Aécio e Serra defendem adiamento da reforma tributária durante a crise
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Os governadores de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), e de São Paulo, José Serra (PSDB), defenderam nesta quarta-feira a votação da reforma tributária pelo Congresso somente após o fim da crise econômica internacional. Os governadores argumentam que a crise pode prejudicar mudanças no sistema tributário nacional em meio à queda de receita.
"Eu não acho que é o momento agora, com queda de receita. Mas eu não estou olhando na ótica de São Paulo", disse Serra.
Aécio, por sua vez, afirmou que a entrada em vigor dos artigos da reforma deve ocorrer somente no pós-crise. "Eu não advogo a interrupção da reforma tributária até porque o texto tem aspectos positivos. Mas a reforma tributária tem que ser vista com muito mais cautela, as discussões podem avançar, o consenso em torno do texto pode ocorrer e ela não deve ser paralisada essa discussão porque o consenso precisa avançar e têm questões que precisam ser melhor definidas", disse o tucano.
Segundo Aécio, o fim da crise econômica internacional vai permitir uma "visão mais clara" dos efeitos da turbulência dos mercados internacionais na economia brasileira.
Ao contrário dos governadores da oposição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apelou nesta quarta-feira para que os líderes da base aliada se empenhem na aprovação ainda este ano do texto da reforma tributária. Para assegurar o ambiente político em favor da aprovação da proposta, o ministro Guido Mantega (Fazenda) deve desembarcar amanhã no Congresso Nacional, quando se reúne com os líderes partidários em defesa da proposta.
Lula reuniu na tarde de hoje o presidente da Comissão Especial da Reforma Tributária, Antônio Palocci (PT-SP), o relator da proposta, Sandro Mabel (PR-GO), e os líderes dos partidos que apóiam o governo na Câmara. O líder do governo na Câmara, deputado Henrique Fontana (PT-RS), afirmou que o objetivo é votar a reforma até o fim do ano.
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