Ataque de Wagner a PMDB explicita racha na Bahia
LETÍCIA SANDER
enviada especial da Folha de S.Paulo a Salvador
LUIZ FRANCISCO
da Agência Folha, em Salvador
A três dias da eleição, a disputa pela Prefeitura de Salvador escancarou a queda-de-braço entre as duas maiores lideranças políticas da Bahia --o governador Jaques Wagner (PT) e o ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional, PMDB).
O clima tenso dos bastidores acabou verbalizado de forma mais evidente ontem à noite, no último comício do candidato do PT, Walter Pinheiro, na periferia de Salvador.
No palanque, sem citar o partido nominalmente, o governador Wagner acusou o PMDB de Geddel de ter feito "ataques sórdidos" ao governo Lula no passado e agora "beber da popularidade do presidente".
"Lula desde criancinha sou eu, que, quando ele estava recebendo a saraivada de balas [na época do mensalão], botei meu corpo na frente para proteger o melhor presidente do Brasil. Hoje é fácil, com a popularidade de 80% de Lula, encher a boca e fingir que esqueceram dos ataques sórdidos que fizeram, para agora beberem da popularidade do presidente", afirmou.
Geddel foi um importante interlocutor do governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), do PSDB, mas abandonou a posição anti-Lula no final do primeiro mandato do PT no governo federal.
No mesmo discurso, Wagner chamou João Henrique (PMDB), o aliado do ministro que concorre à reeleição em Salvador, de prefeito de faz-de-conta, insinuando, de novo sem citar nomes, que a máquina do PMDB comandada por Geddel administra a cidade de fato.
O governador se valeu de uma série de adjetivos para se referir ao atual prefeito, a quem o PT apoiava há sete meses: mentiroso, covarde, despreparado, ingrato, traidor, confuso e sem rumo. Insinuou ainda a existência de denúncias de enriquecimento ilícito contra o peemedebista, e sugeriu que o prefeito deveria "calar a boca" em relação às críticas feitas à administração estadual.
Foi uma resposta às alfinetadas feitas em recente debate na TV, quando João Henrique chamou o governo da Bahia de "lerdo e incompetente".
Pronunciado três horas depois da divulgação de pesquisa Datafolha que mostrou o PMDB dez pontos à frente do PT na disputa em Salvador, o discurso de Wagner surpreendeu até a equipe de Pinheiro.
Foi a manifestação de apoio mais contundente feita até agora pelo governador. No primeiro turno, Wagner foi acusado de ter sido omisso na campanha, para não estragar suas relações com o PMDB.
Apesar do estilo polemista, Geddel evitou hoje bater de frente com o governador, embora tenha sinalizado que o culpa pelo tensionamento.
"Não sou comentarista ou colunista político para analisar o que outras pessoas dizem, não quero alimentar nenhum tipo de problema", disse, acrescentando: "Meu dever é criar facilidades para o presidente Lula, e não dificuldades".
A briga na Bahia atrapalha os planos de Lula de consolidar uma aliança cada vez mais sólida com o PMDB e ter o partido como parceiro na disputa pelo seu sucessor em 2010. O presidente ficou de fora da disputa em Salvador para não melindrar nenhum grupo e orientou que seus principais ministros também o fizessem.
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Temos aqui, uma mostra do baixo quilate do ministério lula. É um exemplo claro, do complexo do "sinhozinho" e do serviçal em ação.
Oferecer uma vitória ao lula?
Vai ser capacho lá onde todo mundo sabe. As "vitórias" dos partidos da base aliada foram lastreadas principalmente pela grande, farta e generosa distribuição de "bolsas - Vou te comprar" e o povão que não quer perder uma boquinha dessas de jeito nenhum, claro recompensou seus "donos".
Essa mesma estratégia é usada, com pequenas variáveis, em nossos vizinhos "bolivarianos" e lá como cá, isso vai acabar...
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O Supremo Tribunal Federal que o diga.
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