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Brasil
06/11/2008 - 09h12

Delegado afirma ter sofrido "violência" em uma "trama"

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RUBENS VALENTE
da Folha de S.Paulo

O delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz, alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos pela própria PF, disse ontem em São Paulo que sofreu "uma humilhação e uma violência" como parte do que chamou de "trama" para "desfocar" as investigações que atingiram o banqueiro Daniel Dantas e o grupo Opportunity.

Em entrevista concedida no mesmo hotel que, pela manhã, havia sido vasculhado pela PF, no centro de São Paulo, Queiroz afirmou que não foi ouvido pelos delegados que conduzem a investigação sobre os vazamentos. "O que me deixa mais indignado é que isso ocorre mais uma vez para desfocar o trabalho principal da Polícia Federal. O alvo principal é a organização comandada pelo senhor Daniel Dantas", disse Protógenes. Indagado se a operação de ontem demonstrava "o poder de Dantas na própria instituição [PF]", o delegado afirmou: "Não tenho dúvidas. Isso mais tarde vai ser revelado".

Protógenes foi questionado se considera a operação de ontem uma "retaliação" às denúncias que fez contra a cúpula da PF. "Sim, isso fica claro, eu não preciso nem falar, os próprios fatos dizem. Uma diligência sem consistência acontece na véspera do julgamento de um habeas corpus [a favor de Dantas] no Supremo Tribunal Federal. E no dia 17 termina o prazo para os arrazoados [defesas] finais das partes da ação penal que está em curso."

O delegado afirmou ter enfrentado problemas no andamento da Operação Satiagraha. "A todo tempo tentaram obstruir. Aí eu não posso apontar a direção-geral, aponto a administração central. Agora, quem ali dentro contribuiu para essa obstrução, quem passava informações para o bandido me seguir, antes, durante e depois, aí não sei. Entendo que essa investigação vai revelar."

Protógenes questionou a razão de o primeiro vazamento da operação, ocorrido em abril, em reportagem publicada pela Folha, e a divulgação, pela direção-geral da PF, de trechos da fita que registrou a reunião que o afastou, em julho, segundo ele não estarem sendo investigados com "o mesmo rigor, a mesma celeridade".

"Se isso estivesse sendo investigado, a cúpula da PF sofreria mandado de busca e apreensão", disse o delegado. "Cadê os suspeitos de envolvimento nessa divulgação desse material? Exijo que isto apareça, que isso seja investigado nesse inquérito". Queiroz disse que os policiais federais levaram ontem documentos, CDs, DVDs e até rascunhos de sua tese de formatura, que tem como tema o inquérito criminal.

Na entrevista, Queiroz leu para os jornalistas uma poesia da jornalista Elisa Lucinda ("Só de Sacanagem") que fala sobre corrupção no Brasil e a esperança "de que vai dar pra mudar o final".

Comentários dos leitores
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Prestem atenção que são os que deveriam ser investigados, os que nomeiam e colocam em cargos importantes, personagens de seus interesses..., cito como exemplo a "POLÍCIA FEDERAL"..., depois da troca de comando, depois do afastamente forçado do Delegado Protógenes..., nunca mais prendeu um deputado ou senador ou ainda magistrados envolvidos em roubos, escândalos, venda de sentenças e corrupção e etc..., então, tem duas hipóteses..., ou tem "GENTE DE CASA" no comando..., ou da noite para o dia..., "TODOS ELES FICARAM HONESTOS"..., o que, eu, particularmente, acho impossível. sem opinião
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Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Deu-me boa impressão o questionamento feito pelo Senado ao Dr. Trezza e as suas respostas equilibradas. Discrição, Dr. Trezza. Todo o Brasil está aguardando que a gestõ de V.Sa. se revista de sabedoria, de equidade e de força. sem opinião
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Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Infelizmente o STJ decide, mais uma vez, de forma política e em defesa de interesses particulares, envolvendo-se politicamente nas decisões. É uma pena ver o poder judiciário se prestar pasra isso. sem opinião
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