Prefeito eleito de Bauru tem 30 anos e diz que não vai apagar perfil do Orkut
MATHEUS PICHONELLI
da Agência Folha
O município de Bauru e seus 347.601 habitantes terão como prefeito, a partir de 1º de janeiro, um ambientalista de 30 anos que diz que plantou 100 mil árvores nos últimos 17 anos e que não pretende cortar os cabelos compridos nem apagar seu perfil no Orkut após assumir o cargo. Ele foi eleito anteontem com 97.288 votos.
Rodrigo Agostinho (PMDB), que se aliou ao PT e desbancou o candidato apoiado pela cúpula do PSDB paulista, chega à prefeitura após conciliar oito anos como vereador. Ele diz que sua referência política é a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (PT-AC).
Em seu perfil no site de relacionamentos, ele se descreve como "baladeiro de plantão", amante de mergulho, rapel, rafting e trekking.
Agostinho é vegetariano desde 1992 --mesmo ano em que viajou até o Rio de Janeiro para a Eco 92 e resolveu fundar, aos 15 anos, uma ONG em Bauru.
Fundador do Instituto Vidágua, Agostinho foi quem idealizou e propôs à SOS Mata Atlântica, em 2000, o projeto Clickarvore, que permite a internautas doarem uma muda de árvore por dia e monitorar seu crescimento pela internet. Até hoje 17.564.742 árvores foram doadas. "É o maior projeto de reflorestamento do país", diz.
Católico e solteiro, Agostinho mora com os pais e diz ser torcedor do Noroeste --clube da cidade que já teve como dirigente Caio Coube (PSDB), 51, seu adversário na campanha-- e "para o Palmeiras às vezes".
Durante a campanha, quando chegava aos bairros, era anunciado como "o nosso menino". O rótulo foi usado pelos oponentes, que tentaram colar nele a imagem de inexperiente.
Agostinho diz ter feito a campanha com poucos recursos e equipe enxuta, sem a ajuda dos figurões de seu partido.
"Fizemos tudo na raça. Eu redigia os textos para o horário eleitoral, e o cinegrafista editava. Não temos marqueteiro."
Bauru tem orçamento de R$ 328 milhões previsto para 2009. Só este ano, dívidas consumirão R$ 40 milhões, segundo a atual gestão. Investimentos são escassos: o município não tem Certidão de Regularidade Previdenciária e não pode receber transferências voluntárias de recursos pela União.
"Não tenho medo disso", diz Agostinho, que pretende usar o apoio do PT para incluir Bauru no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
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