Brasil
23/10/2008 - 22h03

Quintão ataca Aécio pela primeira vez e diz que Lacerda é candidato "de direita"

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da enviada da Folha de S.Paulo a Belo Horizonte
da Agência Folha, em Belo Horizonte

Após perder a vantagem que tinha nas pesquisas neste segundo turno, o candidato do PMDB à Prefeitura de Belo Horizonte, Leonardo Quintão, atacou pela primeira vez o governador tucano Aécio Neves e tachou a candidatura de seu adversário, Marcio Lacerda (PSB), como "de direita".

Quintão, que passou o primeiro turno tentando se associar a Aécio, decidiu usar o programa eleitoral para atacar o que chamou de "caciquismo" do governador e do prefeito Fernando Pimentel (PT).

"Do outro lado tem o caciquismo", disse Quintão em sua propaganda eleitoral. "Convidaram o outro candidato para ser candidato em cima de um projeto chamado aliança. Mas essa aliança já foi derrotada. O belo-horizontino não aceitou essa aliança, o tal projeto."

Quintão disse estar "lutando contra duas máquinas poderosas", uma crítica explícita à união do PT e do PSDB, que para ele têm projetos distintos. Essa ideologização sempre esteve fora da sua campanha.

No debate da noite de ontem na TV Alterosa (dos Diários Associados), Quintão repetiu muitas vezes que sua candidatura é "a única de centro-esquerda". Para endossar sua tese, citou o apoio do PC do B e de dissidentes petistas, que ele chamou de "PT coerente".

Para tachar Lacerda de representante da "direita", disse que na campanha do oponente estão "o PP de Paulo Maluf, o PTB de [Fernando] Collor, o PSDB, que foi sempre contra as políticas públicas do [governo] Lula", além de citar o apoio de políticos do DEM.

O peemedebista, segundo o Datafolha, perdeu sete pontos percentuais de sexta passada até ontem, enquanto Lacerda subiu oito pontos, atingindo 45% do total de votos. Quintão tem 40%. É empate técnico, por causa da margem de erro de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

Quintão perdeu pontos em todos os estratos, mas especialmente entre eleitores mais escolarizados (13 pontos dos que têm curso superior) e com maior renda (17 pontos entre os que ganham mais de dez salários mínimos e nove pontos entre os que ganham entre mais de cinco e dez salários).

Quintão perdeu 13 pontos entre os eleitores de 25 a 34 anos e dez pontos entre os de 45 e 59 anos. Sua preferência entre as mulheres também caiu nove pontos.

Em busca de terreno perdido, ele segue buscando vincular Lacerda ao mensalão. A inserção da noite de ontem que sua campanha pôs no ar com o empresário Marcos Valério, o operador do esquema, falando na CPI do Congresso que apurou o escândalo, foi cassada pela Justiça Eleitoral. Mas Quintão já preparava outras.

Comentários dos leitores
fabio siqueira ferreira (40) 28/10/2008 12h52
fabio siqueira ferreira (40) 28/10/2008 12h52
Tem-se a impressão de uma série de pessoas que se dizem de "esquerda" serem ressentidas e frustradas. Quando se juntam viram uma horda de analfabetos políticos e históricos. É uma mediocridade de dar dó. Como a "esquerda" mudou! Outrora era prazeroso ler e ouvir a chamada "esquerda". Os intelectuais se manifestavam e eram compreendidos. Aqueles que não detinham o saber das letras expunham suas experiências e expectativas com simplicidade e convencimento.
Lutar pela exclusão da EXTREMA (note bem e-x-t-r-e-m-a) desigualdade sócio-econômica da humanidade não é privilégio da "esquerda". Gestão política eficaz é que elimina desigualdade.
Se "a palavra é o perfume do homem" imagine o cheiro certos comentários.
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TAIGUARA TAIGUARA (13) 28/10/2008 12h43
TAIGUARA TAIGUARA (13) 28/10/2008 12h43
Ricardo Costa; Você é um daqueles que, certamente não tendo vivido na época da ditadura, se sente desconfortável na pele de um direitinha deslumbrado, e tenta, a todo custo, negar a existência dessa divisão histórica e irremovível. É compreensível. E se você acha que 68 se esgotou no tempo determinado pela cronologia do calendário, pior pra você. Eu fico ao lado do Zuenir Ventura. Assim como você, eu anseio por um país mais justo e, para tanto, não negligencio o olhar atento ao retrovisor. Isso, contrariando o seu pensamento, me permite manter uma distância segura em relação aos anos de chumbo.
Belo Horizonte perdeu as últimas eleições. O Quintão não passava de um plano B do Aécio. Os planos do 'carioca', com a vitória do Kassab, foram pro vinagre.
Não tardará para que o Pimentel seja apunhalado pelo 'Cabo Anselmo' que ajudou a eleger.
Em 2.010 o Aécio não obterá a legenda do PSDB para a vaga de candidato à presidência, nem o Pimentel a conseguirá, no PT, para concorrer ao Governo do Estado. Escute o recado das urnas; mais de um milhão de eleitores não concordaram com a 'tal' aliança. Ah! Tenho uma boa coleção de vinis, MPB e rock de setenta pra trás, que, a exemplo de 68 - e também para a sua infelicidade - não 'acabaram' e uma boa e sortida quantidade de 'modernos' DVDs. Gostar de coisas antigas, como Cartola, Tom e Vinícius não me impede de apreciar Cazuza, Lenine e Skank. Parece-me que é você que tem que alargar seus horizontes.
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Ronan Aguiar Cordeiro (149) 28/10/2008 07h29
Ronan Aguiar Cordeiro (149) 28/10/2008 07h29
Caro Carlos José dos Santos seu último comentário é a mais cristalina expressão da verdade. Nem Aécio, nem Pimentel tiveram a vitória que buscam apossar. O que elegeu Márcio Lacerda foi pura e simplesmente a escolha do menos nefasto. Não tivemos opções. Duas boas drogas foram colocadas para o povo de Belo Horizonte. A menos ruim significa permanecer com a administração petista que já ocupa a prefeitura a quase 16 anos. Infelizmente teremos que esperar mais para nos livrarmos dessa gente. Vamos ter que engolir a administração municipal inflada de "cumpanheiros" - os milhares de cargos em comissão - que tanto custam ao erário municipal, desviando recursos que poderiam estar destinados às necessidades da cidade e dos cidadãos. Fazer o quê? Enquanto a educação/escolarização for baixissima (como convém à nova elite politica) o resultado será sempre muito ruim. 1 opinião
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