em pilhas para ser distribuído por militantes do PC do B. No momento em que os fiscais começaram a recolhê-los, sob o argumento de que caracterizam propaganda negativa e não têm informações exigidas pela lei eleitoral, iniciou-se uma confusão. Participantes da caminhada gritavam "É do TRE de Gabeira!" e resistiram à ação da fiscalização. Houve bate-boca e empurra-empurra.
Quando a caminhada estava na altura da rua da Assembléia houve uma nova confusão. Desta vez, o militante do PV Mário Bezerra da Silva entrou em atrito com os partidários de Paes por conta dos adesivos contra Gabeira. Bezerra se exaltou e foi hostilizado pelos participantes da caminhada. A polícia interveio para resolver o bate-boca. "A polícia falou para eu sair senão seria linchado", disse o verde.
Ao final do ato, Paes comentou a apreensão dos adesivos. "Se não é permitido pela lei não é correto, mas às vezes a militância tem iniciativas que não têm relação nenhuma com o comando da campanha. Até onde eu sei os adesivos foram feitos pela UNE, por estudantes. A gente não pode querer culpar o candidato por tudo que seus militantes fazem", disse.
Empurrão
A manifestação pró-Paes colocou lado a lado políticos do PC do B (Jandira Feghali), do PP (senador Francisco Dornelles) e do PT (deputados federais Jorge Bittar e Luiz Sérgio), entre outros.
Os vereadores Luiz Carlos Ramos (PSDB) e Silvia Pontes (DEM), de partidos que apóiam Gabeira, também subiram no palanque do peemedebista. Paes minimizou a presença dos 'infiéis'.
"Todas as lideranças políticas que quiserem apoiar nossa candidatura são bem-vindas. Existem lideranças do PSDB e do DEM apoiando nossa candidatura. Eu disse que o único apoio que eu não queria era do prefeito Cesar Maia", disse.
Após o evento, o peemedebista se envolveu numa confusão na escadaria do Palácio Pedro Ernesto, sede da Câmara Municipal. O candidato foi cercado por militantes ao seguir para uma entrevista coletiva e o umbandista Pai Uzêda tentou benzê-lo com um galho de arruda. O galho, porém, bateu na cabeça do candidato, que se assustou. Paes soltou um palavrão e deu um empurrão no religioso.
Os manifestantes carregavam bandeira dos partidos PMDB, PT, PTB, PDT, PSB e PC do B. Alguns empunhavam bandeira com os dizeres "O PT agora é 15" que foram pagas pelo comitê do candidato do PMDB.
Na linha de frente, chamava a atenção uma bandeira do MR8 (Movimento Revolucionário Oito de Outubro), grupo ao qual Gabeira pertencia quando seqüestrou o embaixador dos Estados Unidos Charles Elbrick, em 1969. O movimento é ligado ao PMDB e apóia Paes desde o primeiro turno.
"O Paes veio para o lado do desenvolvimento e o Gabeira foi para o do atraso. Ele não representa há muito tempo os ideais do MR8", disse o militante Marcos Fonseca, secretário de organização do MR8 no Rio.
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