Brasil
29/10/2008 - 13h59

CCJ ignora TSE e recomenda manutenção de mandato de deputado que trocou de partido

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara aprovou hoje consulta que recomenda à Mesa Diretora da Casa manter o mandato do deputado Walter Brito Neto (PRB-PB) até que o STF (Supremo Tribunal Federal) analise ações que questionam a cassação do parlamentar por infidelidade partidária. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) determinou a perda do mandato de Brito Neto por infidelidade partidária porque o deputado deixou o DEM e migrou para o PRB em setembro de 2007 --depois da data limite estabelecida pelo tribunal para as trocas partidárias.

O deputado Régis de Oliveira (PSC-SP), relator do processo na CCJ, disse que a Mesa Diretora não pode cassar o mandato do parlamentar sem que o STF conclua a análise do caso. "Decisão do STF não se discute, mas o TSE editou resolução usurpando uma função que é do Congresso. Esta posição [da cassação] só será cumprida quando houver trânsito em julgado do processo", afirmou.

Oliveira argumenta que a resolução editada pelo TSE com as regras para o fim do troca troca partidário desrespeita a Constituição Federal, por isso a Câmara não pode determinar a cassação do deputado sem que o STF se manifeste.

O relator disse que, se o STF concluir pela cassação do mandato de Neto, a Mesa Diretora da Câmara dará posse ao seu suplente. "Aí o presidente poderá cumprir a decisão, mas somente após uma decisão do STF", disse Oliveira.

Parlamentares do DEM, favoráveis à perda do mandato do parlamentar, votaram contra o parecer de Oliveira. Com minoria na CCJ, a oposição não conseguiu derrubar o parecer --o que provocaria a perda de mandato imediata do parlamentar.

O deputado Silvinho Peccioli (DEM-SP) criticou o parecer do relator ao afirmar que o Congresso deve cumprir decisão judicial. "Se não cumprirmos o que foi determinado pelo TSE, estaremos nos colocando na posição de órgão revisor de um tribunal superior", disse.

Favorável à fidelidade partidária, o deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP) votou favoravelmente ao relatório de Oliveira com o argumento de que o Congresso deve esperar a conclusão do processo antes de decretar a perda de mandato a Brito Neto. "A fidelidade partidária não pode se sobrepor às regras constitucionais. Enquanto não houver trânsito em julgado, não deve haver a perda de mandato", afirmou.

Prazo

Em resolução enviada no dia 4 de setembro ao Congresso, o TSE deu prazo de dez dias para que Brito Neto deixasse o mandato. Sem cumprir o prazo, Chinaglia encaminhou o caso para análise da Corregedoria da Casa. O corregedor, deputado Inocêncio Oliveira (PR-PE), encaminhou consulta à CCJ para a comissão orientar a Mesa Diretora sobre a decisão a ser tomada.

Para o TSE, Brito Neto deve perder seu mandato porque saiu do DEM e foi para o PRB em setembro de 2007, após 27 de março do mesmo ano, data limite para trocas.

Brito Neto diz que sofreu perseguição política local de sua antiga sigla. Seu suplente é Fábio Rodrigues de Oliveira (DEM-PB).

Comentários dos leitores
Bruno Cappellano (5) 30/10/2009 21h18
Bruno Cappellano (5) 30/10/2009 21h18
Pode até ser que a medida de Chalita seja incontistucional. Por outro lado, tem plena razão sobre o que diz da política educacional do Serra: a qual defende a formação básica paulista enfraquecida desvalorizando a profissão do professor, para que políticos, como ele e outros, façam o que bem entendam diante de uma população ignorante. sem opinião
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Sr. Ernani, aqui em Santa Catarina as coisas não são muito diferentes dos demais Estados da federação. Achar que o governo que não dá aumento e ser contra o Professor, LHS em 7 anos de governo deu 1% de reajuste ao magistério catarinense. JBMS. sem opinião
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Cassio Tavares (498) 23/10/2009 19h28
Cassio Tavares (498) 23/10/2009 19h28
Se voce é um dos que estão reclamando da educação, cobre aí do governador do seu estado ou do prefeito da sua cidade porque as escolas são estaduais ou municipais. Agora se voce está em São Paulo a cobrança tem que ser grande mesmo porque os alunos das escolas públicas do estado ficaram lá nos últimos lugares nos testes que foram aplicados para os alunos das escolas públicas de todas as unidades da federação 3 opiniões
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