Brasil
03/11/2008 - 19h10

Comissão de Ética arquiva denúncia contra chefe-de-gabinete de Lula por tráfico de influência

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RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

A Comissão de Ética Pública do governo federal arquivou o processo contra o chefe-de-gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho. Carvalho era acusado de tráfico de influência por suspeita de repassar informações privilegiadas da Operação Satiagraha, desencadeada pela Polícia Federal, ao advogado e ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP).

Em nota oficial, a comissão recomenda o arquivamento "por descabimento da abertura do processo ético" por falta de provas e porque não houve "infração ética".

Alan Marques/Folha Imagem
Carvalho era acusado de tráfico de influência por suspeita de repassar informações privilegiadas da Operação Satiagraha, da PF
Carvalho era acusado de tráfico de influência por suspeita de repassar informações privilegiadas da Operação Satiagraha, da PF

No final de setembro, o relator do caso, Roberto Caldas, recomendou o arquivamento do caso. Nesta segunda-feira, por unanimidade os conselheiros rejeitaram a denúncia feita pelo jornalista Ricardo Pires de Mello e seguiram o relator.

Para preparar o parecer, Caldas examinou todo o material relativo à Operação Satiagraha, inclusive as publicações jornalísticas. Segundo o relator, a comissão só abriria procedimento ético contra Carvalho se houvesse o entendimento de que suas explicações não eram suficientes.

Ao longo do dia, os conselheiros avaliaram se a degravação de parte da conversa entre Greenhalgh e Carvalho poderia ser utilizada como prova contra o assessor já que as interceptações telefônicas eram sigilosas e foram tornadas públicas pela imprensa.

Suspeitas

Carvalho é suspeito de vazar informações da Operação Satiagraha a Greenhalgh. Em nota oficial, o chefe-de-gabinete de Lula admitiu que conversou com o ex-deputado e informou que o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência não investigava o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity.

Greenhalgh telefonou para Carvalho em busca de informações sobre o seu cliente Humberto Braz, investigado na Satiagraha e braço-direito de Dantas.

Em nota, Carvalho negou ter pedido informações à PF e ao Ministério da Justiça sobre as investigações. O chefe-de-gabinete confirmou que Greenhalgh pediu que obtivesse "mais informações" por meio da PF de dados sobre o inquérito da Satiagraha.

Em depoimento à CPI das Escutas Clandestinas da Câmara, o ex-diretor geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), Paulo Lacerda, confirmou que Carvalho procurou o GSI (Gabinete de Segurança Institucional) para pedir informações sobre a Operação Satiagraha.

Comentários dos leitores
Nelson Vaughan (107) 22/11/2009 13h58
Nelson Vaughan (107) 22/11/2009 13h58
Infelizmente o STJ decide, mais uma vez, de forma política e em defesa de interesses particulares, envolvendo-se politicamente nas decisões. É uma pena ver o poder judiciário se prestar pasra isso. sem opinião
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jeferson pereira maciel (1) 18/11/2009 19h57
jeferson pereira maciel (1) 18/11/2009 19h57
É uma falta de respeito com nos paraence o que o Bancario esta fazendo. nosso estado não deve se cala diante de tanta omilhação, temos que nos valorizar, somos pequenos diante dele mas somos capazes. 2 opiniões
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Comentarista Brasil (88) 17/11/2009 12h41
Comentarista Brasil (88) 17/11/2009 12h41
Em qualquer país decente do mundo um delegado como esse que foi afastado já estaria preso. Mas no Brasil parece que ele vai virar herói, no que depender, é claro, dos paladinos da moralidade (alheia, é claro). No mais, parabéns ao STF e ao CNJ, que têm corrigido os delírios de alguns juízes que ainda pensam ser deuses, mas estão aprendendo, em público e para o país todo ver, que manda quem pode e obedece quem tem juízo. É isso, simples assim, queiram ou não algumas viuvinhas. 15 opiniões
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