Lula defende construção de uma "agenda positiva" sobre imigração na América Latina
da Folha Online
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quinta-feira, durante abertura Cúpula Ibero-Americana, em San Salvador (El Salvador), que os países da América Latina devem construir uma "agenda positiva" sobre imigração.
"A Cúpula Ibero-americana é foro privilegiado para discutir esse tema com franqueza e muita serenidade. Laços históricos e culturais profundos unem Portugal, Espanha e América Latina. O Brasil, em particular, recebeu de braços abertos milhões de imigrantes e descendentes europeus, hoje plenamente integrados à sociedade brasileira", afirmou Lula durante seu discurso.
Para o presidente, a questão da imigração tem relação com o emprego e com a renda dos trabalhadores locais, por isso a necessidade de discutir o assunto.
"Neste momento, torna-se ainda mais urgente que nossa comunidade também se pronuncie de forma coesa sobre a questão das migrações, por sua relação com o emprego e com a renda, e por seu impacto sobre os jovens", disse.
"É chegada a hora de construir uma governança realmente global, capaz de maximizar os benefícios da globalização e de minorar seu lado negativo. Não se pode fazer a apologia da livre circulação de bens e capitais e proibir a livre circulação de pessoas. Precisamos encontrar formas de convívio mais solidárias", disse Lula.
O tema central da 18ª Cúpula Ibero-Americana que acontece de 29 a 31 de outubro em San Salvador (El Salvador) é "Juventude e Desenvolvimento". Porém, a crise financeira mundial deve roubar a cena.
Durante seu discurso, Lula também comentou os projetos sociais que beneficiam jovens brasileiros, como o Pró-Jovem e o Segundo Tempo. O presidente aproveitou a ocasião para criticar os investidores que, segundo ele, estão ganhando com a crise financeira.
"Pensar nossa juventude é pensar o futuro. Exige uma reflexão estratégica. Que mundo estamos legando para as próximas gerações no momento em que vivemos esta dramática crise financeira? De pouco servirão as medidas que adotarmos em benefício de nossos jovens se os países ibero-americanos, especialmente os mais vulneráveis, forem abalados por essa crise; se todo o esforço que fizemos para superar a pobreza e a exclusão até agora for comprometido pela ação irresponsável daqueles que fizeram da economia um cassino", afirmou.
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